Na cidade

A Uber das motas é portuguesa, já rola nas estradas e promete viagens “mais rápidas”

A ixat já conta com mais de duas centenas de motoristas nas duas principais cidades do País. A grande vantagem é a velocidade.
Agora é que vai fugir ao trânsito

Tiago Lousada e Elisabete Araújo eram e são fãs das plataformas de mobilidade como a Uber e a Bolt, mas os últimos anos trouxeram consigo um problema difícil de resolver. A cada pedido de transporte, seguia-se um cancelamento. A frequência das desistências tornou-se insuportável.

A culpa, explica o português de 42 anos, é da forma como o sistema funciona. “As margens são muito pequenas e o motorista só vê o valor da viagem depois de aceitar o pedido. Quando percebem que não compensa, cancelam”, conta.

Tiago viveu em Angola, onde usava muitas vezes o moto táxi. No Brasil, o cenário repetiu-se. “Comecei a discutir com a Elisabete a possibilidade de montarmos algo do género em Portugal, como nas cidades brasileiras em havia, por exemplo, moto boys.” Após alguns meses a estudarem o mercado, decidiram avançar. O antigo nadador profissional, que trabalhou em comunicação desportiva, juntou-se à amiga advogada de 44 anos e criou a Ixat. A plataforma chegou ao mercado na sexta-feira, 7 de outubro — a aplicação está disponível na Google Play e na Apple Store.

O objetivo principal passava, lá está, por corrigir o problema dos cancelamentos. “O nosso algoritmo, quando recebe um pedido, dispara uma notificação para os cinco motoristas que recebem toda a informação: local de partida, destino e valor. O condutor já não precisa de cancelar porque tem a informação toda, e mesmo que cancele, há outros quatro prontos para fazerem a viagem”, explica à NiT. “Desde o arranque, temos uma taxa de cancelamentos muito baixa. Dois dos motoristas que cancelaram, disseram-me que foi um erro ao carregar no botão. Era a primeira viagem (risos).”

A verdade é que andar de carro e andar de mota são realidades muito distintas. Tiago e Elisabete compreendem a diferença e prepararam-se para isso mesmo. “Qualquer pessoa anda de carro, mas isso não acontece com as motas. Também por isso apontámos a outro público-alvo”, esclarece Tiago.

“Queremos chegar a estudantes até aos 26, que ou ainda não têm carta, ou que já têm e que podem ter carro, mas preferem poupar o dinheiro para outras coisas.” Pretendem também atrair “os novos trabalhadores” que preferem deslocar-se sem carro, fugir ao trânsito e ir de um ponto ao outro da cidade sem grandes preocupações e com rapidez. Essa é, também, a grande vantagem das motas: a velocidade.

“No Porto e em Lisboa, a mota pode andar nas faixas dos autocarros e quando há trânsito, desde que não passe linhas contínuas, pode escapar aos engarrafamentos”, nota. A outra diferença reside no preço. Desde logo, não existe, para já, uma taxa dinâmica — que flutua conforma a procura e a oferta — como acontece nas outras grandes empresas do mercado.

“Nesta fase queremos que os utilizadores percebam que não queremos só ganhar dinheiro. Conversamos muito com os motoristas para perceber se os valores são justos, e eles entendem que sim, por isso vamos manter um preço base fixo, mais um valor por quilómetro”, esclarece o responsável pela ixat. “Como as motas são mais rápidas do que os carros, ao invés do que faz a concorrência — que cobra uma taxa extra por quilómetro e por minuto —, nós não cobramos um valor por minuto.”

No serviço de moto táxi, existem duas categorias de veículo, cujos preços começam nos seis euros de tarifa base mais 60 cêntimos por quilómetro. A ixat cobra uma comissão de 10 por cento mais três euros. “Em viagens pequenas, entre dois a três quilómetros as nossas taxas são superiores [às restantes TVDE]. Já entre os cinco e os sete quilómetros, o valor é mais ou menos o mesmo. Acima disso, somos um bocadinho mais baratos”, nota.

Certo é que já foram batidos os objetivos definidos para o arranque. Ao fim de quatro dias, contam já com 260 motoristas ativos em todo o País e “com muitos mais pedidos por ativar”. Resta chegar à meta de final do ano com dois a três mil utilizadores ativos — têm atualmente 500.

Por enquanto, o acesso à app exige que os motoristas tenham mais de 25 anos de idade e mais de três de carta de mota. Depois, só têm que garantir que têm seguro para passageiros e dois capacetes, um deles para o utilizador, que deverá ser sempre higienizado no momento da viagem. Quanto a utilizadores, o acesso está vedado a maiores de 16 anos.

Como seria de esperar, 90 por cento dos motoristas estão concentrados em Lisboa e Porto, mas garantem que há pelo menos um motorista ativo em cada um dos distritos.

Por enquanto, a startup é apenas um negócio de dois intervenientes, os fundadores. Isso está prestes a mudar. Entretanto, acolheram um investidor que entrou com 100 mil euros, algo que, para já, “é suficiente”. Segue-se a possibilidade de criar uma equipa de IT própria para gerir a aplicação.

Em 2023, pretendem abrir a startup “a todos”. O plano passa por criar aquilo a que chamam de “crowdfunding em rede”, no qual “os investidores terão a oportunidade de adquirir uma participação no capital social da Ixat, mas com muitas regalias”.

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