Na cidade

Este baloiço celebra o renascimento de uma aldeia que esteve cercada pelas chamas

O Baloiço de Santa Cristina nasceu um ano depois, e no mesmo local, onde um incêndio quase destruiu uma aldeia.
Fica na Mealhada.

Um ano depois do “incêndio que inquietou os nossos corações”, surge um espaço renovado e com um novo encanto. É assim que o Grupo Cénico de Santa Cristina, o mais antigo grupo de teatro do concelho da Mealhada — com 39 anos —, apresenta o seu contributo para dinamizar a região: um baloiço que é a mais recente atração turística da sua aldeia.

Nas eiras da Lapa, em Santa Cristina (freguesia de Vacariça), fica o novo Baloiço de Santa Cristina, inaugurado no final de setembro. Sete jovens decidiram dar um impulso à região, fora das habituais peças, atividades recreativas, desportivas e de valorização do património.

Segundo explica Inês Duarte, um dos elementos, à NiT, com o confinamento o grupo teve de cancelar ou adiar as atividades que tinha planeadas e pensar em novas ações para se manterem ocupados e dinamizarem a população e a região. “Começámos por criar um canal no YouTube onde fomos colocando excertos das peças que já apresentámos. Pensamos também em fazer atividades que não fossem com público mas para que toda a gente poder usufruir, como limpar, cuidar e recuperar os espaços verdes da nossa pequena aldeia”, explica a jovem.

Foi assim que surgiu a ideia de construir um baloiço. Erguido num local muito especial. “Em setembro do ano passado a nossa aldeia esteve rodeada de chamas. Felizmente, as perdas foram só materiais, mas ficamos muito tristes com a forma como o fogo consumiu toda a nossa floresta envolvente, alterando a paisagem”.

As chamas andaram por perto.

A recuperação e o local, um dos que chegou a estar ameaçado pelo incêndio, ganha assim mais simbolismo. “Escolhemos um ponto bem alto na aldeia, onde reina o silêncio e com a luz mais bonita quando o sol se está a pôr”, explica Inês.

De seguida, o centro teatral criou um grupo no Whatsapp para poder dar ideias e planear aquela obra, uma vez que não podiam ainda, com o estado de emergência, fazer sequer reuniões presenciais.

Assim que conseguiram, puseram mãos à obra e construíram o baloiço. A adesão foi imediata e as vistas, dizem as primeiras críticas, são arrebatadoras. Mas o grupo vai continuar: “A ideia é continuar a decorar o espaço pois ainda nos falta concretizar várias ideias”.

Para lá chegar, pode inserir a freguesia no Google Maps, sabendo no entanto que este ponto cénico fica a pontos quilómetros da Mealhada.

Este ano de 2020 é, além de muitas outras coisas, o ano dos baloiços em Portugal: eles são uma das novas grandes modas, recurso quase infalível das autarquias e juntas para dar aquele motivo extra às pessoas de conhecerem e visitarem uma região. Além de lindos e com vistas perfeitas, enchem as redes sociais de fotos que funcionam como uma espécie de bilhetes postais da região — e o turismo agradece.

Recentemente, abriu um destes locais maravilhosos na Serra da Boneca, com vista para o Rio Douro — tal como a NiT lhe contou. Para quem não conhece, há outros dois baloiços panorâmicos com uma história semelhante e até mais antigos — e que também foram criados por jovens para valorizar as suas terras. Neste caso, são espaços irmãos entre si, ou seja filhos do mesmo projeto e próximos um do outro.

Falamos do Baloiço do Trevim e do Baloiço do Burgo. Os mesmos que inspiraram uma jovem a criar o Baloiço do Talegre, na freguesia e Serra de Alburitel, no concelho de Ourém; e em junho o de Penedros da Cabeça.

O Baloiço de Santa Cristina.

Mas continuou: em julho, abriu o Baloiço do Mezio, na Serra do Soajo; no mesmo mês, nasceu o Baloiço de São Silvestre, em Mesão Frio; e ainda o Baloiço CerLove em Vila Nova de Cerveira — que até motivou filas épicas, semanas depois.

E se julho foi forte, o que dizer de agosto? Neste mês, abriu o Baloiço do Sobreiro, junto ao Miradouro do Talegre, em Moncorvo; no mesmo mês foi conhecido o Baloiço d’As Antas P’ro Mondego; também o Baloiço da Carriça, em Arganil; e o da Ponte do Canal na freguesia de Abragão, Penafiel.

E ainda o Baloiço da Pateira do Carregal, idealizado e criado pela associação de amigos do parque com o mesmo nome, em Requeixo, Aveiro. Já em setembro, abriu em São João da Fontoura, Resende, o Baloiço da Senhora da Guia; e na Batalha, o Baloiço da Barrozinha.

Além disso, a moda já não se fica só pela natureza. Depois de chegar a um restaurante na Ericeira, há agora até um baloiço numa clínica no Porto.

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