Na cidade

A agência Landescape abriu um espaço físico para os amantes de viagens (e não só)

Já era um sonho antigo dos amigos Rafael e Carina. Das conversas à volta do mundo às sessões de showcooking, há propostas semanais para todos os gostos.
Carina e Rafael.

Quando Rafael Polónia, nascido e criado na cidade de Ovar, decidiu formar-se em teatro, dança e música, jamais imaginou que a sua vida profissional passaria também pelo mundo das viagens. As aventuras de mochila às costas que fazia quando conseguia tirar uns dias de férias não passavam de um simples hobby, mas viriam a tornar-se muito mais do que isso.

Depois de duas viagens de bicicleta que o levarem de Ovar a Istambul (ida e volta) e de Ovar a Macau, através de mais de 50 países, a vontade de partilhar com as pessoas alguns dos locais que conheceu fez com que abandonasse a área das artes do espetáculo. Em 2016, depois de liderar alguns grupos de agências portuguesas, decidiu fundar a Landescape, uma agência de viagens culturais e de aventura que tem levado os clientes aos lugares mais incríveis e inóspitos do mundo, como Socrota, a “ilha extraterrestre” no Iémen. O sonho passou a ser a realidade do viajante de 47 anos, mas ainda havia muito que gostava de concretizar.

Desde o início que Rafael Polónia e Carina Silva — uma colega que conheceu no universo das artes e que convidou para se juntar ao projeto — tinham uma vontade de ter um espaço cultural agregado à agência. “Conhecemo-nos os dois no teatro e sempre tivemos esta ligação com a cultura e esta vontade de trazer pessoas da área para dentro das nossas portas”, conta à NiT a responsável de comunicação e líder de viagem.

Quando se mudaram para o Porto, para um “espaço pequeno”, organizavam apresentações pontualmente. Foi aí que começou a crescer a vontade de fazer algo maior. “Sentíamos que no Porto seríamos só mais uns, então decidimos regressar a Ovar e trazer para aqui um projeto que não existia”, explica.

Ao regressar à cidade que viu nascer a agência, encontrarou uma antiga pizzaria que era o lugar perfeito para abrir um espaço físico onde pudesse receber uma programação regular direcionada aos aficionados das viagens — e não só.

O espaço.

Assim, a 16 de março, abriram as portas do Lugar.Landescape, um ponto de encontro entre a agência e a comunidade local. O espaço físico pretende reunir e alimentar conexões pessoais através de eventos culturais, workshops, sessões de cinema e outros momentos de partilha entre viajantes e líderes de viagens.

É um espaço multifacetado que pode funcionar como sala de projeção de vídeo para sessões de cinema ou como uma sala para realizar showcooking. No exterior dispõem ainda de uma esplanada, que também será palco de uma série de eventos, sobretudo no verão. 

Das conversas à volta do mundo às sessões de showcooking, das caminhadas guiadas à exibição de cinema documental, dos contos infantis às oficinas de escrita. Há propostas semanais regulares para todos os gostos, a maioria delas com entrada livre.

O próximo evento vai acontecer no sábado, 13 de abril, às 15h30, com a apresentação do Cadernos Landescape by musGo, um caderno de viagem idealizada pela equipa que demorou cerca de meio ano a ser concluída. “No interior tem uma série de dicas sobre sustentabilidade em viagens e podem utilizá-lo para uma lista de memórias”, explica.

Durante o mês de abril, o espaço vai receber ainda a exibição do filme “O Grito da Raposa na Noite Fria” e um showcooking de comida indiana, seguida de almoço temática (30€ por pessoa). Ao longo dos meses, o Lugar. Landescape servirá também para a apresentação de viagens futuras da empresa para destinos como Omã ou Paquistão. A programação completa até junho está disponível online.

Mais do que organizar eventos, a curto prazo pretendem também funcionar como co-working. “Provavelmente, a partir de setembro, queremos partilhar o espaço com as pessoas de Ovar ou viajantes em trânsito e, ao mesmo tempo, estar em contacto connosco”, adianta Carina.

Aproveite e leia o artigo sobre a viagem à ilha de Socotra, liderada por Pedro Quirino. Esta ilha esquecida no Índico não fez parte dos panfletos turísticos durante décadas devido aos conflitos do Iémen, um dos países mais perigosos do mundo, segundo a Organização das Nações Unidas, mas abriu recentemente ao turismo.

Já é possível conhecer as praias desertas paradisíacas, os desfiladeiros entre penhascos, os oásis entre as dunas, as piscinas naturais suspensas e as florestas de árvores com formas bizarras. 

De seguida, carregue na galeria para conhecer esta misteriosa ilha esquecida no oceano Índico.

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