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Em Alfragide, há um centro comercial onde centenas de pessoas trocam cromos do Mundial

A iniciativa da loja Colecionar acontece todos os sábados e junta colecionadores de várias idades. A próxima troca está marcada para 13 de junho.

De um dia para o outro, Sandra e Vítor Rodrigues viram o movimento do Centro Comercial dos Moinhos mais do que quadruplicar. Tudo graças ao Mundial 2026. Os proprietários da loja Colecionar já organizam eventos para troca de cromos desde 2012, mas este ano superou todas as expectativas.

“Já tínhamos a cultura da troca, já reunimos cerca de 200 pessoas noutros eventos, mas este boom do Mundial é completamente diferente. No último sábado tivemos cerca de mil pessoas e os jogos ainda nem começaram”, conta a proprietária, de 51 anos.

Os eventos de troca de cromos acontecem aos sábados, das 14 às 17 horas, no centro comercial onde a loja física está localizada. A próxima data está marcada para 13 de junho e Sandra espera, novamente, um número elevado de participantes.

Com entrada gratuita, o evento junta diferentes gerações e proporciona um convívio saudável e descontraído. “Há crianças de cinco anos a trocar cromos com os avós, tios e primos. É muito gratificante ver isso e depois ouvir as pessoas agradecerem a organização de tudo”, diz.

 
 
 
 
 
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Apesar de ser um ambiente leve e tranquilo, há uma regra que deve ser respeitada: nada de vendas. Sandra reforça que o objetivo do encontro é ser, de facto, um espaço de troca. Na Colecionar é possível encontrar pacotes à venda, mas a própria incentiva: “Troquem primeiro, depois pensem em comprar”.

Além de ajudar as pessoas a completar a coleção, esta é também uma forma de poupar dinheiro. Afinal, são 980 cromos no total, que teriam, em média, um custo de 210€. “Se não houver trocas, a coleção fica ainda mais cara”, alerta a proprietária.

Troca de cromos que nasceu em casa

Sandra fala com conhecimento de causa. A ideia de criar a troca de cromos nasceu do desejo do filho, Guilherme, de completar a coleção do Mundial de 2010. “Ele tinha seis anos e não conseguia trocar. Por isso, criámos a plataforma trocarcromos.com. Hoje tem mais de 15 mil colecionadores registados”, explica.

O que começou apenas no mundo virtual ganhou espaço na vida real. Primeiro faziam eventos no Alegro Alfragide, depois passaram para o centro comercial atual. Fizeram uma pausa durante a pandemia de Covid-19 e retomaram há três anos, com eventos regulares aos sábados. Guilherme, agora com 22 anos e a trabalhar como comissário de bordo, faz questão de regressar para prestigiar o evento e continuar a completar a sua coleção.

Além disso, os encontros não se limitam aos cromos do Mundial. Na verdade, o evento está aberto a todos os temas, desde Bluey a Hello Kitty, Pokémon e K-pop. O mais importante é ter os cromos em mãos e vontade de trocar. Sandra ainda recomenda a inscrição na plataforma para facilitar as trocas. “É muito simples e intuitivo. Conseguem perguntar à pessoa: ‘Olha, diz-me qual é o teu utilizador no Trocar Cromos’. Depois vemos quais são os cromos que têm e a troca torna-se muito mais fácil. O sistema é bastante automático e prático”, explica.

A proprietária mantém-se entusiasmada com os próximos eventos, já marcados para depois da abertura do Mundial. O centro comercial costuma estar com a maioria das lojas fechadas, com exceção de um restaurante chinês e de um café, permitindo que os participantes ocupem todo o espaço. Quem passa por lá vê pessoas nas esplanadas, corredores e até no chão, devido à falta de mesas para todos os participantes.

“Este boom do Mundial não é só aqui, mas em vários países. Afinal, é um Mundial inédito: há seleções que nunca estiveram presentes, como Cabo Verde, é o fim da carreira de Messi e Ronaldo terminou a carreira, em princípio. Está toda a gente muito envolvida”, conclui Sandra.

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