Na cidade

A viagem de uma vida: este novo autocarro leva-o a conhecer 18 países em 70 dias

É uma semi-volta ao mundo, num hop on, hop off de luxo, a começar em 2021. É a viagem de autocarro mais longa do mundo.
A aventura começa em Deli.

É a oportunidade de uma vida para todos os wanderlusters, amantes de viagens, ávidos de cultura, aventura e de conhecimento. Não para um 2020 marcado pela pandemia mundial do novo coronavírus, claro, mas para o ano, quando tudo deverá estar melhor, esta pode ser a maior celebração possível de um regresso esperado à normalidade. Ou, quem sabe, simplesmente algo a adicionar à sua lista futura de sonhos e poupanças.

A nova viagem que qualquer pessoa pode comprar, a nova aventura ao alcance de qualquer um com a condicionante apenas do orçamento, é um passeio de 70 dias, por 18 países, num autocarro. É uma espécie de Expresso do Oriente em versão moderna, num autocarro; em modo hop on, hop off. Certo, talvez não tenha assim tanto a ver com o Transiberiano, a não ser em alguns países a visitar — e na mística que se pretende criar. É conhecer uma enorme e variada parte do mundo, por terra, num autocarro de luxo.

A empresa de expedição Adventures Overland é a responsável por esta nova opção de aventura onde os aviões não entram. Segundo a “CNN” o novo Bus to London transportará viajantes da metrópole indiana de Deli, na Índia, para a capital do Reino Unido, Londres, com tudo organizado.

O serviço auto denomina-se como o primeiro autocarro hop-on hop-off entre os dois destinos. Na sua página, diz ainda ser “a viagem de autocarro mais longa do mundo”, o que é provavelmente verdade. Em 2021, quando a pandemia tiver, esperamos, melhorado ou até passado, o Bus to London transportará 20 passageiros num autocarro de luxo modificado, inspirado em parte nos Hippie Trail que cruzavam o mundo na década de 1950 e 1960.

A aventura vai passar por 18 países e a sua viagem inaugural sai em maio. No percurso, estão ícones mundiais como a Grande Muralha da China, Moscovo, Praga. E muito, muito mais. “Como parte da viagem, vai explorar milhares de pagodes em Mianmar, conhecer espécies raras de pandas gigantes em Chengdu, caminhar na Grande Muralha da China, visita as cidades históricas de Bukhara, Tashkent e Samarcanda no Uzbequistão e fazer um cruzeiro no Mar Cáspio no Cazaquistão. Vai relaxar em cidades históricas da Europa, como Moscovo, Vilnius, Bruxelas e Frankfurt, antes de concluir a viagem em Londres. Depois de chegar a Londres, o autocarro embarcará na sua viagem inaugural de volta para casa fazendo o mesmo trajeto para chegar à Índia.”, explica a empresa no seu site.

As India revels in the celebration of its 74th year of Independence, we at Adventures Overland are thrilled to announce…

Publicado por Adventures Overland em Sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Ao detalhe, começando em Deli, a rota segue primeiro para o leste através da Índia para ver os pagodes de Mianmar antes de cruzar para a Tailândia e parar em Banguecoque. A jornada vira para norte, cruzando o rio Mekong até ao Laos. O autocarro segue depois até a China, começando em Chengdu, onde os viajantes podem encontrar os tais pandas e depois caminhar pela Grande Muralha e explorar o Deserto de Gobi. Há tempo ainda para percorrer a antiga Rota da Seda, através de locais preservados no Quirguistão , Uzbequistão e Cazaquistão. Seguem-se a Rússia e Moscovo, para depois explorar várias capitais da Europa: Vilnius, Varsóvia, Praga, Bruxelas e Londres, o destino final, mais de dois meses depois.

São 20 mil quilómetros, de um sonho que surgiu na cabeça de dois empresários e viajantes entusiastas: Tushar Agarwal e Sanjay Madan. À CNN, Agarwal explicou que se inspirou numa incrível viagem solo de Londres a Deli que fez em 2010. Desde que criaram a Adventures Overland, os dois jovens já foram organizando três expedições Índia-Londres, nas quais os viajantes traziam os seus próprios carros e viajavam em grupo, em modo comboio. Pelo caminho, organizaram rotas semelhantes, com o mesmo conceito de “comboio de carros”, pela Islândia e Rússia.

Mas faltava-lhes uma opção, uma maneira de mostrar todos estes locais, sem que as pessoas tivessem de conduzir o seu carro, onde pudessem descansar e apreciar a viagem, sem preocupações. Na plataforma, associa-se então este conceito à nostalgia das icónicas viagens que uniam o Reino Unido à India, muito antes do turismo ser como é agora. Nomeadamente, a tal Hippie Trail, populares jornadas por terra entre a Europa e a Ásia que aconteciam entre 1950 e 1970.

“A primeira e a mais popular foi uma viagem de 1957 organizada por Oswald-Joseph Garrow-Fisher, num autocarro  chamado The Indiaman. O autocarro iniciou a sua jornada com 20 passageiros a bordo. Saindo de Londres em 15 de abril de 1957, chegou a Calcutá em 5 de junho. O mesmo voltou a Londres a 2 de agosto de 1957. Alegadamente, o custo de uma única passagem custava 85 libras (95€) e 65 libras (78€) para a viagem de volta. A jornada passou por França, Itália, Jugoslávia, Bulgária, Turquia, Irão e Paquistão antes de finalmente chegar à Índia”, explica a dupla no seu site.

Agora, devido ao seu sonho, surge esta viagem inaugural para Londres, programada meados de 2021, pendente, claro das restrições da Covid-19.“A melhor época para fazer esta viagem é entre abril e junho, porque é quando o clima é favorável para iniciar a parte da Índia até Mianmar e cruzar as altas montanhas da China e do Quirguistão”, explica Agarwal à CNN.

Quanto aos confortos, pode contar com todos os que imaginar: embora seja a viagem mais longa do mundo, não quer dizer que não vá bem, em poltronas reclináveis ​​estilo classe executiva com bastante espaço para as pernas. E ainda WiFi, pontos de carregamento de telefone no assento, armários individuais e sistemas de entretenimento com portas AUX e USB.

É claro que, com tudo isto, a aventura de uma vida não fica barata: deverá custar 20 mil dólares, pouco mais de 16 mil euros por passageiro, mas isto é pelo percurso total: pode optar por fazer apenas partes da viagem, que será dividida em quatro etapas.

Além disso, pode escolher se prefere começar no Reino Unido e terminar na Índia ou vice-versa. Esta será a viagem inaugural, mas são esperadas mais no futuro, sobretudo a avaliar pelo interesse inicial, mesmo em tempos de pandemia: “cerca de 40.000 pessoas já registaram o seu interesse”, conclui Agarwal.

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