Quem já esteve inscrito numa qualquer app de encontros terá passado, seguramente, por várias situações frustrantes. Matches que não dão em nada, conversas sem ligação e, claro, o famoso ghosting (quando uma das partes deixa de responder) são três dos cenários mais frequentes.
Foi precisamente para contrariar estas e outras histórias sem um final feliz que surgiu a Deepbond. Lançada em junho de 2024, a app portuguesa já reúne mais de 32 mil utilizadores, que criaram 23 mil conexões e trocaram cerca de 850 mil mensagens. E há uma razão para estes números impressionantes.
“A Deepbond foi desenhada para ser um espaço mais ponderado, humano e intencional. Nasceu de experiências pessoais e de conversas informais entre amigos — daquelas em que se partilham encontros falhados, expectativas desalinhadas e o cansaço com as apps de dating tradicionais. A sensação era comum: demasiada pressa, pouca clareza, superficialidade a mais e uma sucessão interminável de ‘quases'”, explica Miguel Vieira, o CEO de 36 anos.
Este conceito traduz-se em várias especificações que facilitam as conexões na app. Logo no início, não só é possível ver todos os perfis compatíveis antes de decidir se quer falar com essa pessoa — sem swipes impulsivos, em que apenas pode avaliar a foto — como também poderá saber mais sobre os possíveis candidatos graças aos dealbreakers. Estas perguntas são definidas por cada pessoa sobre temas fundamentais numa relação, como querer ou não ter filhos, tipo de relação desejada, estilo de vida ou preferências essenciais.
“Para mostrar interesse em alguém, é preciso responder aos dealbreakers dessa pessoa. Só se a pontuação mínima for atingida é que o ‘gosto’ fica visível. E apenas quando ambos passam nos dealbreakers um do outro é criada uma conexão. Na prática, isto evita conversas vazias, elimina compatibilidades artificiais e garante que cada match tem potencial para ser algo mais”, explica o minhoto que fundou esta plataforma de sucesso.
Ultrapassada a fase da escolha, surge a etapa de “meter conversa”. Depois da conexão estabelecida na Deepbond entre duas pessoas, estas têm 24 horas para enviar a primeira mensagem. Desta forma, não há “matches” esquecidos.

No passo seguinte, a conversa fica ativa durante cinco dias, tempo suficiente para perceber se existe interesse mútuo, sem que a ligação se arraste indefinidamente. A aplicação envia ainda notificações anti-ghosting, que alertam quando uma conversa está prestes a expirar, ajudando a retomar o contacto antes que este se perca.
“Tudo isto garante que só ficam as pessoas realmente disponíveis e interessadas em conversar. Isso ajuda a evitar a típica acumulação de matches que não evoluem para nada”, reforça Miguel Vieira.
Uma atração para um público mais maduro
Com a intenção principal de criar relações mais genuínas, é natural que a transparência seja importante para os criadores da Deepbond. Assim, a Inteligência Artificial é um dos recursos utilizados para verificar todas as fotografias e biografias, detetando imagens inadequadas ou conteúdo ofensivo antes de este ser visível na aplicação.
O objetivo é simples: criar um ambiente seguro, equilibrado e inclusivo, onde todas as pessoas têm exatamente a mesma experiência, independentemente do género ou orientação. No geral, isto é também possível graças ao tipo de público que mais utiliza a Deepbond.
Afinal, tratando-se de uma app pensada para relações sérias, esta atrai um público maioritariamente entre os 30 e os 49 anos — são mesmo 65 por cento dos utilizadores.
Miguel Vieira faz até uma análise mais específica dos utilizadores: “A comunidade tem também um equilíbrio de género acima da média no mercado. Um sinal claro de que tanto homens como mulheres estão à procura de ligações autênticas e estáveis”.
A Deepbond pode ser usada de forma gratuita e está disponível tanto para iOS como para Android. O processo de entrada é simples: basta carregar uma fotografia, definir preferências e escolher os primeiros dealbreakers e o perfil fica ativo.
O nascimento da Deepbond
Com formação em engenharia e gestão de sistemas de informação, Miguel Vieira já possuía experiência em engenharia de software na criação de aplicações. Hoje é product manager na Smith Micro Software, Inc. Mas enquanto utilizador de apps de encontros, como o Tinder e Bumble, encontrou várias restrições na relações que lá surgiam — e a partir daí começou o desenvolvimento da Deepbond, em 2023.
“Acabava por ter matches mas depois havia o ghosting. Havia muitos matches mas pouca conversa, era mais quantidade do que qualidade. E os meus amigos tinham experiências semelhantes”, conta o CEO.
A Deepbond veio mudar tudo isso. Desde o lançamento, vários utilizadores já partilharam histórias de relações que começaram na Deepbond — algumas com muitos meses de estabilidade. Entre elas, o caso da Mariana e do Ricardo, que se conheceram na aplicação em setembro de 2024 e continuam juntos desde então. Para muitos, a Deepbond trouxe finalmente a clareza e a intenção que faltava nas apps tradicionais, ajudando a transformar conversas em ligações reais e duradouras.

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