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Está na moda encher a Serra da Estrela com mariolas — e isso é perigoso

Aqueles pequenos montes de pedras não têm uma função decorativa, servem para marcar caminhos. Perceberam?

“As pessoas acham que é um local místico, o Stonehenge de Portugal. Não é."

São apenas pedras empilhadas umas sobre as outras. É nisto que acreditam muitos turistas e caminhantes que, no meio de um passeio pela serra, os descobrem aparentemente perdidos no meio do nada. Se são tão giros e engraçados, porque não fazer outros iguais? Maiores, mais pequenos, não faz mal. São apenas pedras amontoadas umas em cima das outras, não servem para nada além de tirar fotografias para o Instagram.

Não é verdade. Estes pequenos montes de pedra, na realidade, chamam-se mariolas e são essenciais para garantir a segurança de quem percorre os trilhos das grandes serras. No passado serviam de marcos de orientação para os pastores, sobretudo em condições atmosféricas difíceis como neve ou nevoeiro. Tantos anos depois continuam por lá e não perderam a sua função — se os passear ovelhas já não é o que era, elas continuam a ser essenciais na marcação dos trilhos para os caminhantes.

As mariolas podem ter apenas duas ou três pedras ou chegar aos vários metros de altura. Estão colocadas em pontos altos, acima da vegetação, de forma a que de um se aviste o próximo.

Esta terça-feira, 5 de setembro, Luís Nunes, natural da Covilhã, partilhou um post no Facebook a explicar a importância das mariolas nas grandes serras, em particular na Serra da Estrela. E o alerta nunca é demais partilhar, porque criar supostas “mariolas” pode ser de facto perigoso.

Já que tanto insisto em mostrar-vos a Serra onde me sinto em casa, aproveito para fazer uma chamada de atenção, e um…

Publicado por Luis Nunes em Terça-feira, 5 de Setembro de 2017

À NiT, Luís Nunes explica porque é que fez esta publicação.

“Tinha acabado de fazer três horas de caminhada num trilho que é precisamente marcado só com mariolas. As marcas das rotas, como a Grande ou Pequena Rota, às vezes mal se vêem com a vegetação. Já as mariolas são mais altas. No final do trilho, de acesso ao Cântaro Magro, estava tudo cheio de montes de pedras. Não eram mariolas, eram apenas reproduções que não faziam qualquer sentido — e estragavam por completo a lógica do trilho.

“De repente começa a ser uma confusão, uma poluição visual absurda (…). Quando chego a um sítio e há lá 15 ‘mariolas’, estarem lá 15 ou não estar lá nenhuma é a mesma coisa”.

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