Na cidade

Associação pede redução do número de visitantes da ponte e dos Passadiços do Paiva

A nova ponte 516, que será a maior com as suas características em todo o mundo, já é um caso de sucesso. A SOS Rio Paiva está preocupada.
É vertiginosa.

Foi anunciada com festa, fez notícia imediata em Portugal e até em vários pontos do mundo, mas nem tudo será tão simples. A associação SOS Rio Paiva assumiu-se este sábado preocupada com o aumento da pressão turística e com a poluição no rio, na sequência da inauguração da ponte suspensa de Arouca, e pediu que se limite o número de visitantes.

Segundo a Lusa, citada pela “Renascença“, a associação não-governamental admite que a nova ponte 516 Arouca é “um equipamento de relevo, capaz de projetar o concelho de Arouca e o rio Paiva em todo o mundo e atrair muitos milhares de turistas à região”; mas destaca que devem ser tidos em conta o aumento da “pressão humana” nesta zona e a poluição.

A SOS Rio Paiva pede mesmo às autoridades que imponham restrições no acesso à ponte suspensa, construída na Garganta do Paiva, em Arouca, e aos Passadiços do Paiva, para preservar esta área protegida e “para que não se repitam os graves problemas que surgiram após a abertura dos Passadiços do Paiva, em 2015, devido ao excessivo fluxo de turistas”.

A associação pede “uma redução do número máximo de acesso de pessoas aos equipamentos construídos, para minimizar a pressão no rio e melhorar a experiência de quem procura um turismo de natureza sustentável”. O grupo ambiental lembra ainda que o verão de 2020 já “foi dos mais negros no que diz respeito à poluição do Rio Paiva”, devido às descargas poluentes com origem nos concelhos a montante.

A 516 Arouca foi inaugurada no passado fim de semana e anunciada como sendo a maior ponte pedonal suspensa do mundo, com características distintas, tal como a paisagem única que a envolve, que até já levaram à sua menção em órgãos de comunicação internacionais como o “The Guardian” ou a “BBC”.

Tal como o próprio nome indica, tem um comprimento de 516 metros e está suspensa a 175 metros acima do rio Paiva. As obras arrancaram em 2018 mas todo o projeto vinha a ser pensado há dois anos, pelo que foi nessa altura que os responsáveis perceberam que seria a maior do mundo dentro do seu estilo — a anterior ficava na Suíça e foi inaugurada em 2017 — e, portanto, divulgaram essa informação, tal como é visível no site oficial.

Esta semana, a autarquia de Arouca endereçou as dúvidas levantadas por muitos internautas, de que a 516 não seria, afinal, a maior, explicando que já depois do avanço da obra “sem que tenha sido publicitada —  e ainda hoje exista muito pouca literatura sobre esse facto —  foi inaugurada, em julho de 2020, uma estrutura no Nepal, mais comprida do que a de Arouca, mas totalmente diferente no que respeita à sua dimensão e todas as outras características”, até porque se trata de “uma ponte de travessia rural, dimensionada para cargas muito reduzidas, e sobre a qual existe pouca evidência científica e mediática”.

O verão de 2020 era, aliás, a altura inicialmente pensada para a abertura da ponte de Arouca. No entanto, os constrangimentos provocados pela pandemia não permitiram que isso fosse possível, tendo sido inaugurada apenas no último domingo, 2 de maio.

O convite da Câmara Municipal de Arouca continua a ser para ir lá “testemunhar um verdadeiro prodígio da engenharia e deslumbrar-se com uma paisagem inserida num Geoparque Mundial da UNESCO”.

Saiba como pode visitar e reservar a ponte — e os Passadiços do Paiva, ali ao lado — no artigo da NiT. 

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