Na cidade

Este ano, os Caretos de Podence vão “queimar” o coronavírus

Não há correrias pelas ruas nem celebrações populares, mas o Carnaval mais genuíno de Portugal acontece, noutros moldes.
Eles têm uma nova missão.

Em 2021, não há celebrações de Carnaval nem correrias pelas ruas da aldeia do Nordeste Transmontano. Mas os históricos Caretos de Podence vão vão assinalar na mesma o Entrudo Chocalheiro: a partir das suas varandas e com ordem para “queimar” simbolicamente o coronavírus, o causador da pandemia.

Por causa da atual situação, aquele que é considerado “o mais genuíno Carnaval” de Portugal — e que foi mesmo elevado, em dezembro de 2019, a Património Imaterial da Humanidade —, não vai este ano sair à rua. No entanto, avança a Lusa, entre 14 e 16 de fevereiro os tradicionais mascarados vão fazer a festa ainda que em moldes diferentes.

As expetativas do presidente da Associação dos Caretos de Podence, António Carneiro, de que as restrições sanitárias fossem menores, não se concretizaram, mas, mesmo sem as enchentes de outros carnavais e confinada em casa, a aldeia do concelho de Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança, vai assinalar a data. O Entrudo Chocalheiro de 2021 vai ser com os “caretos à varanda em casa dos portugueses” no “Domingo Gordo”, dia 14, a partir das 16 horas.

“As varandas da aldeia de Podence estarão com os seus trajes engalanados e também os Caretos a saltitar, num ato simbólico de assinalar uma tradição ancestral de Portugal e do Mundo”, revelou a associação, citada pela agência Lusa.

A festa irá chegar a casa dos portugueses através dos órgãos de comunicação social, com transmissões em direto da “folia e alegria destas figuras enigmáticas de Trás-os-Montes”.

No dia seguinte, segunda-feira, aos Caretos de Podence juntam-se manifestações culturais de carnaval e mascaradas de outras zonas do mundo, como Bélgica, Grécia, França, Colômbia, Brasil e Espanha, numa sessão online, um webinar.

No dia de Carnaval, terça-feira, a partir das 17h30, os Caretos continuam à janela e vão participar na cerimónia “Sentir Portugal” junto a um mural ilustrado para homenagear o presidente da República que, há pouco mais de um ano, participou no primeiro Entrudo Chocalheiro depois da elevação a Património da Humanidade.

O dia de Carnaval termina com a queima do Entrudo, que simboliza “queimar o que é de mau” e que desta vez servirá para queimar o causador dos males deste ano atípico, o coronavírus.

As cerimónias previstas serão realizadas com a ausência de público e o apelo é para que os amantes destes rituais fiquem em casa a acompanhar aos Caretos de Podence.

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