Na cidade

A aldeia de xisto que fica a meia hora do Porto — e que tem mesmo de conhecer

Não é uma parente esquecida da conhecida rota do Xisto. É mesmo uma aldeia com a sua própria história — e cada vez com mais vida.
Fotografia de Ana Maria Pinto.

À primeira vista, o cenário até lembra algo que já conhecemos bem. Estamos longe das famosas aldeias de xisto da serra da Lousã mas há aqui qualquer coisa de elo perdido. Poderia estar em boa companhia mais a sul que não destoaria. Mas é na freguesia de Lagares, no concelho de Penafiel, que encontramos a Quintandona. 

A aldeia integra a chamada rota do Românico, percurso pelo norte de Portugal, em terras dos vales do Sousa, Douro e Tâmega, com lendas que remontam aos primórdios do País. As referências mais antigas ao povoado datam ainda do século XIII, tinha Portugal pouco mais de cem anos de vida. O mundo mudou muito desde então mas entre as ruas características estreias da aldeia encontramos este ambiente de coisa de outros tempos que nos veio visitar ao presente.

Há poucas décadas a aldeia era um de muitos outros lugares do País onde o potencial estava lá mas faltava sangue novo (e investimento) para lhe dar outra força. A aldeia foi sendo recuperada já em pleno século XXI, numa aposta da autarquia, de privados e de fundos europeus, tudo com o cuidado de manter os traços arquitetónicos característicos. O pelourinho, os espigueiros típicos do norte do País, a capela e o antigo lavadouro público, devidamente recuperado, reforçam esta ligação ao passado que se preservou.

Ao passear pelas ruas de pedra de Quintandona cedo se vai perceber que é o tipo de espaço que vale não só uma visita quando se anda pela região mas onde se pode parar e aproveitar com tempo. Um dos destaques é bem conhecido para aqueles lados e perfeito para saborear a gastronomia tradicional com um bom vinho.

O Winebar Casa da Viúva (preço médio 30€) não é lugar de refeições enfarta-brutos mas mais em modo petiscos — com o vinho, naturalmente, a ser um dos trunfos da refeição. Se procura por uma opção mais à portuguesa, com opções como cozido, cabidela ou rojões, sugerimos dar um salto a Duas Igrejas, também no concelho de Penafiel, ao Cozinha de Quessus. As refeições são somente por reservas mas é em ambiente íntimo, acolhedor e à luz de velas que vai poder sentar-se à mesa.

Voltando a Quintandona propriamente dita, o alojamento referência na aldeia (e um dos mais elogiados nas redondezas) é a Casa Valxisto – Country House (a partir de 200€ duas noites, no verão), que conta com restaurante à carta, quartos com vista para a montanha e piscina. Quintandona, no entanto, tem ainda mais, num caso claro que mostra o muito que se pode fazer mesmo quando há dinamismo.

A pandemia, já o sabemos, tem sido pródiga a estragar planos mas com sorte em setembro haverá oportunidade para uma festa que, em pouco mais de uma década, já se tornou uma tradição. Falamos da Festa do Caldo, onde há jogos tradicionais e os caldos da aldeia se servem em abundância, recriando o ambiente de há algumas décadas da população rural portuguesa.

A festa é particularmente dinamizada pelo grupo de teatro comoDEantes, que fez de Quintandona a sua casa e que traz máscaras e inspiração da aldeia nas suas performances. E a aldeia conta ainda com a Casa do Amásio, uma quinta pedagógica com produção agrícola, mas também um lugar para residências artísticas.

Segundo a Câmara Municipal de Penafiel, cerca de 60 pessoas vivem atualmente na aldeia, sendo que a pequena comunidade foi capaz de tornar a aldeia um ponto de atração e cultura, que fazem com que, todos os anos, cada vez mais pessoas queiram visitar este recanto de xisto único na região.

Para chegar a Quintandona, a referência a partir do Porto é a A4 e mudar depois para Recarei, pela N15. Em Recarei, entre na N319, passe por Sobreira e pouco depois chegará à aldeia. Do Porto até lá é uma meia hora de viagem. Quem vier mais de sul pode seguir pela A41 e seguir depois pela mesma N319. Já de Penafiel até Quintandona são cerca de 15 quilómetros por uma das estradas municipais.

Uma aldeia preservada.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT