Na cidade

Este novo miradouro sobre a serra é arrebatador — e vem com dois baloiços

Os baloiços estão virados a nascente e poente, para que não perca nada. O miradouro é vertiginoso e incrível.
É incrível (imagem da CM Celorico).

Quando uma freguesia tem a sorte de ter nascido no parque natural da Serra da Estrela, com vistas de tirar a respiração para o Vale do Mondego, há que aproveitar e que mostrar ao mundo.

Foi isso que fez a junta de freguesia que nasceu da união das aldeias portuguesas de Rapa, Cadafaz e Soutomoninho. Criou não um, mas dois baloiços — na verdade quatro, já que cada estrutura é dupla. Em lados opostos de um ligeiro planalto, para que observe versões distintas da mesma paisagem, mas com a mesma beleza. E criou depois um miradouro, com uma estrutura suspensa, que lhe dá uma vista arrebatadora sobre os cenários naturais da região.

A União das Freguesias de Rapa e Cadafaz pertence ao concelho de Celorico da Beira, no distrito da Guarda. Inserida na Serra da Estrela e com vistas incríveis por onde quer que se olhe, foi natural para a junta local ter a ideia, no final deste verão, de colocar dois baloiços na Serra da Lomba: encostados ao marco geodésico da Rapa a uma altitude de 990 metros.

Um baloiço foi colocado virado para o lado nascente, com uma vista de sonho para o Vale do Mondego; o outro está virado para o lado de Celorico da Beira. Cada estrutura é de dois lugares e podem ser usados de costas ou de frente um para o outro, cada um no extremo de um ponto alto desta serra; a ver o nascer ou o pôr do sol.

Segundo explica à NiT Nuno Xavier, secretário da junta, a ideia e a execução pertenceram à união de freguesias, com o apoio da câmara de Celorico e um objetivo comum: chamar a atenção — e atrair visitantes — para aquelas incríveis paisagens.

Imagem de Sérgio Caetano.

Além da construção dos baloiços — e do miradouro, mas já lá vamos — houve todo um trabalho de marcação de placas, limpeza e arranjo, mas os objetivos foram conseguidos de imediato.

“Os baloiços abriram a 13 de setembro e têm tido muita gente, sobretudo ao fim de semana. Tem sido algo de incrível”, explica este responsável à NiT.

Mas as pessoas não vão só pelas vistas e pela sensação de voar sobre o vazio (além das fotos perfeitas) que os novos Baloiços da Rapa lhes proporcionam. É que ali ao lado, também na Serra da Lomba, foi criado um novo miradouro virado para o Vale do Mondego e para a cidade da Guarda, com uma visão limpa da região da Serra da Estrela.

A vista do Miradouro da Rapa é absolutamente desafogada e única, tendo até já motivado a ida de “dois professores da Geopark para ver se pode ser tornado utilidade pública nacional”, diz Nuno Xavier. O miradouro, inaugurado a 22 de setembro, fica acima dos mil metros e para melhorar tudo é como que suspenso na rocha; e ainda tem de atravessar uma plataforma de ferro suspensa para lá chegar. 

Como se isto tudo não bastasse, a junta desenhou entretanto “duas asas enormes num barroco gigante” que serão as asas da Rapa e permite a quem lá vai tirar fotos incríveis. 

Para chegar a todas estas novidades, só tem de inserir no GPS o marco geodésico da Rapa; mas saiba que está a 13 quilómetros de Celorico da Beira e poucos mais da Guarda.

Recorde-se que este ano de 2020 é, além de muitas outras coisas, o ano dos baloiços em Portugal: eles são uma das novas grandes modas, recurso quase infalível das autarquias e juntas para dar aquele motivo extra às pessoas de conhecerem e visitarem uma região. Além de lindos e com vistas perfeitas, enchem as redes sociais de fotos que funcionam como uma espécie de bilhetes postais da região — e o turismo agradece.

Recentemente, abriu um destes locais maravilhosos na Serra da Boneca, com vista para o Rio Douro — tal como a NiT lhe contou. Para quem não conhece, há outros dois baloiços panorâmicos com uma história semelhante e até mais antigos — e que também foram criados por jovens para valorizar as suas terras. Neste caso, são espaços irmãos entre si, ou seja filhos do mesmo projeto e próximos um do outro.

Falamos do Baloiço do Trevim e do Baloiço do Burgo. Os mesmos que inspiraram uma jovem a criar o Baloiço do Talegre, na freguesia e Serra de Alburitel, no concelho de Ourém; e em junho o de Penedros da Cabeça.

Mas continuou: em julho, abriu o Baloiço do Mezio, na Serra do Soajo; no mesmo mês, nasceu o Baloiço de São Silvestre, em Mesão Frio; e ainda o Baloiço CerLove em Vila Nova de Cerveira — que até motivou filas épicas, semanas depois.

E se julho foi forte, o que dizer de agosto? Neste mês, abriu o Baloiço do Sobreiro, junto ao Miradouro do Talegre, em Moncorvo; no mesmo mês foi conhecido o Baloiço d’As Antas P’ro Mondego; também o Baloiço da Carriça, em Arganil; e o da Ponte do Canal na freguesia de Abragão, Penafiel.

E ainda o Baloiço da Pateira do Carregal, idealizado e criado pela associação de amigos do parque com o mesmo nome, em Requeixo, Aveiro. Já em setembro, abriu em São João da Fontoura, Resende, o Baloiço da Senhora da Guia; e na Batalha, o Baloiço da Barrozinha. Em Santa Cristina, Mealhada, nasceu já este mês um baloiço celebra o renascimento de uma aldeia que esteve cercada pelas chamas: o Baloiço de Santa Cristina; e depois o Baloiço de Alvaiázere, no distrito de Leiria.

Além disso, a moda já não se fica só pela natureza. Depois de chegar a um restaurante na Ericeira, há agora até um baloiço numa clínica no Porto.

 

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