Na cidade

Concertos, filmes e arraiais: tudo o que pode fazer à borla nas Festas de Lisboa

O mês mais animado do ano na capital está prestes a arrancar. A programação oficial inclui atividades para todos.
Tony Carreira vai atuar no Terreiro do Paço.

A 12 de junho de 1932, o “Diário de Lisboa” revelava em primeira página as surpresas da festa mais popular da capital. A novidade desse ano era o “espetáculo das Marchas Populares”, no Parque Mayer, com os ranchos do Bairro Alto, Campo de Ourique e Alto da Pina.

Já com o formato de competição, mas em recinto fechado, o desfile era uma pequena amostra das enchentes na Avenida da Liberdade, onde as marchas confirmariam o estatuto de tradição, nos anos 80. Apesar de terem tido antes breves manifestações, a tradição como a conhecemos hoje foi instituída graças ao cineasta José Leitão Barros, que convidou várias coletividades a apresentarem os seus espetáculos e particularidades.

Os arraiais que se prolongam madrugada fora são uma tradição imemorial, anterior até à vida do padroeiro da cidade, que deu o nome às Festas de Lisboa. Santo António, para quem os miúdos pediam “cinco reizinhos”, terá nascido no princípio do século XII, perto da Sé, em Lisboa, como Fernando Bulhões.

Protetor da casa e da família, advogado das almas do purgatório, protetor dos namorados e casados. Foram muitos os atributos que ajudaram a explicar a sua popularidade. A morte de Fernando Bulhões, a 13 de junho, instituiu a primeira data das festas, que hoje em dia começam muito antes disso e prolongam-se durante todo o mês.

Às cerimónias religiosas, como missas e procissões, juntavam-se as promovidas pela autarquia, como tourada e música no Terreiro do Paço e Rossio e os arraiais populares, sardinhadas, casamentos e os Tronos de Santo António.

Este ano, as Festas de Lisboa “serão transversais na idade, geografia, acessibilidade e diversidade” — e estão prestes a arrancar. O programa, maioritariamente gratuito, foi apresentado esta terça-feira, 21 de maio.  Até final de junho, a capital vai celebrar o Santo António com marchas, concertos, sardinhas assadas, exposições e tantas outras iniciativas.

Marchas Populares

Depois das apresentações na MEO Arena, nos dias 31 de maio, 1 e 2 de junho, os marchantes rumam à Avenida da Liberdade para a noite mais longa de Lisboa. A 12 de junho, as marchas apresentam-se para o tão esperado desfile, a partir das 21 horas. O momento arranca com a Dança do Dragão, pela Associação Geral Desportiva de Macau Lo Leong (grupo convidado). 

Depois, seguem-se então os bairros para contarem as suas histórias e darem a conhecer as suas gentes através dos figurinos e das coreografias, inspirando-se no tema desta edição: o rio Tejo. A temática segue-se às homenagens a Amália Rodrigues, em 2022, e ao Parque Mayer, em 2023, como forma de comemorar o aniversário da fadista e do espaço cultural, respetivamente.

Os miúdos também vão vestir os trajes e marchar para toda a gente ver: é uma forma de passar o testemunho entre os marchantes veteranos e os que se estão a iniciar no ritual alfacinha. A apresentação das Marchas Infantis das Escolas de Lisboa está marcada para 15 de junho, às 17 horas, no Jardim da Torre de Belém.

Arraiais

Sem eles, não existem Festas de Lisboa. O roteiro deste ano inclui 15 arraiais populares, espalhados por oito freguesias: Alcântara, Carnide, Estrela, Misericórdia, Penha de França, Santa Maria Maior e São Vicente. A programação sugere ainda outros três— o Arraial dos Navegantes, entre 30 de maio e 2 de junho, no Parque das Nações; e o da Vila Berta (na Graça), entre 1 e 12 de junho; e o Arraial Pride, a 22 de junho.

Concertos

Além da música popular que todos podem ouvir nos bairros lisboetas, as Festas de Lisboa terão concertos imperdíveis que vão do fado ao jazz, passando pela música popular portuguesa, dance hall, R&B e música clássica. 

O Terreiro do Paço vai receber, como é habitual, dois espetáculos de encerramento. Tony Carreira e Richie Campbell vão encerrar da melhor forma as Festas de Lisboa, no final de junho.

 O cantor romântico com mais de três décadas de carreira vai interpretar alguns dos seus maiores êxitos no dia 29 de junho, com vários convidados especiais e acompanhado por uma orquestra de 16 cordas. Já Richie Campbell sobe ao palco a 30 de junho para apresentar um espetáculo criado “para e por Lisboa”, igualmente com vários convidados.

