na cidade

Estas grutas secretas têm uma lagoa azul linda — mas não se aproxime, são perigosas

Ficam nas Minas de Queiriga, distrito de Viseu. Já estiveram abertas ao público mas foram vandalizadas.
Um local incrível e bem secreto.

São um dos segredos mais bem guardados de Portugal, uma das maravilhas escondidas do País — mas estão ao abandono. Em Queiriga, Vila Nova de Paiva, distrito de Viseu, umas antigas minas escondem umas incríveis grutas com uma enorme lagoa azul, banhada pelo sol. O espaço já esteve arranjado e aberto para visitas, mas foi vandalizado e assim ficou: acessível a todos mas perigoso, com visitas desaconselhadas e tecnicamente proibidas. Contudo, tudo isso poderá mudar em breve.

As minas da Queiriga, também conhecidas como minas de Lagares, foram alvo de exploração no início do século passado, estando já desativadas para esse efeito há décadas. Aqui se extraía sobretudo volfrâmio e óxido de estanho, tendo a sua atividade sido responsável por um impulso à região, que estagnou quando a extração terminou.

Agora, o turismo poderia ser a pérola de toda esta região, poderia torná-la num destino imperdível, mas tem faltado tempo, dinheiro e consensos.

A beleza natural das grutas é praticamente única: há espaços a céu aberto, com o sol a entrar, verdadeiras clarabóias sustentadas por enormes colunas naturais, ajudadas pela engenharia mineira. As pequenas grutas vão sendo separadas por estas colunas.

A água da maior lagoa é mesmo azul e a cor fica ainda mais intensa quando o sol lhe bate diretamente, normalmente pela hora do almoço.

O acesso não é incrivelmente difícil mas pode ser perigoso, devido a zonas de potencial resvalamento e sobretudo à ausência total de vigilância e de estruturas próprias para o efeito. E o mais incrível é que tudo isto já existiu ali.

“Gastámos mais de 200 mil euros”, adianta à NiT fonte da Felmica Minerais Industriais, a empresa que concessiona as minas, mesmo depois de desativadas.

“Chegámos a vedar, marcar, colocar luzes sobre a lagoa, para que estivesse sempre iluminada”, explica a mesma. Até um posto de informação havia.

As minas têm, admite fonte da Felmica, “um potencial turístico enorme”. “Nós sabemos, por isso fizemos o investimento, para que todos pudessem visitá-las”, adianta.

Nos últimos dez anos, o vandalismo e a pilhagem levaram tudo: as luzes, os sinais, as marcas e não houve novo investimento. Vieram os incêndios e a situação piorou.

“Estamos há anos em conversações com a Câmara De Vila Nova de Paiva, para tentar criar um programa de exploração turística, um protocolo, porque isto tem de ser uma coisa em conjunto. Nós é que exploramos, sim, e até temos disponibilidade para voltar a investir e a explorar as minas. Mas tem de haver apoio das autoridades, algum protocolo, vigilância permanente, porque isso não conseguimos”, justifica.

As negociações prosseguem, mas “entre mudanças de executivo, a coisa ficou um pouco suspensa”, adianta fonte da Felmica.

Como estão, as minas não são visitáveis, diz ainda a concessionária. “Tecnicamente, aquilo é propriedade privada. Se acontece alguma coisa a alguém, é um problema”, reitera.

À NiT, a Câmara diz o mesmo, que as minas não estão, de momento, “dotadas de meios para serem visitadas”. Já a Junta de Freguesia de Queiriga explica que, tecnicamente, toda a gente pode visitar as minas quando entender, tendo em atenção que elas estão situadas em terrenos pertencentes a particulares e mantendo os cuidados de segurança.

Na Internet e redes sociais, comenta-se como um espaço com esta beleza seria motivo de visita a países no estrangeiro, e, estando em Portugal, não é acessível.

Se quer conhecer este tesouro perdido no interior norte do País, tem de esperar mais um pouco. E, enquanto isso, pode ver as incríveis fotos, tiradas por quem já visitou o local.

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