Na cidade

As algas vieram para ficar em Portugal: “Ainda vão aparecer mais durante o verão”

O Algarve será a zona mais afetada, já que as condições estarão favoráveis para o seu crescimento. O cheiro é o pior.
As notícias não são as melhores.

A notícia não é boa para quem vai agora de férias — em especial para o Algarve. Parece que as algas que no mês passado invadiram as praias vieram para ficar. “A presença de algas ainda vai aumentar, sobretudo durante o verão”, alerta João Silva, investigador do Centro de Ciências do Mar (CCMAR). E pode até repetir-se outra grande invasão, como a que ocorreu em junho.

Apesar de não ser ainda certo “de onde vêm estas algas”, o especialista explicou à CNN Portugal que se sabe que “estão nas redondezas do País há muito tempo”. Agora, porém, tudo indica que as condições estarão mais favoráveis para o seu crescimento. 

O Algarve será a zona em que poderão ser mais facilmente encontradas. Até agora, a espécie invasora entre Albufeira e Faro é a vermelha e nativa das águas da Austrália e da Nova Zelândia — mas podem variar consoante a região. Por exemplo, ao longo da costa rochosa do Barlavento, as acumulações foram causadas por uma alga castanha originária dos mares do Japão e da Coreia.

O fenómeno não é estranho e até é cada vez mais frequente. Este problema já tem pelo menos duas décadas. “Há 20 anos este problema começou no sul de França e no Mediterrâneo”, explica o investigador. “Com o aquecimento das águas, o norte de África e Gibraltar ficaram cobertos e agora em Portugal a situação repete-se.”

João Silva acrescenta que é preciso criar “um sistema de alerta” para tentar controlar estas algas que teimam em invadir as praias portuguesas, em especial o Algarve. A invasão deve-se, geralmente, às correntes e marés, e podem ser trazidas pelas tranches dos barcos. Segundo investigador, “a presença vai continuar a aumentar”, não sendo “um problema com resolução por si só”. Mas não se preocupe. As algas não constituem um problema direto na saúde pública.

Ainda assim, deve estar preparado para um certo cheiro algo desagradável, já que a decomposição nas praias pode libertar gás sulfídrico, que emite um forte odor semelhante ao de ovos podres. De qualquer das formas, os especialistas aconselham os banhistas a estarem atentos às irregularidades que possam existir, evitando entrar numa água com demasiadas algas.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT