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Edifícios abandonados: as imagens impressionantes do Aquaparque no Restelo

A paisagem já não está assim — a câmara está a transformar o local num jardim.

“Não há hipótese nenhuma de haver ali problemas, naquelas redes, nas caixas por onde passa a água?”

A pergunta foi feita por uma repórter da SIC, que após o desaparecimento de uma menina de nove anos se deslocou para o local para fazer uma reportagem. A resposta de Vítor Matias, administrador do Aquaparque do Restelo, foi perentória: “Hipótese nenhuma. Isto já é, salvo erro, o quarto verão que [o parque aquático] funciona. Sempre houve as caixas e as redes, têm que existir.

27 de julho de 1993. Cristina Caldas, uma menina de nove anos, desaparece sem deixar rasto no Aquaparque do Restelo. Fala-se em rapto, distribuem-se panfletos com o rosto da criança. Dois dias depois, Frederico Duarte também é dado como desaparecido. Tal como Cristina, tinha nove anos e foi visto pela última vez no parque aquático.

A hipótese de rapto voltou a estar em cima da mesa. Em entrevista à SIC, o pai de Frederico Duarte revelou emocionado: “Disseram que é praticamente impossível o meu filho lá estar [no Aquaparque].” Ainda assim, decidiram finalmente esvaziar as piscinas. A 29 de julho, foram encontrados corpos das duas crianças. Tinham ficado presos nas tubagens, que tinham apenas 27 centímetros de diâmetro.

Mais do que um parque abandonado, o Aquaparque continuava a ser o retrato de uma tragédia.

O Aquaparque nunca mais abriu. Nos anos seguintes, as famílias de Cristina Caldas e Frederico Duarte debateram-se nos tribunais para que fosse feita justiça. A administração do parque aquático foi acusada de homicídio por negligência, mas o processo acabou por prescrever.

Continuou a batalha contra o Estado, que garantia que a culpa era toda do Aquaparque e que não havia qualquer relação entre a morte das crianças e a ausência de legislação específica para os parques aquáticos. Quatro anos depois da tragédia, a lei mudou. Nove anos passados, as famílias das vítimas chegaram a acordo com o Ministério da Justiça e receberam um montante não divulgado.

Enquanto as guerras se faziam nos tribunais, o Aquaparque do Restelo ficou esquecido. A vegetação começou a invadir as piscinas e os edifícios, a tinta começou a estalar, os graffiters entraram por ali a dentro e fizeram questão de deixar a sua marca. Não era difícil: apesar da vedação em volta dos nove hectares de terreno, era possível entrar facilmente na propriedade.

No verão de 2014, Miguel Dias, administrador do site Evasão, esteve no Aquaparque a fotografar o que restava do parque aquático. As imagens impressionantes, cedidas agora à NiT, são quase perturbadoras. Mais do que um parque abandonado, o Aquaparque continuava a ser o retrato de uma tragédia.

Continuava. A 16 de maio, a Câmara Municipal de Lisboa anunciou que o antigo Aquaparque — ou a Quinta de Santo António, como era anteriormente conhecido o local —, iria reabrir como um jardim. As demolições já começaram — foram destruídas todas as construções de grande e média dimensão —, assim como as plantações. O projeto deverá estar concluído em 2017.

Carregue na imagem para ver as imagens do antigo Aquaparque do Restelo.

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