Na cidade

Contas feitas, afinal, o altar-palco para o Papa vai custar mais de 5 milhões de euros

O primeiro valor conhecido indicava que a obra iria custar menos um milhão (4,2). Porém, a fatura final inclui outros encargos.
O Papa vem a Portugal em agosto.

A poucos meses da realização da Jornada Mundial da Juventude (JMD), que acontece de 1 a 6 de agosto em Lisboa, aquele que é o maior evento juvenil católico do mundo continua envolto em polémica. Esta instaurou-se com a divulgação do custo do altar-palco em que o Papa Francisco vai celebrar a missa no final da iniciativa.

Segundo o contrato publicado na semana passada no Portal Base, este vai custar 4,2 milhões de euros (mais IVA), um valor muito superior ao que foi gasto em 2010, quando o Papa Bento XVI celebrou a eucaristia no Terreiro do Paço. A construção desse altar custou entre 200 a 300 mil euros.

Esta quarta-feira, 25 de janeiro, a CNN avançou que a fatura paga do Estado deverá rondar, na verdade, um valor acima dos 5,3 milhões de euros. Ao contrato que a Câmara Municipal de Lisboa adjudicou, de forma direta, à Mota-Engil, por cerca de 4,2 milhões, junta-se um outro que eleva o valor total da estrutura para quase 5,4 milhões de euros, indica o canal de notícias.

O contrato em causa, também ele feito por ajuste direto, foi realizado com a empresa Oliveiras, SA, e visa a construção das “fundações indiretas do altar-palco” onde o Papa Francisco irá celebrar a missa. A estrutura, cujo pagamento previsto é de 1.063.937,62 euros para uma obra de 60 dias, vai permitir ao solo aguentar mais peso do que o inicialmente previsto. Um terceiro contrato, adjudicado à Action Mulders, vai custar 87.570 euros ao Estado. Este diz respeito ao projeto de segurança contra incêndios.

Para justificar o valor contratualizado, Filipe Anacoreta Correia, vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, afirmou que o altar-palco é o “coração do acolhimento” da Jornada Mundial da Juventude e que a estrutura vai ser readaptada para “eventos futuros”. Não indicou quais mas, de acordo com a Rádio Renascença, este pode vir a acolher a próxima edição do Rock in Rio. O festival, que até agora acontece no Parque da Bela Vista, regressa a Lisboa em 2024.

As previsões indicam que o Parque Tejo vai receber mais de um milhão de jovens. “Não há comparação possível entre o altar onde o Papa Bento XVI celebrou uma missa em 2010 em Lisboa e o palco do Parque do Tejo. Em primeiro lugar, a Jornada Mundial da Juventude é um evento de uma magnitude não comparável à de uma visita Papal”, justifica a autarquia.

O palco montado no Terreiro do Paço foi integralmente desmantelado no final das cerimónias relacionadas com a deslocação de Bento XVI, enquanto grande parte da estrutura que será construída para receber o Papa Francisco irá manter-se.

A obra do altar foi cedida à construtora Mota-Engil pela SRU — Sociedade de Reabilitação Urbana, empresa municipal da Câmara Municipal de Lisboa que está responsável pelas obras no Parque Tejo, espaço que irá acolher o evento juvenil católico. O contrato foi assinado no dia 13 de janeiro e a construtora terá 150 dias para concluir o projeto, pelo que o altar-palco deverá estar pronto entre junho e julho deste ano.

As inscrições para participar neste mega evento abriram em outubro e, apesar dos valores elevados, já estão inscritos mais de 400 mil jovens, anunciou o Papa Francisco na passada sexta-feira, 20 de janeiro. Para os que querem estar presentes em todos os dias da Jornada Mundial da Juventude, o passe custa 235€ (com alimentação, alojamento, transportes, seguro e kit JMJ incluídos). Quem quiser participar apenas nos eventos do fim de semana com o Papa, também com tudo incluído, pagará 125€. Para os voluntários, a inscrição custará 145€.

A Jornada Mundial da Juventude foi uma iniciativa criada em 1985 por João Paulo II. A primeira JMJ realizou-se em Roma, Itália, no ano seguinte. Em 2019, o evento aconteceu no Panamá e os preços das inscrições variavam entre os 96€ e os 253€. Foi nessa edição que anunciaram a escolha de Lisboa para a realização da jornada seguinte, que acabou por não se realizar no ano previsto, 2022, devido à pandemia.

A JMJ em Lisboa deverá contar com a presença do Papa Francisco. Será a segunda visita do Sumo Pontífice a Portugal e poderá coincidir com a beatificação da Irmã Lúcia, cujo processo já está a decorrer.

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