Na cidade

Aeroporto de Faro muda de nome em homenagem ao almirante Gago Coutinho

A mudança coincide com o centenário da primeira travessia aérea do Atlântico Sul realizada por Gago Coutinho e Sacadura Cabral.
Vai passar a chamar-se Aeroporto Gago Coutinho.

A 17 de junho de 1922, Gago Coutinho e Sacadura Cabral chegaram ao Rio de Janeiro, no Brasil, concluindo assim a primeira travessia aérea do Atlântico Sul no hidroavião “Lusitânia”. Precisamente 100 anos depois do enorme feito, o Aeroporto Internacional de Faro muda de nome para Aeroporto Gago Coutinho em homenagem ao navegador e almirante português. 

A decisão foi aprovada em Conselho de Ministros na passada quarta-feira, no ano em que se assinala o centenário do evento histórico. “O Governo presta, assim, homenagem ao almirante Gago Coutinho, natural de São Brás de Alportel, no distrito de Faro, quando se assinala o centenário da primeira travessia aérea do Atlântico Sul, uma das maiores proezas da história da navegação aérea”, disse o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, André Moz Caldas, em conferência de imprensa. 

A proposta foi aprovada por várias assembleias municipais do Algarve e a ideia de alterar o nome do aeroporto partiu de um movimento de cidadãos, que consideravam que a infraestrutura, inaugurada em 1965, merecia o nome do almirante.

A Assembleia Municipal de São Brás de Alportel já tinha aprovado por unanimidade, em fevereiro de 2020, uma moção a defender a alteração do nome do aeroporto de Faro. 

“Pretende-se prestar homenagem ao passado e perspetivar o futuro, com a atribuição ao equipamento de maior relevo para o turismo e para a abertura ao mundo da região, de um nome de patrono com raízes familiares que ascendem a terras algarvias e cujo mérito transcende as fronteiras do país para abraçar o mundo”, lê-se no documento.

Quem foi Gago Coutinho?

Gago Coutinho, natural de Belém (Lisboa), nasceu em 1869 e foi o navegador da primeira travessia aérea do Atlântico Sul, no avião pilotado por Sacadura Cabral. Mais do que ter estado presente nesta proeza histórica, o almirante também desenvolveu aparelhos de navegação que revolucionaram a história da aviação mundial e realizou trabalhos geodésicos — de cartografia da Terra — em Angola e São Tomé e Príncipe.

Foi precisamente em África que Sacadura Cabral conheceu Gago Coutinho e incentivou-o a dedicar-se ao problema da navegação aérea. Juntos estudaram um novo aparelho que permitiria fazer uma navegação estimada e que viria a auxiliar e a completar a navegação astronómica por intermédio do sextante. 

Gago Coutinho aperfeiçoou o sextante, um aparelho que permitia a orientação do avião em pleno voo, sem a necessidade de visualizar diretamente o horizonte. Inventaram ainda um aparelho chamado “Plaqué de Abatimento” que, mais tarde, ficou conhecido como “Corretor de Rumos — Coutinho-Sacadura”. O corretor de rumos, que permitia retificar os desvios causados pelo vento, foi usado na primeira viagem aérea entre Lisboa e Funchal, em 1921. 

A estreia da dupla aconteceu na primeira travessia aérea entre Lisboa e o Funchal. A viagem fez parte de uma experiência cujo objetivo era testar novos instrumentos de navegação aérea e preparar a eventual travessia do Atlântico, que acabou por acontecer um ano depois. 

A viagem começou a 30 de março de 1922, em Lisboa, e terminou a 17 de junho, quando o hidroavião chegou finalmente ao Rio de Janeiro, no Brasil, após terem percorrido mais de 4500 milhas marítimas.

Foi durante este percurso testou o sextante, provando assim que era possível realizar voos de grande distância com precisão. O aparelho viria a ser utilizado para a navegação aérea em todo o mundo nas décadas seguintes. Já no final da carreira, publicou vários estudos sobre as navegações portuguesas durante os descobrimentos.

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