Na cidade

Arqueólogos descobrem nau afundada em Cascais

Deverá ter naufragado entre 1575 e 1625 e estava afundada no rio Tejo, depois de regressar da Índia. É a "descoberta do século".

Foi encontrada a 3 de setembro.

É na zona onde o rio Tejo se junta ao oceano Atlântico, ao largo de Cascais, junto do ilhéu do Bugio, que foi encontrada uma nau portuguesa, que deverá ter naufragado entre 1575 e 1625, quando regressava da Índia. Os arqueólogos falam na “descoberta do século”.

O navio foi encontrado a 3 de setembro por uma equipa de arqueólogos da Câmara Municipal de Cascais, do Projeto Municipal da Carta Arqueológica Subaquática do Litoral. Em declarações à agência Lusa, citada pelo “Sapo”, o diretor científico do projeto, Jorge Freire, disse que os vestígios da nau foram encontrados a uma profundidade de 12 metros. Estão numa área de cerca de 100 metros de comprimento e 50 metros de largura.

“Vê-se o escudo de Portugal, a esfera armilar, portanto, por aí, estamos seguramente a falar de um achado de desígnio nacional muito semelhante àquilo que foi a Nossa Senhora dos Mártires [uma nau portuguesa também do Caminho das Índias, descoberta em 1994], utilizada como motivo da Expo98, só com uma diferença, porque esta está em melhor estado de conservação, daquilo que nos é possível ver à superfície. A área também é muito maior do que foi exumado na Nossa Senhora dos Mártires”, disse o diretor do projeto, que também é um dos mergulhadores.

Entre os artefactos encontrados encontram-se pimenta da Índia (que ainda subsiste, sim), uma tampa em bronze e loiça.

Jorge Freire acrescenta: “A maior parte das descobertas no País foram feitas por achado fortuito, a maior parte das descobertas em Cascais, e esta em particular, foram feitas em ambiente científico. O que estamos a fazer neste momento é mapear todos os achados que estão à superfície, para termos um diagnóstico daquilo que está visível, para ver qual a evolução do sítio em termos de sedimentação, e perceber a própria dinâmica do sítio.”

O diretor do projeto diz ainda que “brevemente” a nau irá transformar-se num campo-escola, para a formação de alunos universitários de Arqueologia.

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