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Apesar da petição com 50 mil assinaturas, começou o transplante de 42 jacarandás em Lisboa

A autarquia iniciou os trabalhos para construir um estacionamento subterrâneo na Avenida 5 de Outubro.

Mesmo após uma petição pública contra o abate dos jacarandás na Avenida 5 de Outubro, que já reúne mais de 54 mil assinaturas, na maior petição alguma vez feita sobre o tema na capital, a Câmara Municipal de Lisboa mantém-se firme na decisão. Na Avenida 5 de Outubro, já começaram os trabalhos de transplante de 42 destas árvores cuja época ocorre no final de maio.

“Apesar de a autarquia garantir que está em causa um transplante’, a realidade é outra: árvores adultas raramente sobrevivem a este processo. E quando não sobrevivem, o resultado é simples: desaparecem”, afirmou Duarte Costa, co-presidente do VOLT Portugal, num vídeo onde mostra o início dos trabalhos, acrescentando que “estas árvores levaram décadas a crescer”.

Na altura, a autarquia revelou que, dos 75 jacarandás que existem no eixo em questão, 30 serão mantidos, 25, que “estão em mau estado”, serão abatidos e o os restantes 20 vão ser “transplantados para outras áreas verdes da freguesia, não reunindo, as restantes, condições para transplante”.

 
 
 
 
 
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A intervenção, sublinhou também a Câmara, será “necessária para a construção de um estacionamento subterrâneo na Avenida 5 de Outubro” com cerca de mil lugares. Fez-se ainda um acordo com o promotor do projeto, a Fidelidade Property, para existir um reforço de duas centenas destas árvores emblemáticas na cidade. A empresa comprometeu-se a plantar 39 novos jacarandás, já adquiridos e atualmente em viveiro, que deverão ser plantados em 2027.

“A Avenida 5 de Outubro vai fica mais verde e com mais árvores. A intervenção tem por objetivo construir o novo parque de estacionamento público de Entrecampos e, no final, será duplicado o número de árvores naquela zona, o que contrasta com o plano original para a zona, que previa que todas teriam que ser cortadas”, escreveu, na altura, na página dedicada às Intervenções no Arvoredo Municipal.

Na petição, menciona-se que estas árvores são um elemento natural, fundamental em Lisboa: “Numa cidade cada vez mais quente, refrescam as ruas fustigadas pelo calor refletivo pelo chão, chapas de obras e prédios, contribuem para a substituição de CO2 por O2 e filtram do ar pós e a fuligem da grande afluência de trânsito”.

Além de todos os benefícios que a presença das árvores traz à cidade, os jaracandás são também um “símbolo de Lisboa”. “Não nos podemos esquecer de como marcam a passagem das estações num lugar em que o tempo aprece fugir de nós deixando-nos reféns de um constante e infinito agora, de como nos espantamos e comovemos com os pequenos espetáculos que a natureza nos oferece”, lê-se no documento.

A Câmara Municipal de Lisboa esclareceu entretanto que os 42 jacarandás referidos estão a ser transplantados — e não abatidos — para outros espaços verdes da cidade, onde serão replantados.

Aproveite e leia o artigo sobre a curiosa história dos jacarandás, as árvores que pintam Lisboa de roxo todas as primaveras.

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