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Erros, manchas e uma luz fundida: a polémica do Obelisco de Oeiras

Custou 600 mil euros, mas desde a inauguração que tem sido alvo de críticas. A autarquia garante que está tudo a ser resolvido.
A polémica não larga o Obelisco. (Foto: CMOeiras)

A notícia chegava no final de abril. No âmbito das comemorações do dia 25 de Abril de 1974, a Câmara Municipal de Oeiras inaugurava, no Parque dos Poetas, o Obelisco do Templo. Uma obra de grandes dimensões e com um custo a condizer: 600 mil euros. As críticas não tardaram a chegar.

Só que algumas semanas depois da inauguração, surgem novas controvérsias: além de terem sido detetados vários erros ortográficos nas inscrições, a fachada apresenta já inúmeras manchas; e pelo caminho, uma grua danificou a estutura.

O obelisco é da autoria do escultor Júlio Quaresma, “uma estrutura de secção quadrangular rematada por um topo piramidal, cuja génese remonta à época do antigo Egipto”, explicava a autarquia. Estas estruturas serviam a função de “furar as nuvens, atuando como polo de atração da energia celeste, fazendo a ligação desta à Terra”, adiantava a CMO.

Foi construída com granito vermelho, “que representa a força, resistência e a durabilidade”, decompondo-se em dois elementos estruturantes: o obelisco em si, de 1759 centímetros de altura, e a base — que mede 1759 milímetros, correspondendo assim ao ano de 1759 quando, a 13 de junho, o concelho de Oeiras foi constituído por carta régia.

Pretende-se que seja uma homenagem aos poetas, escultores e mecenas do Parque, representando também “um tributo aos heróis comuns e, portanto, à vitória do soldado desconhecido”. No fundo, um “símbolo de liberdade e da democratização da cultura, no sentido em que todo o parque é um instrumento de acesso à sabedoria”, concluía então a autarquia nas suas redes sociais.

As primeiras reações ao anúncio, sobretudo de residentes deste concelho da Grande Lisboa, foram de agrado; mas a verdade é que desde então este Obelisco do Templo tem vivido umas primeiras semanas difíceis, envolto em várias polémicas.

A primeira começou quando vários meios de comunicação social revelaram aquele que terá sido o custo da obra: 600 mil euros. Outros, divulgaram que o monumento terá sido pedido para fechar a triangulação maçónica de Oeiras e segundo a “Sábado” a estrutura até já terá tido um acidente, quando uma grua deu um toque no laser do obelisco e inutilizou-o.

Depois, quando muitos já comentavam no mundo das redes sociais a forma alegadamente fálica da escultura, outros descobriram também os primeiros erros ortográficos: nas inscrições e, em alguns casos, mesmo nos nomes de poetas e escritores invocados. Primeiro foi um erro na placa aos pés do monumento, onde se lia: “defesa deste espaço de cultura e laser”, em vez de “lazer”.

Depois, foram então os nomes invocados: segundo as muitas fotos que  andam a circular nas redes sociais, Sophia Mello Breyner estará escrito com “f” em Sophia; Carlos Drumond de Andrade assim mesmo, só com um m em Drummond; e Teixeira “Pascoais” em vez de Pascoaes.

Além disso, nas imagens dos últimos dias está já aparente a degradação, eventualmente por manchas de sujidade, da estrutura. A NiT contactou a autarquia de Oeiras que confirmou a existência de erros, sem especificar quais, mas adiantou-nos que está tudo a ser resolvido.

A placa do “laser” já foi substituída, revelou em primeiro lugar a câmara. De qualquer maneira, adianta a mesma fonte, “trata-se de uma obra escultórica que como qualquer outra pode trazer algumas incorreções”.

Segundo a autarquia, “há de facto nomes errados mas que serão corrigidos; há também um pequeno erro na base e as luzes de iluminação também vão sofrer modificações”.

A CMO conclui que, até ao final de maio, está previsto que os empreiteiros encarregues da obra a entreguem “completa e retificada”.

Uma das imagens a circular nas redes sociais.

 

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