Na cidade

Castelo de Leiria reabre no sábado — depois da maior intervenção dos últimos 50 anos

Estava fechado desde 2019, mas volta completamente renovado, com novo anfiteatro e o interior visitável.

Foi D. Afonso Henriques, o primeiro Rei de Portugal — na altura ainda Príncipe —, quem mandou construir o Castelo de Leiria, em 1135. Cinco anos depois, o Castelo viria a ser reconquistado pelos muçulmanos, voltando para a mão dos cristãos em 1142, no início de uma série de lutas e reconquistas que marcaram a sua história.

D. Dinis foi o monarca que por lá passou mais tempo — e foi quem, em 1325, mandou edificar a Torre de Menagem, agora um núcleo museológico. Segundo a Câmara de Leiria, pensa-se que a Igreja de Nossa Senhora da Pena e os Paços Episcopais tenham também sido construídos por ordem de D. Dinis mas certo é que este foi o rei que mais tempo terá estado em Leiria, juntamente com a sua esposa, a Rainha Santa Isabel, sendo graças a eles que nasceram inúmeras das histórias e lendas da região.

Desde junho de 2019 que o histórico Castelo de Leiria esteve fechado para obras profundas, as maiores dos últimos 50 anos, numa intervenção com um valor superior a quatro milhões de euros. E a partir deste sábado, 22 de maio, volta a estar aberto, totalmente renovado, pretendendo ser um novo “trunfo para a retoma económica da região pós-pandemia”.

Segundo fonte da autarquia à NiT, a verba de quatro milhões contemplou a instalação de dois ascensores ao monumento, a cobertura da Igreja da Pena, que estava sem telhado há mais de um século, a colocação de vãos, arranjos no adro e no acesso à torre sineira, as cisternas, consideradas um importante arqueossítio, tornando visitável o interior.

Ao nível do exterior, o castelo ganhou um anfiteatro em pedra, para eventos ao ar livre e com capacidade para 200 pessoas, os caminhos foram nivelados e colocada calçada, e as áreas de repouso também foram objeto de intervenção. Foi criada uma cafetaria e foram definidos percursos de forma a facilitar a circulação dentro do monumento. Até ao nível da flora há alterações, com a introdução de espécies vegetais autóctones.

Nos próximos dois anos, a autarquia vai continuar a investir neste monumento nacional, o que fará o valor ascender a seis milhões de euros, tornando-se um dos maiores investimentos na área da cultura e do património em Portugal.

Com este conjunto de obras, a Câmara explica ter um objetivo simples: pretende “tornar o castelo mais acessível e inclusivo, promovendo, em simultâneo, a preservação do monumento e a criação de novas funcionalidades”.

Há também uma vertente histórica e arqueológica: a intervenção no Castelo de Leiria foi aproveitada para a realização de novos estudos sobre a ocupação do morro por várias populações, ao longo dos tempos.

Finalmente, a obra teve ainda preocupações de valorização do património e de mudança de paradigma das visitas, com aposta nas acessibilidades, mas também no conforto para “vivenciar o espaço” em termos culturais e artísticos.

A reabertura oficial acontece este sábado, dia 22 de maio, pelas 9 horas. Estão marcadas performances pela escola de Dança Clara Leão e o Concerto Decateto de Metais de Leiria, pela Associação de Filarmónicas do Concelho de Leiria – AFCL, às 17h30, no Anfiteatro do Castelo.  

De seguida, carregue na galeria para espreitar como está o renovado Castelo de Leiria.

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