Na cidade

Nasceu a primeira Floresta Rápida de Lisboa que promete ajudar a salvar o planeta

Já começou a ser plantada no Vale da Montanha, numa área de 2.500 metros quadrados.
Imagem de Manuel Rodrigues Levita da CML.

O Vale da Montanha está mais verde. No passado sábado, 22 de janeiro, começou a ser plantada a primeira Floresta Rápida de Lisboa, um projeto de 2500 metros quadrados com o objetivo de fazer crescer florestas naturais em espaços relativamente pequenos.

Segundo a autarquia, estas mini-florestas biodiversas e totalmente nativas atingem a sustentabilidade total em três anos e absorvem 265 por cento mais carbono do que os métodos tradicionais de reflorestação  No site da Câmara adianta-se que o Parque Urbano do Vale da Montanha, antigamente uma zona de hortas, havia sido ocupado por construções ilegais nas últimas décadas do século XX. “O coberto vegetal, na sua maioria descontínuo e caracterizado por herbáceas espontâneas, mostrava, apesar do estado de abandono, os vestígios do património das antigas quintas.”

O Parque Urbano do Vale da Montanha, junto à Bela Vista, tem uma área de recreio com equipamento temático e um aparelho lúdico de grande dimensão, um quiosque alimentar e duas praças. “Existem vários caminhos pedonais ligados à rede de percursos e corredores do Parque da Bela Vista, Olaias e Areeiro e é atravessado por uma ciclovia”, adianta a autarquia.

Nesta nova floresta rápida, 70 por cento das árvores foram cedidas pela CML através de financiamento da Lifelungs, uma organização dedicada a tornar Lisboa mais resiliente às alterações climáticas. A CML também forneceu o terreno em Vale de Montanha, adianta à NiT fonte da Urbem.

A Urbem é uma ONG formada no ano passado composta inteiramente por voluntários, uma mistura de portugueses e estrangeiros “que querem retribuir à cidade que os acolheu”, adianta a mesma fonte desta organização responsável pela conceção do jardim e plantação das árvores.

“Após meses de planeamento e semanas de preparação do solo, as primeiras mil árvores e arbustos nativos foram plantados em três dias no último final de semana, com mais 600 a serem plantadas nesta semana. Mais 150 voluntários compareceram ao evento de plantio, incluindo 30 estudantes de biologia do NEBFCUL e 70 escuteiros”, explica a mesma fonte.

“A nossa equipa de profissionais inclui biólogos, engenheiros florestais, especialistas em plantas nativas, e muitos outros que trabalham arduamente para garantir que a Floresta Rápida será cuidadosamente delineada, adaptada à parcela e ao clima local, e sustentável para o futuro” lê-se ainda no site desta ONG.

“Utilizando o método Miyawaki, a nossa mini floresta irá absorver 265 por cento mais carbono do que os métodos tradicionais de reflorestação, e ainda sustentar milhares de plantas nativas, fornecer habitats para inúmeras espécies locais, e funcionar como um conjunto de pólos comunitários para a educação ecológica, arte, teatro, e eventos únicos”, é acrescentado. 

Um pequeno passo para a URBEM's Fast Forest®, um salto gigantesco para Lisboa!Mais de 100 voluntários responderam ao…

Posted by Urbem on Wednesday, January 26, 2022

As florestas rápidas ou “mini-florestas”

Nos últimos anos, vários especialistas em clima, ambiente e biodiversidade têm defendido que as mini florestas no centro das cidades podem ser uma aposta de futuro com uma importância extrema.

Os cientistas dizem que este tipo de ecossistemas são essenciais para atingir as metas climáticas e estimam que as florestas pequenas naturais podem crescer até dez vezes mais rápido do que jardins, armazenar mais carbono e regenerar a terra.

Segundo um artigo do “The Guardian”, publicado no verão de 2020, os defensores do método dizem que além de crescerem de forma rápida, as florestas em miniatura tornam-se 30 vezes mais densas e 100 vezes mais biodiversas do que as plantadas por métodos convencionais. O resultado é alcançado com o plantio de mudas próximas umas das outras, três por metro quadrado, com variedades nativas adaptadas às condições locais. Uma grande variedade de espécies, idealmente 30 ou mais, é plantada para recriar as camadas de uma floresta natural.

Os especialistas acrescentam que estas mini florestas estão a surgir em toda a Europa como parte de um movimento que visa restaurar a biodiversidade e combater a crise climática, e que se localizam frequentemente em pátios de escolas ou ao longo de estradas, podendo ser tão pequenas quanto um campo de ténis.

A ideia surgiu então com base no trabalho do famoso botânico japonês Akira Miyawaki, que plantou mais de 1.000 dessas florestas no Japão, Malásia e outros locais. De acordo com a GreenSavers, foi Miravawaki quem descobriu que as áreas protegidas ao redor de templos, santuários e cemitérios no Japão tinham uma enorme variedade de vegetação nativa que coexistia para produzir ecossistemas resilientes e diversos. Na Holanda, o grupo de conservação IVN Nature Education ajudou cidades e famílias a plantar 100 florestas deste tipo, desde 2015, e na Bélgica e em França já foram plantadas cerca de 40 mini florestas.

Já há uma na cidade

Apesar de a autarquia definir a floresta do Vale da Montanha como pioneira, talvez pelas suas características, já existe um projeto semelhante a decorrer na cidade desde 2021.

Segundo informações da Faculdade de Ciências em março do ano passado, uma nova mini floresta de Lisboa foi precisamente criada neste campus, utilizando também, como na do Vale da Montanha, o “método Miyawaki”. “Este método sugere que após o plantio de uma mini floresta de alto impacto e baixa pegada ecológica, será possível ter um crescimento bastante rápido; alta taxa de absorção de carbono; excelente capacidade de atração de animais e plantas além daquelas plantadas; boa capacidade de processamento da água da chuva; melhoria da qualidade do ar (reduzindo partículas poluentes) e redução da poluição sonora; ajuda no conforto térmico local.”

Explica ainda que a plantação teve inicio na primeira semana de março de 2021, apesar de ter estado inicialmente prevista para dezembro de 2020. Devido ao agravamento da situação pandémica, a sua implementação no terreno tem sido sucessivamente adiada mas “o seu adiamento adicional comprometeria todo o projeto”. Isto porque a altura indicada para a plantação da Floresta é o inverno, de modo a evitar taxas de mortalidade das plantas muito elevadas. 

Aqui, o espaço onde está a nascer esta floresta em miniatura tinha, antes, relva pouco cuidada e que por isso absorvia muito pouco carbono, tinha pouca utilidade e pouca diversidade vegetal. Mas vai tornar-se numa floresta densa e multifuncional com mais de 600 plantas e um hotel de insetos.

Um hotel de insetos.

O projeto desenvolvido pela Faculdade de Ciências de Lisboa no âmbito da iniciativa europeia 1Planet4All, tem como objetivo criar uma mini floresta no campus da universidade e tornar este espaço num laboratório vivo, para que alunos e investigadores possam analisar o impacto desta alteração no ecossistema.

O 1Planet4All – Empowering youth, living EU values, tackling climate change — resulta de uma aliança de 14 organizações não-governamentais de toda a Europa que trabalham inclusivamente em alguns dos países mais frágeis do mundo afetados pelas alterações climáticas.

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