Na cidade

Esta empresa tem o primeiro escape room em Portugal usado para recrutamento

Na Merkle Portugal tudo é feito de forma original, sempre com descontração — e, acima de tudo, produtividade.
O efeito de jardim no escritório é notável.

Muitos dizem que o trabalho remoto é coisa do passado e são cada vez mais as empresas a abandonar esta solução que teve um boom na pandemia. Mas também existem os líderes visionários que implementaram a ideia muito antes do surgimento da Covid 19 — e mantêm-na como parte essencial dos resultados que obtêm. É o caso da Merkle Portugal, uma multinacional de consultoria na área da transformação digital.

“Desde 2016 que funcionamos com trabalho remoto. Faz parte do nosso modo de vida na empresa, com equilíbrio entre o aspeto profissional e a vida pessoal e interesses dos colaboradores. Isto é importante para as pessoas e não há receio de que se desviem do foco. Mantemos bons níveis de produtividade assim”, refere Jorge Conceição, diretor executivo da Merkle Portugal.

A empresa tem um escritório recentemente inaugurado no Parque das Nações, com capacidade para 200 colaboradores. Na Grande Lisboa, a empresa conta com cerca de 320 pessoas, mas o formato de trabalho híbrido permite ter um espaço dimensionado, garantindo áreas de convívio e lazer. No quarto piso do edifício Ageas, ocupa 1400 metros quadrados divididos entre duas áreas de escritório, salas de reuniões e um lounge com bar, zona para refeições e vários nichos onde é possível ter pequenas reuniões de forma descontraída. Existe até uma zona que replica um pequeno auditório onde se podem fazer apresentações.

“As pessoas não podem estar em permanência conectadas. Existe sempre o alimentar do espírito e da criatividade”, acrescenta Jorge Conceição, de 57 anos.

Mas o formato original de gestão da Merkle Portugal começa mesmo antes de se lá trabalhar. É que esta empresa tem um escape room que funciona como uma das etapas de recrutamento de novos colaboradores.

“É único no panorama empresarial português. A componente técnica é importante, mas é mais importante o potencial da pessoa e o que recolhemos com o desafio no escape room são indicadores de soft skills”, explica o diretor da empresa.

O escape room DELTA é o equivalente a um departamento de desenvolvimento de software avançado. Em equipas, de três a quatro elementos, os candidatos são confrontados com um ataque informático. Em conjunto, têm de descobrir as pistas que se encontram nesta sala e resolver os desafios, transformando-se em verdadeiros heróis na salvação da empresa. A equipa tem um período determinado para resolver o problema e, assim, “passar no teste”. Mas mais do que capacidades informáticas ou de programação, a Merkle Portugal utiliza o escape room para analisar outras características dos candidatos: trabalho em equipa, raciocínio, comunicação e gestão de stress é o que realmente importa saber.

Juntando esta avaliação aos conhecimentos já demonstrados noutras entrevistas, a empresa acaba por ter uma visão muito mais ampla das capacidades globais dos potenciais futuros de cada participante.

Já quem lá trabalha, pode usar este escape room para eventos de team building, fazer pausas divertidas nas quais é possível jogar uma partida de matraquilhos ou até competir no Batak Pro — um jogo interativo para testar o tempo de reação. O recorde do Guinness é de 58 toques em 30 segundos, e nesta empresa já existe um colaborador que consegue 56 no mesmo tempo. E há mais dispositivos do género previstos num futuro próximo. Pelo que vimos na visita à empresa, aqui a rotina não impera.

Para momentos mais calmos, é possível ouvir um podcast ou fazer um telefonema sentado num baloiço com vista para o rio Tejo ou então na praça da “Árvore da Vida”. Sim, este escritório tem uma imitação de uma praça lisboeta com calçada verdadeira. Uma pausa que parece levar os colaboradores para o exterior sem saírem do escritório. E a árvore que ali se encontra faz mais do que apenas decorar o espaço. Esta é uma verdadeira fonte de energia para carregar dispositivos.

Mas isto só é possível se os colaboradores se mantiverem em forma. A energia é acumulada na árvore graças ao movimento de duas passadeiras que estão em duas salas, com nomes criteriosamente escolhidos — Rosa Mota e Carlos Lopes —, viradas para a árvore, de onde é possível trabalhar numa standing desk ou fazer um telefonema enquanto se aumenta o número de passos diários.

Estas ideias criativas foram pensadas em conjunto pela própria empresa, com apoio da Silogia, responsável pela implementação projeto. A par disso, o espaço está desenhado para ser uma extensão de casa, com materiais bonitos e confortáveis, como cortiça, burel e azulejos tipicamente portugueses. Algumas das pequenas salas de reuniões são simplesmente uma sala de estar com um sofá e cadeirões onde é possível reunir de forma descontraída com clientes e parceiros.

“A Silogia orgulha-se de ter construído os novos escritórios da Merkle Portugal, numa estreita parceria e colaboração na definição de soluções, onde as sinergias resultaram na entrega de um espaço de excelência, dinâmico e inspirador, focado nos colaboradores e no seu bem-estar”, acrescenta Geraldo Miranda, diretor comercial da empresa de soluções de ambiente de trabalho.

Outra característica específica deste local é que não há lugares fixos. O escritório funciona com marcação, devendo cada colaborador reservar uma mesa no sistema interno. Hoje pode sentar-se com um grupo num lado e amanhã estar junto de pessoas de outro departamento na outra ponta da sala. Mesmo o diretor executivo, Jorge Conceição, não tem um gabinete. “Disse logo que queria ficar junto das minhas pessoas e marco mesa em diferentes sítios tal como os restantes colaboradores da empresa”.

Se isto não é um local de sonho para se trabalhar, então não sabemos o que será. Carregue na galeria para conhecer melhor os diferentes espaços deste escritório “do futuro”.

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Este artigo foi escrito em parceria com a Merkle Portugal.

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