Na cidade

As cascatas, miradouros, baloiços, moinhos e passadiços que fazem de Mação um oásis

Por perto há praias fluviais, gravuras rupestres, tudo mais fácil de descobrir graças ao esforço de uma nova associação, que investiu em criar rotas.
O Poço das Talhas/Queixoperra.

É uma zona rica em natureza, património, história, paleontologia e arqueologia. Em Mação, no distrito de Santarém, há cascatas, praias fluviais, fósseis, moinhos, miradouros com vistas arrebatadoras. Mas, nos últimos anos, o concelho surge nas noticias normalmente associado a incêndios, com destaque para o trágico ano de 2017 em que uma vasta parte do concelho ardeu.

Eis que um grupo de cidadãos locais decidiu dar o basta às notícias e tendências mais negativas. E em menos de um ano já colocou Mação no mapa dos roteiros mais incríveis e instagramáveis do País.

A Associação Rotas de Mação nasceu da vontade de um grupo de pessoas ligadas de alguma forma ao concelho de Mação (naturais ou com ligação afetiva àquele território) com o objetivo não apenas de divulgar as belezas naturais dos seus 400 quilómetros quadrados mas também todo o seu património cultural, etnográfico, arqueológico e gastronómico. O projeto nasceu na sequência de um evento de geocaching realizado em 2018 que reuniu em Ortiga várias dezenas de participantes oriundos de diferentes lugares do País.

Leonel Mourato e Jorge Lemos, os dois mentores e principais dinamizadores do projeto, foram-se juntando aos poucos a várias pessoas. Todas com um objetivo comum: “igualmente empenhadas em mostrar ao mundo que Mação é muito mais do que a terra que está sempre a arder”, explica à NiT Berta Lopes, uma das voluntárias.

Com apenas um trilho pedestre em todo o concelho na altura em que a associação se formou, a decisão de avançar com novos percursos foi a “escolha natural” para o arranque do projeto. Começaram assim os trabalhos de campo, que acabaram depois por envolver não só as juntas de freguesia como também várias associações locais.

O Miradouro do Bando.

Segundo adianta Berta, “embora já existissem vários pontos de interesse espalhados por todo o território, nomeadamente o Pego da Rainha, as gravuras rupestres do Ocreza, a Anta da Foz do Rio Frio, o Poço Mourão ou o Poço das Talhas, não havia até então qualquer rota ou sinalética que conduzisse os visitantes até aos referidos sítios”. Daí a decisão da criação de, não uma, mas 14 pequenas rotas, que levassem os visitantes a todos estes pontos — e mais alguns.

A Associação Rotas de Mação nasceu oficialmente no segundo semestre do ano passado e tal como as restantes associações do concelho, também as Rotas de Mação são financiadas pelo Município de Mação, embora assumam a intenção de recorrer a várias outras fontes de financiamento. Entre elas, refere a voluntária, estão por exemplo fundos do próximo quadro comunitário e receitas próprias decorrentes da organização de eventos de geocaching, BTT, caminhadas, desportos de aventura, entre outros.

Além das cinco novas rotas das 14 a que se propôs criar, a associação começa por destacar, como novos pontos de interesse e de visita, os quase finalizados novos passadiços de Ortiga, com inauguração prevista para junho. Trata-se de uma obra da Câmara Municipal de Mação na Rota das Pesqueiras e das Lagoas do Tejo e que ficará ligada à Rota do Rio Tejo assim como à PR4, na rede das Rotas de Mação — esta já homologada pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal. No total, serão cerca de 1300 metros de passadiços junto à Barragem de Belver/Ortiga.

Sem ser esta PR4 Rota da Ortiga Sul que o levará aos passadiços, há então quatro novos trilhos já homologados pela federação que já pode descobrir. Um é a Rota do Cabeço da Cruz, que inclui passagem pela vila de Mação.

Outro é a Rota do Brejo e Bando dos Santos — com um “baloiço espetacular sobre as primeiras serranias da Beira Baixa (até à Serra da Estrela) e sobre os primeiros campos do Alto Alentejo”. Segue-se a Rota do Carvoeiro, cujo ex-líbris é a sua famosa praia fluvial, de bandeira azul e qualidade de ouro da Quercus há mais de uma década; e ainda a Rota da Ortiga e a da Queixoperra.

O baloiço.

É nesta última, a Rota da Queixoperra, que pode descobrir o Poço das Talhas, um local ou segredo de Portugal que, se não conhece. tem mesmo de visitar. Trata-se de um geossítio nas margens da Ribeira do Rio Frio onde foram recuperadas duas antigas azenhas e foi instalado um pequeno museu rural dedicado ao ciclo do milho — vai ser inaugurado este sábado, 29 de maio.

É sobretudo este Poço das Talhas, nos arredores da aldeia de Queixoperra, que já começou a atrair mais interesse e visitantes. Isto porque se trata de uma zona completamente isolada, encravada entre os contrafortes da Ribeira do Rio Frio, onde este “pequeno grupo de gente de boa vontade” recuperou duas antigas azenhas e criou um pequeno museu dedicado ao ciclo do milho.

“Falo de instalações com o mínimo de intervenção humana, respeitando a história daquele lugar e os saberes ancestrais dos antepassados locais, sem artefactos ‘modernos’, as azenhas voltaram a moer cereais tal como há 150 anos.” Juntam-se ainda as pequenas cascatas, um dos grandes atrativos do concelho.

Todos estes percursos, os já homologados e os que estão neste momento a aguardar a aprovação da federação, podem ser consultados online, para que seja mais fácil planear a sua visita a Mação.

Em breve, a associação já tem um novo sonho e objetivo: colocar um comboio turístico a vapor a circular na linha da Beira Baixa, entre o Entroncamento e Vila Velha de Ródão.

A Azenha Poço das Talhas.

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