Na cidade

Candidatura do Carnaval de Torres Vedras a património da UNESCO vai avançar

Num ano em que, tudo indica, não haverá Carnaval, a festa de Torres ganha força na sua luta pelo reconhecimento.
Em 2019 foi assim.

Como se não bastasse a crise sanitária e económica sem precedentes que a pandemia do novo coronavírus trouxe, também a grande maioria das tradições, festejos e até datas que sempre tomamos como certas foram simplesmente canceladas em 2020 — e 2021 não dá, para já, qualquer sinal de melhorias em nenhum dos campos.

Com um novo confinamento à vista e a situação da subida de casos a precisar, já o avisaram especialistas, de várias semanas para estabilizar, é quase certo e garantido que em 2021 não há Carnaval em Portugal, como o conhecemos — em teoria, a data deverá até estar abrangida ainda por um estado de emergência, para evitar ajuntamentos.

Apesar das más notícias, há boas: um dos carnavais mais icónicos do País — e da Europa —, o de Torres Vedras, viu a sua inscrição a Património Nacional Imaterial entrar em consulta pública, de acordo com o anúncio da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) publicado esta quarta-feira, 13 de janeiro, em Diário da República.

Segundo a Lusa, citada pela “Visão“, este evento é único em Portugal: em 2019, por exemplo, teve um orçamento de 800 mil euros, recebe normalmente cerca de meio milhão de visitantes durante seis dias e gera receitas de 10 milhões de euros na economia local.

Em 2016, a Câmara de Torres Vedras, no distrito de Lisboa, entregou à DGPC o dossier de candidatura do seu Carnaval a Património Nacional Imaterial, o primeiro passo para vir a ser reconhecido como Património Mundial da UNESCO. O município pretende “valorizar o Carnaval e garantir a salvaguarda do património a ele associado” ao candidatar as festividades de Torres Vedras ao registo e à classificação de Património Nacional Imaterial, afirmou na ocasião à agência Lusa a vereadora da Cultura, Ana Umbelino.

Segundo a autarca, este é o primeiro passo para um “futuro reconhecimento mundial pela UNESCO”, através de uma candidatura do país que o município ambiciona. “É uma manifestação cultural que envolve a comunidade e que está inscrita na identidade local, passando, de geração em geração, rituais” que estão enraizados, referiu, sublinhando que o Carnaval de Torres é o “mais português de Portugal”.

São características das celebrações a chegada e entronização dos reis, o julgamento e enterro do Carnaval e as matrafonas (homens com roupas e acessórios habitualmente usados por mulheres). De acordo com o município, o Carnaval insere-se nas tradições do Entrudo português, cujas raízes remontam às festas pagãs relacionadas com as festas de inverno e os cultos de fertilidade e da abundância no início da primavera, incluídos pelo Cristianismo no calendário litúrgico.

Considerada uma festividade urbana, o Carnaval de Torres Vedras remonta a 1930, quando uma elite local republicana e um grupo social comercial/industrial emergente começou a organizar o primeiro corso, com carros alegóricos, batalhas de flores e inspiração nos modelos carnavalescos franceses e italianos. Contudo, dadas as características também rurais do concelho, apresenta em simultâneo algumas reminiscências do Entrudo rural, como o enterro do Entrudo na Quarta-feira de Cinzas, o cortejo fúnebre e o julgamento, condenação e queima do rei.

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