Na cidade

Cegonha Branca: primeiro navio elétrico da Transtejo faz viagem inaugural

A embarcação irá começar a fazer rotas experimentais com passageiros. Renovação da frota implicou um investimento de 70 milhões.
Vêm dos estaleiros espanhóis Gondán

Os dez navios elétricos adquiridos no âmbito da renovação da frota da Transtejo deviam ter começado a navegar em 2022. A novidade foi anunciada em maio desse ano, altura em foram divulgadas imagens das embarcações. Contudo, após várias complicações, só vão começar a fazer a ligação entre Lisboa e a margem sul do rio Tejo a partir do segundo semestre de 2024.

Apesar dos atrasos, a viagem inaugural da primeira embarcação aconteceu esta terça-feira, 28 de novembro. O famoso Cegonha-Branca fez a ligação entre o Seixal e Lisboa e deve receber os primeiros passageiros a bordo na próxima semana. No entanto, são apenas trajetos experimentais.

“Vivemos numa área metropolitana que é uma espécie de grande cidade com duas margens. O que se quer é que se possam aproximar e que não haja uma distância entre a margem certa, que é a esquerda, e a margem direita”, explicou António Costa à SIC, após a primeira viagem.

Em 2022, o plano da empresa passava por receber quatro embarcações elétricas, mas apenas uma foi entregue. Atualmente, uma segunda já está em testes e, sabe-se agora, as restantes três só devem chegar a Portugal no final deste ano, caso o processo não sofra mais perturbações. O terceiro vai ser lançado à água a 4 de maio e o quarto será testado até ao final de setembro de 2024.

Um rio de problemas

O primeiro navio elétrico da Transtejo chegou a Lisboa em março de 2023, acompanhado de polémica. Além de atrasado, o primeiro elemento da frota veio com danos no casco e teve de ser reparado. Segundo fonte oficial da empresa, os danos sofridos terão ocorrido durante a viagem, devido às más condições de transporte.

Sem especificar a gravidade dos estragos, a Transtejo adiantou logo que a responsabilidade de avaliação de danos e da sua reparação pertence aos Astilleros Gondán, o fabricante espanhol que fretou o transporte.

Batizado de Cegonha-Branca, em homenagem à ave autóctone característica do estuário do Tejo, a embarcação abre espaço para os restantes nove barcos ainda por entregar. Os nomes escolhidos para os restantes elementos da frota devem seguir a mesma lógica.

As controvérsias não ficam por aqui. Outro tema que gerou debate foi a aquisição de nove baterias, no valor de 15,5 milhões de euros, um contrato adicional ao que já tinha sido assinado pelo Tribunal de Contas (TdC), correspondente a 52,4 milhões. No entanto, só um deles é que tinha a bateria para a realização de testes. O tribunal acabou por chumbar a sua compra a 19 de março.

Inicialmente, estava previsto um investimento global de 57 milhões de euros e gastos de aproximadamente 33 milhões de euros na manutenção. Os números correspondiam a um período entre 2020 e 2035. Com a alteração dos valores, o Plano de Renovação da Frota da Transtejo atinge um máximo de 70 milhões de euros de investimento nos navios e aproximadamente 29 milhões de euros para a manutenção até 2036.

A Transtejo é a linha que assegura as ligações fluviais entre Lisboa e o Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão. Com a previsão de que o primeiro navio será entregue este ano, as operações passam por Cacilhas, Montijo, Seixal e distrito de Setúbal.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT