Na cidade

Cátia acampa desde que se lembra. Agora ajuda outras pessoas a fazer o mesmo

A portuguesa usa o Instagram para partilhar dicas essenciais para quem quer dormir numa tenda, mesmo no meio da natureza.

Cátia Barriguinha não sabe quantos anos tinha quando acampou pela primeira vez, mas tem a experiência guardada na mente como uma das primeiras grandes memórias da infância. Uma coisa é certa: desde muito cedo que se habituou a acompanhar os avós, Maria do Carmo e José, e os pais, Fernando e Vanda, em aventuras pelo País.

“Está na minha vida desde sempre, porque desde que me lembro de ser gente, que sempre acampei”, começa por contar à NiT a técnica de informática, de 33 anos. “Houve uma altura em que os meus avós passaram para uma caravana, portanto também fiz caravanismo com eles. As férias de verão eram passadas no campismo.”

Desde muito nova que recorda o convívio com os familiares e outros campistas, o contacto com a natureza, as tendas e tudo o que aprendia durante estas experiências. A avó, por exemplo, ensinou-a a cozinhar; do avô herdou a socialização e o bom humor.

“Há cerca de 20 anos eram tendas mais ‘rudimentares’. Lembro-me dos fogareiros que participávamos, da comunidade juntar-se para as refeições e este sentimento de partilha. Isso apaixonou-me muito”, acrescenta.

Nos últimos anos, Cátia habituou-se a partir em aventuras sozinhas e começou a perceber que várias pessoas partilhavam essa vontade, mas não sabiam dar os primeiros passos. Por isso, no final de agosto, criou a página “Tenda da Cátia”, precisamente para partilhar dicas dentro deste universo. Até ao momento, conseguiu reunir mais de 3,6 mil seguidores.

“Comecei a publicar alguns vídeos só por brincadeira e para também tentar levar o meu amor pelo campismo às pessoas”, recorda. “Está a crescer de uma forma que não estava à espera, mas está a ser muito gratificante.”

A ideia de começar a ajudar desconhecidos surgiu quando foi acampar com um grupo de amigas e começou a pesquisar conteúdos de campismo na Internet. “A única coisa que encontrava era conteúdo nos Estados Unidos e no Brasil. Cá, em Portugal, o mais comum é encontrar conteúdo de caravanismo e pensei que seria uma boa ideia iniciar alguma coisa sobre o campismo.”

 
 
 
 
 
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Até à data, Cátia já partilhou publicações com reviews de parques de campismo, ideias de refeições, como escolher o saco de cama, os equipamentos que não podem faltar, os 10 erros mais comuns, entre vários outros.

“Tenho recebido muitas mensagens, algumas delas para pedir dicas”, aponta. “Muitas pessoas perguntam sobre o feedback dos parques de campismo, que é um dos temas que também tenho tentado abordar ao máximo na página.”

Cátia, que é natural de Leiria, conta-nos que começou a acampar sozinha aos 27 anos. Até aos 19, ainda acompanhava os pais nas aventuras, mas com o avançar da idade, deixaram de fazê-lo com tanta frequência.

“Depois, fui para a faculdade e entrei na rotina”, recorda. “Às vezes, no verão, ainda ia com os meus amigos acampar. Mas só comecei a ir sozinha aos 27 anos.”

No último ano, começou a fazê-lo com mais periodicidade, sobretudo no verão e na primavera. Mas agora, com o novo projeto, também se tem aventurado em dias mais frios.

“Tenho tentado fazer campismo pelo menos uma vez por mês, para criar conteúdos e também para me libertar a mim própria, porque me faz mais bem do que outra coisa”, refere à NiT.

Por norma, a autora opta sempre por parques de campismo, para os quais leva apenas essencial: uma tenda, um colchão, um saco-cama adequado às temperaturas, comida e um fogareiro. Desde que começou a partir em aventuras a solo, o mais desafiante tem sido aprender a montar todo o equipamento sem o apoio dos pais.

“Agora tenho escolhido tendas que sejam de fácil montagem a uma pessoa só. Porque há tendas muito fixas, mas para fazer a montagem, é aconselhável que sejam pelo menos duas pessoas, porque com uma pessoa é praticamente impossível”, sublinha. 

Cátia tem também tentando desmistificar um conceito bastante comum nesta área: a comida. “As pessoas, por vezes, pensam que no campismo só se comem sandes e atum, mas estão completamente errados”, frisa. “É necessário fazer um bom planeamento. Eu planeio logo as minhas refeições para os dias todos e levo a comida de acordo com isso.”

A campista acrescenta que consegue fazer tudo, incluindo carne e peixe assado, no fogareiro ou até nas churrasqueiras dos parques de campismo onde pernoita. “Dá até para fazer sopa se as pessoas levarem os ingredientes e a varinha mágica.”

A médio prazo, Cátia Barriguinha pretende alargar os horizontes. Um dos maiores sonhos é levar a tenda até aos Alpes suíços.

“As paisagens falam por si. Acho que deve ser uma sensação espetacular acordar de manhã, abrir a tenda e ver a grandiosidade que é a natureza e a parte da montanha ali nos Alpes.”

Carregue na galeria para conhecer algumas das aventuras de Cátia pelos parques de campismos nacionais.

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