A fadista Mariza vai animar a noite de 20 de junho no Castelo de S. Jorge. “Uma noite única, onde não faltarão temas como ‘Chuva’, ‘Ó gente da minha terra’, ou ‘Oiça lá ó senhor vinho’, acompanhados pelos músicos Luís Guerreiro, Phelipe Ferreira, Adriano Alves, João Freitas e João Frade”, garante a organização.

Durante a primeira quinzena de junho, o Largo do Picadeiro (no Chiado) também vai acolher sete concertos de jazz, com artistas nacionais e internacionais, como Bill McHenry, Drew Gress, Jeff Williams e André Fernandes. A música clássica vai-se fazer ouvir no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, naquela que será uma “viagem musical à Europa dos séculos XIX e XX”.

Cinema

Nem só de música e marchas se fazem as Festas de Lisboa. As sessões gratuitas de cinema ao ar livre regressam à Quinta das Conchas (no Lumiar), com propostas para todas as idades. De 27 de junho a 13 de julho, vai poder assistir a filmes como “Folhas Caídas”, de Aki Kaurismaki, “Patos!”, de Benjamin Renner”, “Anatomia de uma Queda”, de Justine Triet, “Vidas Passadas”, de Celine Song, ou “Trolls 3 ‒ Todos Juntos”, de Walt Dohrn.

Exposições

O programa das Festas de Lisboa também diversas exposições, com destaque para a arte contemporânea. A mostra concebida por Maria do Mar Fazenda para a Galeria Quadrum, por exemplo, apresenta obras de vários artistas plásticos. No Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, a partir de 23 de maio, também se pode ver as obras de arte adquiridas pela Câmara Municipal de Lisboa em 2023.

Ainda durante este mês, no dia 26, o Museu de Lisboa ‒ Palácio Pimenta vai inaugurar a exposição “Lisboa em Revolução, 1383 ‒ 1974”, inserida nas celebrações dos 50 anos do 25 de Abril, que inclui obras das coleções do museu e peças cedidas por dezenas de instituições. As exposições “Moeda Viva”, na Galeria Quadrum e “Ao Lado do Pomar”, no Atelier—Museu Júlio Pomar, também integram a programação.

Casamentos de Santo António

A primeira edição dos Casamentos de Santo António contou com 26 casais e realizou-se em 1958, na Igreja dedicada ao padroeiro da capital. O jornal “Diário Popular” apadrinhou a iniciativa, depois da proposta apresentada pelo vereador Augusto Pinto, em reunião de câmara. O evento era anunciado como uma promoção da união “de jovens dos bairros populares na manhã de Santo António”.

Com a Revolução dos Cravos, os casamentos sofreram interrupções em 1974, e só retomaram em 1997. Desta vez, promovidos desta vez pela Câmara Municipal de Lisboa, passaram a celebrar também os de cariz civil, além dos religiosos.

Este ano, os matrimónios mais populares da cidade vão unir 16 casais no dia 12 de junho. A festa começa nos Paços do Concelho, às 11h30, com os casamentos civis, e prossegue às 14 horas, com a cerimónia católica, na Sé de Lisboa.

Festivais multiculturais

Apesar de ser uma tradição portuguesa, a iniciativa, que se pretende multicultural, dá destaque a tantas outras culturas. O Festival Bollywood Holi e Mercado da Índia, na Comunidade Hindu de Portugal (2 de junho), a Festa da Cultura Coreana, no Museu de Lisboa ‒ Palácio Pimenta (8 de junho), o Thai Festival (entre 21 e 23 de junho) e a Festa do Japão (29 de junho), no Jardim Vasco da Gama, em Belém, são alguns desses exemplos.

Outras festas e eventos

Uma das primeiras festas da programação arranca já esta sexta-feira, 24 de maio, e prolonga-se até dia 2 de junho. O Festival de Telheiras vai encher o bairro com concertos, oficinas, teatro, dança, gastronomia e atividades para toda a família.

A 8 de junho celebra-se o Dia da Marinha do Tejo, no Cais da Marinha, onde se reunirão embarcações típicas do Tejo, os seus proprietários e arrais, vindos de vários pontos do estuário. Entre 14 e 16 de junho acontece o VIII Encontro do Associativismo e Regionalismo da Cidade de Lisboa, que promete três dias de música, gastronomia e artesanato na Alameda.

Outro dos destaques é a Corrida de Santa António, marcada para 2 de junho. A 12.ª edição da prova, organizada pela HSM Sports, começa e termina na Praça do Império, em Belém. Este ano, os participantes podem escolher entre o tradicional percurso de 10 quilómetros ou uma caminhada de quatro quilómetros. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas online.

Todas as atividades mencionados são gratuitas, à exceção da Corrida de Santo António (com preços desde 12€) e da apresentação das marchas na MEO Arena (6€). A programação completa está disponível online.

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