Na cidade

Circulação automóvel na Baixa de Lisboa será só para residentes e carros elétricos

O objetivo é reduzir o tráfego automóvel, a poluição e a deterioração da qualidade de vida.
Há mudanças a caminho.

A Câmara Municipal de Lisboa está a preparar uma mudança no trânsito do centro da cidade. No futuro, a circulação automóvel na Baixa será só para residentes e carros elétricos. A confirmação chegou do vice-presidente da autarquia, Filipe Anacoreta Correia, em entrevista ao “Público”.

O objetivo é “reduzir substancialmente o tráfego automóvel, a poluição e a deterioração da qualidade de vida”, a fim de se cumprirem também as exigências ambientais. “Aquilo que temos visto é que é possível hoje, através de novas tecnologias — isso já acontece, por exemplo, em Madrid —, as pessoas irem ao território desde que se desloquem a um parque de estacionamento. Portanto, sabemos que o espaço público fica estrito aos residentes e também aos carros elétricos, como uma forma de diferenciar e encorajar a circulação de carros não-poluentes”, adiantou.

O autarca recordou ainda que Lisboa já tem duas zonas de emissões reduzidas (ZER), onde há proibição de circulação de carros anteriores a determinadas datas, mas “não teve qualquer consequência.

“O que eu quero é ter anéis na cidade que determinem quais são as medidas amigas do ambiente, nomeadamente para impedir a entrada de carros na cidade por não-residentes que sejam sobretudo poluentes. Essas medidas têm que ser calendarizadas, mas também têm que ser vigiadas. Não basta proclamar para apresentar os anéis”, afirmou Anacoreta Correia.

Para cumprir os objetivos, a Zona de Emissões Reduzidas será alargada dos seus atuais limites, do Marquês de Pombal e da Baixa, para incluir “a zona ribeirinha histórica”. Reduzir substancialmente o tráfego automóvel é necessário para diminuir a poluição, mas o autarca não quer essa zona transformada num “parque de diversões para turistas”.

“Os modelos de cidade onde nós temos estudado e temos avaliado na Europa indicam-nos que medidas de ruptura em determinados territórios que tenham alguma dimensão acabam por fomentar aquilo que se chama as ‘Disneylândias’, que são territórios que não são habitados, que são sobretudo turísticos e, portanto, nós não achamos que esse seja o modelo ideal”, assegura. Para Anacoreta Correia, deve continuar a ser possível aceder a esses territórios, seja para residentes como trabalhadores.

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