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Aldeia medieval em Viseu foi vendida por 2,3 milhões

O novo dono, que é um investidor português, ainda não revelou planos para a aldeia com 800 anos de história.

A aldeia medieval de Póvoa Dão, no distrito de Viseu, foi vendida por 2,3 milhões de euros. O leilão da Leilosoc terminou esta sexta-feira, 5 de dezembro, e contou com 72 licitações vindas de várias partes do mundo. No final, acabou por ser um investidor português a vencer.

A identidade do comprador ainda não foi revelada, mas sabe-se que fez a proposta final de 2,3 milhões de euros pela aldeia, situada na freguesia de Silgueiros. Durante o processo, houve também propostas vindas da Alemanha, do Brasil e até dos Estados Unidos. A aldeia tem um total de 41 casas, mas apenas 32 foram incluídas no leilão. As restantes pertencem a privados que, segundo o “Jornal de Notícias”, terão comprado as habitações no início dos anos 2000.

A leiloeira refere que existem vários projetos em cima da mesa: desde a criação de um eco-resort de luxo a um aldeamento turístico, passando por um empreendimento vinícola ou um condomínio rural sustentável. Ainda não é certo se o novo proprietário irá avançar com algum destes planos.

A apenas 14 quilómetros de Viseu, Póvoa Dão é considerada uma das aldeias mais antigas da região. À entrada, continua visível um antigo caminho romano que ligava Viseu a Tábua e que terá sido essencial para o seu desenvolvimento.

Em 2010, a aldeia chegou a ser recuperada pela empresa Ramos Catarino, do antigo grupo proprietário, e durante cinco anos recebeu turistas de forma pontual. No entanto, tudo mudou em 2015, com a falência da empresa de construção que tinha apostado no projeto turístico ao longo de vários anos.

A origem de Póvoa Dão remonta ao século XIII. Já em 1258, era mencionada nas inquirições afonsinas com o nome Póvoa de Jusã. O nome atual surgiu mais tarde, numa homenagem ao rio Dão.

A aldeia teve um papel importante no comércio da zona, mas começou a perder população a partir dos anos 60, sobretudo por causa da emigração. Com isso, muitas casas ficaram abandonadas. Em 1995, a localidade foi vendida ao Grupo Catarino por cerca de 400 mil euros.

Nessa altura, só lá viviam “quatro idosos, das dezenas de famílias que 20 anos antes habitavam na localidade”, escreveu a agência “Lusa” na altura, citada mais tarde pelo jornal “Público”. O objetivo da compra era recuperar a aldeia, vender parte das casas a privados e manter outras para alojamento rural.

Cinco anos depois, mais de 30 casas — com tipologias entre T0 e T3 — foram colocadas à venda. Até 2004, cerca de 20 já tinham sido compradas por famílias portuguesas vindas de Lisboa, Porto, Coimbra e Viseu. No entanto, ao longo dos anos, muitas acabaram por ser deixadas ao abandono.

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