Um quarteirão em Arroios com imóveis que representam as primeiras provas do modernismo português vai ser demolido para dar lugar à construção de uma unidade hoteleira, avança o “Público”. Os edifícios, situados no cruzamento das ruas Gomes Freire e Joaquim Bonifácia, em Lisboa, datam de 1936 e contêm na sua fachada painéis de azulejos da autoria de Gabriel Mateus Constante, considerados de relevante valor patrimonial.
O projeto tinha sido chumbado a 6 de dezembro de 2023 e agora, a 26 de julho, foi aprovado com a abstenção do PS. O argumento original para o chumbo era precisamente o do valor patrimonial dos edifícios. O Partido Socialista (PS) diz agora que não poderia votar contra um projeto que cumprisse todas as normas urbanísticas e que tivesse o “parecer favorável” da Direção-Geral do Património Cultural.
A autarquia da capital acabou então por dar luz verde à destruição deste quarteirão, apesar dos argumentos contra apresentados pela Estrutura Consultiva Residente (ECR), que afirma no seu relatório o claro valor patrimonial daquele bairro. O promotor do projeto defendeu que existia um “diminuto valor do edifício preexistente, bem como dos painéis de azulejos” e foi apoiado por Joana Almeida, titular da pasta do Urbanismo.
No entanto, as mesmas entidades que apoiaram a demolição, argumentaram também que os azulejos das fachadas “devem merecer atenção e salvaguarda”. O projeto em questão visa a construção de uma unidade hoteleira do grupo Sana. Segundo o “Público”, esta unidade está projetada para ter seis pisos e um total de 92 quartos. Prevê ter ainda cinco pisos abaixo do solo com 28 lugares de estacionamento e cerca de dez lugares para bicicletas.
A primeira apresentação de um projeto para este quarteirão data a 2012. No projeto original, desenhado pelo mesmo grupo hoteleiro, o plano era recuperar e valorizar a edificação existente, que remonta a uma arquitetura modernista. Com quase 100 anos, os imóveis eram relevantes “para memória futura, integrando o tecido edificado da cidade”. O projeto mudou e agora passa pela sua demolição e pela construção de um único edifício de estilo contemporâneo.

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