Na cidade

“310 milhões de anos” depois, abriu o incrível Parque do Barrocal em Castelo Branco

Ainda antes de abrir, o parque já recebeu prémios de arquitetura. A entrada é gratuita, pelo menos no primeiro ano.
O Barrocal.

Depois das obras de requalificação e de alguns adiamentos, o Parque do Barrocal abriu ao público: no sábado, 7 de novembro, foi a inauguração daquele que promete ser um dos mais incríveis parques do País. E aconteceu com um espetáculo de luzes nos céus de Castelo Branco, que refletem o brilho do Barrocal, as fogueiras do passado, a memória do fogo que o consumiu e o renascimento deste espaço.

A abertura aconteceu em plena pandemia, mas isso não quer dizer que não estejam salvaguardadas todas de medidas de segurança de colaboradores e de visitantes, de acordo com as diretivas das autoridades sanitárias no âmbito da prevenção da Covid-19. Segundo fonte do espaço, haverá controlo de entradas e saídas e recomenda-se a utilização de máscara em todo o percurso, sendo obrigatória a sua utilização na zona de entrada do parque.

Imagem de Pedro Martins.

Pela preservação da natureza, é também recomendado que a circulação dentro do parque se efetue apenas pelos trilhos assinalados. Segundo o presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, José Augusto Alves, estando reunidas todas as condições necessárias para a muito antecipada abertura deste espaço, “não fazia sentido prorrogar a sua data de abertura”.

A autarquia partilhou, nos dias da inauguração, um vídeo onde mostra um vislumbre do que os visitantes podem esperar: para começar, em dimensão, já que o Parque Natural do Barrocal está integrado nos territórios classificados do Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO e da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Tejo|Tajo Internacional, com 40 hectares.

Depois, o parque apresenta sete mirantes, diversas formações geológicas de interesse, passadiços e trilhos naturais, um parque infantil e um observatório de aves, entre outras atrações naturais.

São, na verdade, “310 milhões de anos em construção, com uma paisagem granítica característica feita de rochas geradas nas profundezas da Terra, mas moldadas e expostas por centenas de milhões de anos de movimentos tectónicos e períodos climáticos”, explica a autarquia local. E chama-lhe “um oásis refrescante de história natural”.

A sua origem está associada à instalação de uma gigantesca massa magmática localizada a uma profundidade estimada de 30 quilómetros e com uma temperatura de cristalização iniciada aos 750 graus, datada de há cerca de 310 milhões de anos. Aqui, a autarquia albicastrense investiu cerca de um milhão de euros, como adiantou recentemente  à NiT, para salvaguardar e potenciar este importante legado histórico e natural.

O Granito do Barrocal pertence ao maciço granítico de Castelo Branco,  rodeado por rochas metamórficas mais antigas, popularmente conhecidas como xistos. No parque há também cristais de apatite, zircão, ilmenite, andaluzite, cordierite e silimanite. O granito terá resultado da fusão em profundidade de materiais constituintes da crosta terrestre durante a formação de uma cadeia de montanhas por constituição do supercontinente Pangeia.

Imagem de Pedro Martins.

Além da riqueza natural, há a arquitetónica: a visão dos arquitetos Teresa Barão, Luis Ribeiro e Catarina Viana tem feito notícias lá fora. A 13 de agosto, o parque urbano recebeu a informação de que, prestes a abrir portas, estava já na shortlist do maior prémio internacional de arquitetura, o World Architecture News Awards — Wan Awards, na categoria Urban Landscapes. Ao seu lado, na tal lista VIP, estão oito finalistas provenientes de países como os EUA, México, Dinamarca ou Austrália. O vencedor dos prémios será conhecido em breve.

Depois, foi mesmo premiado com o Architecture Master Prize — uma das mais reputadas distinções do setor — na categoria de espaços públicos. E há também a localização: a sua área natural única fica no limite urbano de Castelo Branco, a escassos 1000 metros do centro da cidade e a 600 metros dos terminais rodoviário e ferroviário.

Acompanha tudo isto uma enorme biodiversidade que segue as estações do ano. Na nova plataforma do parque encontra todas as explicações, a história, e as espécies que pode encontrar por lá.

 

É “um verdadeiro parque de natureza em plena cidade”, conta a autarquia, até porque aqui encontra também dois domínios florísticos demarcados: o continental, representado pelo carvalho-negral; e o mediterrânico, com o sobreiro e a azinheira.

A criação do novo espaço neste local natural pretendeu, define o município, a conservação da natureza, a diversificação do lazer, a educação ambiental e a dinamização turística e cultural da região.

“O Parque do Barrocal é o resultado do reconhecimento da necessidade de salvaguardar um dos principais ativos patrimoniais, paisagísticos e identitários da cidade de Castelo Branco”, diz a autarquia.

Isto assegurando “não só a sua preservação geo-ecológica, como valorizando o seu potencial funcional inscrevendo-o no quotidiano dos albicastrenses — agora de forma mais acessível e qualificada — e no roteiro de visitação regional”, conclui.

No parque, os caminhos e passadiços foram desenhados no sítio, adaptando-se às singularidades topográficas e geológicas de cada lugar. Juntamente com os mirantes, são plataformas de observação privilegiadas para contemplar e experienciar a paisagem do Barrocal, do campo e da cidade.

O Túnel do Lagarto, o Observatório dos Abelharucos e o Círculo do Domo assumem uma função de destaque e permitem diversas atividades. Há ainda uma ponte suspensa que convida a visita ao mirante de São Martinho.

O horário de funcionamento no inverno é entre as 10 horas e 17h30, e no verão pode conhecer o parque entre as 9 e 20 horas.

A entrada será gratuita pelo menos no primeiro ano a partir da data de inauguração, garante a Câmara Municipal de Castelo Branco à NiT.

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