Na cidade

A nova rua verde de Lisboa já abriu — veja as primeiras imagens

A Rua Cláudio Nunes, em Benfica, é a nova aposta da iniciativa "A Rua é Sua", de fecho ao trânsito e usufruto de espaço.

Há mais uma rua colorida em Lisboa. Depois da rua rosa, no Cais do Sodré, e da Rua dos Bacalhoeiros virar azul — já com diversas novidades e esplanadas para descobrir — a Rua Cláudio Nunes, em Benfica, é agora a rua verde da capital.

O objetivo é o mesmo: fechar o trânsito, promovendo espaço para os peões poderem desfrutar da cidade em todo o seu esplendor e dando espaço e distanciamento a quem circula, bem como a comércio e esplanadas, numa altura em que tal é essencial.

O projeto está inserido no âmbito da “nova normalidade com uma série de intervenções que garantem maior distância física nas ruas e passeios”, tem explicado a Câmara de Lisboa. Uma das ideias, diz a autarquia, é precisamente “aumentar as áreas para esplanadas para garantir maior segurança”.

A iniciativa está assim integrada no programa da CML “A Rua é Sua” que começou há alguns anos com o fecho da Avenida da Liberdade aos domingos. A iniciativa pretende promover a mobilidade ativa, melhorar o acesso ao comércio local e aumentar as áreas para garantir maior segurança. No âmbito deste projeto, um troço com cerca de 70 metros entre a Rua Ernesto da Silva e a Estrada de Benfica foi agora pedonalizado e pintado de verde, mas há mais novidades.

Segundo explica a Lisboa Green Capital 2020 na sua página de Facebook, a Junta de Benfica foi mais longe e, para completar este espaço, decidiu construir mobiliário de exterior a partir de materiais reciclados. Os contentores do lixo viraram bancos de jardim, as antigas grades do Palácio Baldaya deram lugar a uma trepadeira de plantas, as paletes do mercado de Benfica tornaram-se sofás e os postes de iluminação funcionam através de painéis solares. “Esta rua é verde em todos os sentidos”, explica esta entidade.

No dia 6 de julho, aquando da primeira notícia sobre a Rua dos Bacalhoeiros tornar-se azul, foram adiantadas várias informações pela junta local, a de Santa Maria Maior, que podem ajudar a explicar estas intervenções que estão a ocorrer em Lisboa. No seu site e redes sociais, a junta explicou primeiro que seria feita a intervenção dos Bacalhoeiros no troço entre a Rua da Padaria e a Rua dos Arameiros. “Lisboa está a adaptar-se à nova normalidade, com uma série de intervenções que garantem maior distância física nas ruas e passeios”, frisou então a junta — tal como no documento exposto na Rua Cláudio Nunes —, remetendo então para o programa municipal “A Rua é Sua”.

Na pintura azul da rua da Baixa, as imagens da nova rua tornaram-se, em horas, virais nas redes sociais — não necessariamente pelos melhores motivos. Nas partilhas da junta e de vários lisboetas de imagens da nova rua, os comentários tornaram-se debates e até ataques, recaindo sobre vários elementos: a escolha da cor, a alegada descaracterização de uma rua do centro histórico da capital, a necessidade, ou não, destes intervenções.

Depois, a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior reagiu aos comentários negativos explicando os motivos, o conceito, a obra. A entidade começou por lembrar que, “no âmbito da Proposta nº 273/CM/2020 da Câmara Municipal de Lisboa, também aprovada por unanimidade pela Assembleia Municipal de Lisboa” — que autoriza o alargamento do espaço público destinado a esplanadas e a pedonalização de algumas vias como forma de se contribuir para combater a “profunda crise”, que atinge em particular a restauração e afins no Centro Histórico, com “graves e imediatas consequências na perda de dezenas ou centenas de postos de trabalho”, a Junta de Freguesia acordou com a Câmara Municipal a pedonalização e fecho temporário de três ruas no seu território, duas delas “com escasso e residual trânsito”.

Estas artérias, adiantou a junta em comunicado, são a Rua Nova da Trindade (troço entre o Largo da Trindade e a Travessa João de Deus), a Rua dos Bacalhoeiros (no troço até à Rua da Padaria) e a Rua João das Regras.

Assinada pelo presidente da junta, Miguel Coelho, a declaração explicava ainda que o compromisso assumido, “tendo em conta a urgência em poder fornecer aos operadores comerciais esta possibilidade ainda durante este verão”, foi de que este encerramento seria apenas até ao dia 31 de dezembro. Terminado este período, adiantava, far-se-á uma avaliação desta experiência, decidindo-se após isso pela sua manutenção, ou não, como espaço pedonal.

A Junta de Freguesia adiantou ainda ter posto como condição para poder assumir a implementação desta experiência, que todas as esplanadas terão de fechar impreterivelmente até às 23 horas. Além disso, e como forma de “evitar a invasão do espaço pedonal por veículos automóveis”, foi decidido que, durante esta fase experimental, estas vias fossem pintadas de uma cor alternativa, seguindo assim, a Junta de Freguesia, “o modelo proposto pela Câmara Municipal”.

Finalmente, Santa Maria Maior frisou que, pelo menos ali, “todas estas vias que após o período experimental venham a ser definitivamente consideradas pedonais serão, a partir de 1 de janeiro de 2021, objeto de intervenção de colocação de calçada portuguesa”.

Veja as fotos partilhadas pela Lisboa Green Capital da nova rua verde de Lisboa, em Benfica.

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