Na cidade

China vai construir uma cidade inteligente preparada para futuros confinamentos

À prova de Covid-19 ou de outros vírus que possam surgir, a ideia agora é planear espaços com conforto e auto-suficientes.
Xiong'an, a nova cidade da China.

Todos preferimos acreditar que a pandemia acabará em breve, o mais breve possível, e que este ano de 2020 não passará de uma memória, em muitos casos e para muitas pessoas negra, para outras apenas surreal. Mas a verdade é que há especialistas que avisam e antecipam que situações como a da Covid-19 podem voltar a acontecer, com este ou com outros vírus. E na China, onde tudo começou, está a dar-se um passo concreto para que novos confinamentos longos, a suceder, sejam pelo menos vividos com conforto, em formatos amigos do ambiente —  e sobretudo em modo seguro, tudo planeado e tudo auto-suficiente.

Uma nova cidade inteligente “à prova de Covid” está a ser planeada na China. Segundo o “Insider“, o empreendimento, projetado pelo gabinete dos arquitetos espanhóis Guallart, foi feito a pensar em futuros lockwdowns, ou fechos totais da economia como aquele a que maioria do mundo assistiu esta primavera. 

Os arquitetos de Barcelona venceram um concurso internacional, para criar o projeto de construção desta nova comunidade de Xiong’an. A esperança é que esta cidade do futuro venha a ser um modelo para outras, para “um novo padrão na era pós-Covid” que possa ser usado qualquer parte do mundo.

“Ganhámos o primeiro prémio na competição para criar a nova cidade de Xiong’an na China, para blocos de habitação e instalações públicas com uma proposta para uma zona auto-suficiente”, anunciou Vicente Guallart, o reputado arquiteto catalão, no seu Instagram.

Projectada então como uma “cidade auto-suficiente” acima de tudo, este empreendimento tem tudo planeado ao detalhe, não descurando aspetos que fomentem a qualidade de vida e o conforto. Vão ser criados apartamentos com grandes varandas para que as pessoas possam aproveitar o ar livre; hortas, estufas, painéis solares, espaços de trabalho comunitários ou co-working porém com distanciamento; uma piscina, jardim de infância com creche e até largos terraços adequados para receber drones projetados para entregas.

A maioria das ruas serão reservadas para pedestres e ciclistas, e haverá muito verde, muitas árvores, espaços para estar em segurança e ainda um mercado de alimentos.

A ideia é proporcionar “uma vida plena em tempos de confinamento”, diz um comunicado à imprensa. citado pela revista. “Não podemos continuar a projetar cidades e edifícios como se nada tivesse acontecido”, adianta Vincente Guallart à mesma publicação.

“A nossa proposta nasce da necessidade de dar soluções às várias crises que se sucedem no nosso planeta ao mesmo tempo, de forma a criar uma nova vida urbana baseada na bioeconomia circular, que empodere cidades e comunidades”.

O desenvolvimento foi projetado para ser uma área totalmente sustentável; os edifícios terão um “sistema metabólico interno” que integrará a produção de energia, água reciclada, produção de alimentos e reutilização de materiais. Segundo acrescenta a revista brasileira de arquitetura “Haus” no seu Instagram, mesmo em termos de design Xiong’an nasce com um conceito que é o oposto às atuais torres envidraçadas de formas contemporâneas, tão comuns pelo país e que estavam tão em voga até à pandemia.

Neste espaço do futuro próximo é tudo ecológico, a madeira é a matéria-prima principal e o conceito aposta no regresso a um viver simples, com base num modelo urbano composto por quatro quadras, nas quais é possível estar, trabalhar, consumir e descansar sem grandes deslocações.

A produção local de recursos, enquanto os moradores permanecem conectados digitalmente e com o resto do mundo, é outra premissa do projeto, garantindo que estes tenham uma vida plena mesmo em períodos prolongados de confinamento, como os vividos durante a pandemia da Covid-19.

Por isso, por exemplo, cada edifício será coberto por estufas que permitirão a colheita diária da produção de frutos e vegetais. Estes serão cultivados sob os telhados inclinados, cobertos ainda com painéis solares.

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