Na cidade

Coração de D. Pedro IV vai ser exposto pela primeira vez ao público no Porto

Sepultado no Brasil, deixou o coração em Portugal. Nos dias 20 e 21 de agosto vai poder ver a relíquia. A entrada é gratuita.
Vai mesmo acontecer.

O caso é estranho, mas verdadeiro: D. Pedro IV foi sepultado em terras brasileiras, mas o seu coração ficou em Portugal. A razão está na paixão por uma cidade: o Porto. Mas para melhor compreender esta história, o melhor é recuarmos até ao século XIX.

Estamos em 1826, já depois de ser reconhecida a independência do Brasil e de D. Pedro ser o seu imperador. A morte de D. João criou uma disputa entre irmãos: qual deles iria subir ao trono? De início, o partido absolutista levou a melhor e a causa pedrista parecia perdida. Mas o confronto continua e o irmão liberalista, D. Miguel, conquista várias ilhas nos Açores.

É em 1832 que as tropas pedristas invadem o continente, começando pelo Porto. Na cidade, D. Pedro IV contou com o apoio da população local. O conflito termina, finalmente, com a vitória dos pedristas e o regresso da sua filha, rainha D. Maria II, à coroa.

Como última vontade, deixou escrito no testamento a oferta do seu coração à sempre leal e invicta cidade do Porto. Quando morreu, em 1835, foi então colocado o órgão na Igreja da Lapa, como sinal da sua gratidão pela vitória sobre os absolutistas.

Porém, o governante de Portugal foi também o primeiro Imperador do Brasil, que logo reclamou o seu corpo. 200 anos depois, o coração de D. Pedro IV estará pela primeira vez em exposição aberta ao público.

No sábado, 20 de agosto, a montra estará em funcionamento entre as 10 e as 20 horas. Já no domingo, dia 21, as visitas decorrem das 10 às 16 horas. A entrada no Salão Nobre da Irmandade da Lapa é gratuita.

Logo depois, no âmbito das celebrações do bicentenário da independência brasileira, o coração será transladado temporariamente para o Brasil e será o próprio presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, a levá-lo – com o apoio da Força Aérea brasileira. A relíquia regressa à cidade do Porto a 9 de setembro.

A transladação foi acordada por via diplomática, com o apoio do Estado Português, depois de ter sido feito o pedido pelo embaixador George Prata. Em nome das parcerias estabelecidas ao longo da história, a Câmara Municipal do Porto associou-se ao Brasil nas celebrações com diversas iniciativas, como a organização de uma exposição sobre D. Pedro IV e um concerto.

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