Na cidade

Esta escola de Cascais tem os laboratórios mais cool do País

A fachada inspira-se no sistema molecular, desenhado em lajetas de betão, que replicam estruturas moleculares reais.
É um laboratório original (Foto: JM Figueiredo)

Quando a GGLLatelier ganhou o concurso para criar os dois novos laboratórios da escola secundária Matilde Rosa Araújo, em Cascais, recebeu liberdade total. Mas a liberdade veio com um senão — um “orçamento apertado” —, nota Gabriela Gonçalves, arquiteta responsável pelo concepção.

O projeto foi inaugurado a 17 de junho — e resultou num pavilhão de dois laboratórios com um ar moderno, minimalista e divertido. No interior nasceram dois laboratórios com 75 metros quadrados e uma sala de preparação. No exterior, a criatividade dos arquitetos tratou do resto.

“Era um valor bastante reduzido para a obra, que já incluía equipamentos. Começámos a pensar no que poderíamos fazer de diferente. Não queríamos fazer uma coisa banal”, explica à NiT sobre o projeto que nasceu de uma candidatura da Associação de Pais ao Orçamento Participativo da Câmara de Cascais. Havia 300 mil euros para concluir a obra.

“Chegámos a uma ideia que nos parecia ser divertida para um pavilhão de escola: trabalhar com o sistema molecular”, recorda. Inventaram então um sistema de lajetas de betão para forrar todo o edifício. Para quebrar a monotonia, abriram pequenos espaços vazios que representam estruturas moleculares reais — algumas delas abertas na zona das janelas.

“O que seria um edifício monolítico, cinzento, muito fechado, acabou por ficar com um ar muito diferente”, explica. “Queríamos também que as janelas não fossem evidentes e deram-nos uma lista de moléculas verdadeiras, brincámos com elas e fizemos um padrão que permitisse enquadrar as janelas no sistema.”

Os edifícios dos laboratórios da escola Matilde Rosa Araújo reproduzem estruturas moleculares (fotografia: JM Figueiredo).

Montar tudo foi “um puzzle complicadíssimo” e, feitas as contas, foram usadas perto de 1300 peças hexagonais. As que sobraram foram usadas de improviso nos jardins que rodeiam os laboratórios e criam percursos e bancos que podem ser usados pelos alunos.

Apesar de já ter experiência na criação de projetos escolares, a arquiteta de 52 anos admite que acaba por ser um processo “mais simples” do que os das casas, até porque aqui não é necessário “entrar na vida e hábitos das pessoas”.

No que toca às escolas, é cada vez mais evidente uma aposta em projetos diferenciadores, sobretudo na arquitetura. “As escolas modernizaram-se muito nos últimos 10 anos. Há muitos pavilhões diferentes, o parque escolar ajudou a que professores e diretores começassem a ver as escolas de uma forma um bocadinho diferente.”

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