Quando António Loureiro esteve em Reirigo, no distrito de Viana do Castelo, pela primeira vez, não imaginava que a região se tornaria num projeto de vida. Afinal, ainda era miúdo quando a mãe, Maria João, comprou “parte da aldeia” em Paredes de Coura.
Embora seja muitas vezes referido como aldeia, a verdade é que Reirigo se trata de um pequeno núcleo rural, próximo da aldeia histórica de Porreiras. Ali, não há cafés nem qualquer tipo de estabelecimento — apenas as casas e anexos destinados à agricultura.
“As cidades mais próximas são Paredes de Coura e Valença”, começa por explicar à NiT o fotógrafo e criador de conteúdos, de 22 anos. “Ao todo, são cerca de sete habitações e, há cerca de 10 anos, a minha mãe comprou três delas.”
Nessa altura, Maria João reabilitou o interior das propriedades, bem como partes do exterior, onde existe atualmente uma piscina, e transformou-as num turismo rural, inaugurado em 2018 como Vila Margarida.
Agora, António tem um novo projeto em mente: reconstruir Reirigo — e não é só no sentido literal, com obras e remodelações. O jovem pretende trazer mais pessoas à região, ao mesmo tempo que preserva toda a sua identidade.

“Além de preservar os edifícios em si e renová-los, mantendo a identidade do Alto Minho, este projeto tem algo diferente que geralmente não acontece que é: já só restam sete habitantes e quatro já têm uma idade avançada e moraram lá a vida toda. Gostava de escrever um livro com as memórias destas senhoras”, partilha.
A ideia do jovem é contar a história do pequeno núcleo rural, através dessas memórias, para mantê-lo vivo. “No fundo, essas senhoras são as últimas guardiãs da história do que é a verdadeira vida rural em Portugal, porque já não existem muitos lugares como aquele. A maioria das pessoas mudou-se para cidades maiores e há muito poucas pessoas que vivem desta forma hoje em dia”, diz.
O fotógrafo refere que a maioria dos moradores tem entre 60 e 90 anos, com exceção de um casal mais novo, com cerca de 50. António já chegou a apresentar o projeto a uma das senhoras mais velhas, que reagiu a dizer que “seria bom ter mais vida e manter a identidade da região.”
“O objetivo depois de escrever o livro de memórias é doar ao Arquivo Municipal de Paredes de Coura, para a memória daquela localidade ser mantida”, sublinha.
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As obras, por sua vez, só deverão arrancar em setembro, dado que o turismo rural da família tem reservas confirmadas até agosto. Quando o projeto sair do papel, o objetivo é transformar uma das casas (um T5) num T7, enquanto a T2 vai ser convertida num T3. A terceira propriedade funciona como um refúgio para a família do jovem e vai ser mantida.
“Também queremos reformular o campo de jogos, porque a quinta possui um campo de futebol e o objetivo é transformá-lo multidesportivo”, refere. “Além disso, vamos fazer uma horta ecológica e anexos para ter animais de quinta.”
Todo o projeto vai ser partilhado na página de Instagram “Reconstruir Reirigo”, criada por António. No primeiro vídeo que partilhou para explicar o projeto, juntou quase 14 mil likes.
“Reirigo sempre foi quase como um pequeno paraíso para mim e a minha ideia é que, no futuro, os hóspedes consigam sentir essa paz que sempre senti aqui”, sublinha.
Quando tudo estiver pronto para receber visitantes, António, que também trabalha como ator, pretende organizar recriações históricas. O objetivo é dar aos visitantes a oportunidade de viverem num ambiente rural, ao mesmo tempo que aprendem sobre a história da região.
Leia também o artigo da NiT para conhecer melhor a história de António.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias do núcleo rural em Paredes de Coura.







