Na cidade

Edifícios abandonados: Hotel Parque, um ícone da belle-époque a cair aos bocados

É o maior símbolo da vila de São Martinho do Porto. Apesar de estar classificado e protegido, está a avançar para as ruínas. 

Um hotel centenário e classificado.

Mesmo agora, com a fachada degradada e aquele ar abandonado, quando olhamos para o Hotel Parque ainda é fácil imaginar um São Martinho do Porto na década de 1920, uma estância de veraneio em todo o seu fulgor, ocupada por uma classe média-alta a recuperar poder económico no virar do século. À volta, um turbilhão com edifícios e hotéis de arte nova a serem construídos para dar resposta às centenas de turistas que procuravam o clima saudável da região.

Mandado construir em 1910 por António Rosa, emigrante de sucesso no Brasil, surgiu neste contexto de fim de belle-époque aquele que foi um dos edifícios mais emblemáticos de todo o concelho de Alcobaça — foi e é, mesmo depois de tantas décadas ao abandono.

A história do Hotel Parque é uma odisseia. Primeiro, foi uma casa de luxo, construída com o dinheiro feito no Brasil. Depois, o tal António Rosa, que em boa verdade quase nunca viveu em Portugal, transformou a casa numa pensão — que foi batizada com o criativo nome Pensão Rosa. Dez anos depois mudaria para Hotel Parque. O arquiteto original do projeto foi o brasileiro José Venceslau de Oliveira. O edifício é uma mistura dos géneros mais populares daquela época: a Arte Nova, a Arte Deco, o Brasil, o chalet, a belle-époque.

Os quartos são enormes, bem como os corredores e os jardins externos. Quando mudou de nome para Hotel Parque, o espaço ganhou também uma fama que se espalhou por toda a região. Tinha uma vantagem enorme em relação aos adversários: praticava o ultra procurado regime de pensão completa. Um luxo. O sucesso foi tendo altos e baixos até 1956, altura em que a administração decidiu fechar o hotel.

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