Na cidade

Aos 26 anos, tornaram-se caseiros numa herdade no Alentejo. Partilham tudo nas redes sociais

O casal português e os dois filhos mudaram-se para a propriedade no distrito de Évora em abril. Tem sido uma aventura.

Joana Miguens e José Reis cresceram habituados à vida no campo — ela é natural de Estremoz, e ele de Sobral do Campo, uma aldeia a cerca de 30 quilómetros de Castelo Branco. No entanto, quando cresceram, acabaram por ir viver num apartamento na cidade. 

Com o tempo, porém, o casal apercebeu-se de que sentia falta do contacto constante com o campo e decidiu procurar uma nova vida. Zé, como é conhecido nas redes sociais, tem 26 anos e já tinha trabalhado numa herdade na região quando descobriu que uma outra propriedade estava à procura de funcionários.

“O Zé já tinha tido uma experiência relacionada com o trabalho de campo e de caseiro. Fomos ambos criados no campo e sempre tivemos esta ligação à natureza”, conta à NiT Joana, de 27 anos. Na altura, a portuguesa dedicava-se à área da estética e não pensou duas vezes em aceitar o novo desafio.

Em abril, o casal trocou Estremoz por uma herdade na zona de Portel, distrito de Évora. Os proprietários do terreno estavam à procura de pessoas mais velhas — afinal, não é habitual verem jovens gostarem do trabalho no campo —, mas acabaram por se interessar pela história de Joana e Zé. 

“Já tinha tido uma experiência muito idêntica a esta em que estamos agora”, explica Zé. “O proprietário desta herdade, onde trabalhamos neste momento, conhece o da herdade onde trabalhei anteriormente. Portanto, quando entrei em contacto, fiz uma breve apresentação, expliquei qual era a minha experiência na área e foi desta forma que acabamos aqui”. 

Joana e Zé foram acompanhados dos dois filhos, o pequeno Guilherme, com cinco anos, e Benedita, com três, além do cão da família, Índio. O trabalho do casal na nova casa passa, sobretudo, pelo cuidado com a terra e também com os animais que ali vivem. A herdade conta com cerca de 300 hectares e, diariamente, o casal percorre o terreno para ter a certeza de que está tudo a funcionar. O controlo de espécies, por exemplo, é um trabalho diário. 

“Nunca temos uma rotina”, confessam. “Vão surgindo problemas todos os dias e situações para resolver. O nosso trabalho é muito à base de tratar da casa, da distribuição de alimentos, da verificação de vedações e dos pontos de água.”

Há também situações inesperadas que Joana e Zé têm de resolver. Já aconteceu, por exemplo, o gado do vizinho ter entrado por acidente na propriedade e terem de encontrar uma solução para devolvê-lo. São também os responsáveis por acompanhar o trabalho de outros profissionais que por vezes vão realizar trabalhos no terreno. 

“Há alguns trabalhos que são feitos por empresas exteriores, como o da cortiça e o da reparação das ruas. Nós coordenamos todos os trabalhos que existem dentro da herdade”, explicam. 

 
 
 
 
 
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Para Joana, que, ao contrário de Zé, nunca tinha tido uma experiência semelhante, a adaptação também aconteceu de forma natural. Afinal, teve sempre um contacto muito próximo com o campo e com a caça, uma atividade que faz também com frequência.

“Sempre tive muito contacto com o campo, o meu avô tinha as ovelhas e as galinhas, ou seja, tive este contacto com a natureza”, partilha. “Também sou caçadora, portanto, é muito natural estar aqui e é um gosto que tenho. Não foi uma adaptação difícil.”

Embora ambos tenham um interesse especial pela caça, um dos principais trabalhos do casal na herdade é conservar as espécies. “Não há qualquer tipo de comércio de caça, é tudo para uso dos proprietários”, explicam.

Por esta razão, o casal foca-se na preservação das espécies, com contacto constante com coelhos, lebres, perdizes, codornizes, patos, entre outras. “O coelho-bravo, por exemplo, é uma espécie que cada vez se vê menos e temos a sorte de ter cá muitos”, aponta Zé.

Para os filhos do casal, a experiência tem sido também especial. Diariamente, aproveitar a vida no campo e até ajudar os responsáveis ​​a alimentar os animais. “Para eles foi muito giro e diferente porque estavam habituados a viver num apartamento”, salienta Joana. “Eles gostam imenso desta questão de termos os animais, que às vezes passam em frente à carrinha.”

Benedita e Guilherme adoram a vida no campo.

Da vida no campo aos vídeos no Instagram

No final de junho, cerca de dois meses depois de se terem mudado para a propriedade, Joana e Zé criaram uma página no Instagram para partilhar o dia a dia. A “Ser do Campo”, como foi batizada, já reúne mais de 22,1 mil seguidores. 

“No final de junho, achámos que seria giro documentar a nossa vida aqui, por ser diferente”, aponta Joana. “Começámos a partilhar uns vídeos por aqui, do que é que fazíamos e dos animais que víamos. Não tínhamos a noção de que ia tomar estas dimensões.”

Joana e Zé começaram também a fazer a série “À conversa no campo”, em que respondem às perguntas dos seguidores sobre a vida no campo. Fizeram, inclusive, uma versão com os filhos. 

Quando a família tem algum tempo livre (o que é raro), aproveita para passear pelos arredores. Afinal, há vários dias que passam dia e noite apenas no interior da herdade. “O que vamos sempre fazer é, muitas vezes, sair daqui um bocadinho porque são 24 horas no mesmo sítio”, diz Zé. “Muitas pessoas que veem os nossos vídeos gostariam de viver esta realidade, mas não têm noção do trabalho que exige.”

Por outro lado, o que mais gostam desta vida é a liberdade “em todos os sentidos”, incluindo no trabalho diário e na parte de encontrarem soluções para os problemas que aparecem. “Há uma confiança por parte dos proprietários em permitirem que quem cá está faça as coisas seguindo a visão que tem”, afirmam. “É uma vida que nos dá capacidade de criatividade, de pensamento e de encontrar soluções.”

Carregue na galeria para ver algumas fotografias da vida da família na herdade no Alentejo. 

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