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Atenção, aventureiros: Mação inaugurou uns inacreditáveis passadiços junto ao Tejo

A beleza ímpar do percurso, que tem 1,2 quilómetros de extensão, vai fazer com que queira voltar uma e outra vez.
Fotografia: Município de Mação.

Mação não costuma aparecer nas notícias pelos melhores motivos. Apesar da enorme riqueza em termos de natureza, património, história, paleontologia e arqueologia, o concelho no distrito de Santarém surge, normalmente, associado a incêndios. O ano de 2017, quando grande parte do município ardeu, foi particularmente trágico, e reduziu a um papel ainda mais secundário as cascatas, praias fluviais, fósseis, moinhos e miradouros com vistas arrebatadoras que fazem deste destino um dos mais belos do País.

Para contrariar esta tendência negativa e colocar no centro das atenções o que a região tem de melhor para oferecer, nasceu em 2018 a Associação Rotas de Mação. Mais do que divulgar as belezas naturais dos seus 400 quilómetros quadrados, o projeto queria apresentar o capital cultural, etnográfico e gastronómico.

Em menos de um ano, o grupo formado por pessoas naturais ou com ligação afetiva ao território colocou o concelho no mapa dos roteiros mais incríveis e instagramáveis de Portugal, mostrando ao mundo que “é muito mais do que a terra que está sempre a arder”, contou Berta Lopes, uma das voluntárias, à NiT.

Para isso colocaram mãos à obra e, com o apoio das juntas de freguesia e de várias associações locais que não quiseram ficar de fora da iniciativa, criaram 14 pequenas rotas, uma oferta muito mais vasta do que aquela que se verificava antes de iniciarem os trabalhos. Em todo o concelho, apenas havia um trilho pedestre. Com os novos percursos, os pontos de interesse que já existiam espalhados pelo território, como o Pego da Rainha, as gravuras rupestres do Ocreza, a Anta da Foz do Rio Frio, o Poço Mourão ou o Poço das Talhas, ficaram mais acessíveis, explicou Berta.

À época, a associação também destacou, como novos pontos de interesse e de visita, os passadiços de Ortiga. Estes inauguraram na sexta-feira, 25 de fevereiro. O percurso acompanha a margem direita do rio com a promessa de um “estreito contacto com a natureza”, “paisagens deslumbrantes” e acesso a vários lugares ligados à comunidade ribeirinha de Ortiga, como as antigas pesqueiras do Tejo, indicou a autarquia de Mação em comunicado citado pelo “Público”.

Fotografia: Município de Mação.

Entre passadiços e caminhos de terra, o trilho liga o bairro dos pescadores da freguesia, junto à praia fluvial e do parque de campismo, ao “morro da Boavista”, próximo dos meandros do Tejo.

Para percorrer, há 1,2 quilómetros mas, pelo caminho, “o visitante é convidado a descansar e a apreciar a paisagem em alguns miradouros”. Detalhes sobre os lugares pelos quais passa são dados a conhecer através dos diferentes leitores de paisagem e painéis informativos que completam o passeio.

Explorar algumas das tradicionais pesqueiras e lagoas existentes através dos percursos alternativos devidamente sinalizados, assistir à “reconstituição de uma atividade piscatória típica da região com tarrafa [um tipo de rede de pesca]”, perto da pesqueira de Rabo Longo, através de uma experiência de realidade aumentada disponível na aplicação móvel do Museu de Mação, é, igualmente, possível.

Já que aqui está, sugerem que estenda o passeio à localidade de Ortigo, a cerca de um quilómetro de distância, e visite o núcleo museológico que integra uma coleção de peças ligadas à atividade piscatória e à comunidade ribeirinha, “perpetuando as suas vivências e tradições”, com o barco picareto “a assumir o lugar de destaque”.

“Devolver este lugar à região e às pessoas, para que possam confortavelmente percorrê-lo e conhecer a sua história e tradições, preservando ao máximo o local tal como existia antes desta intervenção”, foi sempre o objetivo da autarquia.

Fotografia: Município de Mação.

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