Na cidade

Este português tira fotografias virais que mostram o mundo de maneira diferente

Com uma nova perspetiva ou ângulo, criam-se ilusões surreais e incríveis. Um Instagram e uma história que vale a pena conhecer.
A "nova" Torre de Belém.

É um conselho simples e que pode ser útil em tempos de crise ou de dificuldades: às vezes, quando não conseguimos encontrar a solução para um problema, só temos de nos afastar dele e de mudar a perspetiva.

Isso pode também ser aplicado ao maravilhoso mundo da fotografia, onde a importância dos ângulos e das perspetivas são gigantes: e “brincar” com eles, saber usá-los de maneiras diferentes com arte e mestria pode criar resultados incríveis, ilusões de ótica surreais, imagens absolutamente virais — ou, como no caso das imagens deste fotógrafo português, tudo isto combinado.

Hugo Suíssas tem 31 anos e é lisboeta de nascença, embora viva atualmente na Alemanha, onde trabalha como diretor de arte numa agência de comunicação. 

A fotografia começou por ser um hobby mas acabou nos últimos tempos, dado o impacto que as suas imagens criaram, por se cruzar também com a sua carreira profissional, levando-o a dar palestras, fazer parcerias, até surgir nas notícias mundiais — como recentemente no “Bored Panda”, que destaca o trabalho do fotógrafo português.

“Ele transforma pontes e paisagens simples em lugares surreais e fantásticos, e itens como chaves, frutas e brinquedos infantis em adereços mágicos. Cada fotografia tem uma história e uma ideia diferentes. Elas ajudam-nos a ver o mundo monótono e entediante ao qual estamos habituados, de uma maneira nova e mais divertida”, escreve a publicação.

E é mesmo essa a magia: Hugo mostra-nos o mundo de sempre, num novo ângulo ou perspetiva, de forma divertida mas que também pode levar à reflexão ou ser até educativa — cada vez mais em tempos de pandemia, mas já lá chegaremos.

Tudo isto começou, explica-nos o lisboeta, há cerca de oito anos, em 2013. A ideia de abrir um perfil no Instagram surgiu porque na altura um amigo de Hugo já fotografava e a comunidade desta rede de imagens em Portugal estava a começar e a crescer. “Isso suscitou curiosidade em mim, para entrar neste maravilhoso mundo da fotografia”, conta.

Era então um hobby ao início, até deixar de o ser. Muito por “culpa” do impacto que as suas imagens, tiradas nas tais perspetivas diferentes, começaram a ter em todo o mundo. Inspirado por “saber que ainda há muita coisa para criar e por ser feita”, Hugo diz que tinha como objetivo criar coisas que nunca antes foram feitas e mostradas, neste planeta ou noutro qualquer da galáxia: “é isso que me move. E se possível, fazer chegar e demonstrar as minhas ideias e mensagens ao mundo inteiro”, adianta.

As técnicas utilizadas não são complexas, revela-nos: “todas as fotografias que tiro são com o telemóvel e por vezes uso recursos a softwares de edição de imagem. Para mim não existem estilos, mas sim intenções”, reforça.

Quanto às escolhas dos sítios, Hugo diz não ter grandes critérios. “O que vem em primeiro lugar é a ideia e depois logo decido onde vai ser fotografado. Se a ideia for boa até numa parede feia vai funcionar. A ideia vence isso tudo”, adianta.

No meio do seu percurso, houve uma história insólita que acabou por marcar esta sua caminhada: uma foto de um iate, tirada num minuto, que viralizou, não necessariamente pelos melhores motivos. “Demorei menos de um minuto para tirar esta fotografia. Uma semana depois, este Iate tornou-se viral no Brasil, e ao mesmo tempo essa imagem transformou-se num ícone machista. Porque o website 9GAG e a população brasileira começaram a partilhar memes, como “Comprei um Iate, quase apanhei da minha mulher”, e começou a espalhar-se mais e mais para outros países, conta.

De resto, a reação das pessoas às suas imagens é, na generalidade, boa. “Penso que esteja a ser boa e é sempre gratificante receber esse apoio das pessoas. Mas ao mesmo tempo é algo que não gosto de me focar muito, porque prefiro gastar o meu tempo em criar fotografias e projectos relevantes do que estar a avaliar o feedback do público em geral”, explica o criativo.

E adianta: “eu acho que esta história dos likes, dos seguidores, dos views… etc só estragam o foco dos artistas no processo de criação. Eu vejo artistas que se preocupam mais com os likes que têm na foto que publicaram do que com o conteúdo que estão a criar”.

Em 2020, ano de pandemia, a criatividade de Hugo não ficou parada. “O confinamento até me tem feito bem e trazido coisas positivas. Tornou-me mais produtivo e trouxe-me mais tempo para pensar sem pressão e prazos”, conta.

E da pandemia em si, até surgiu uma ideia, mais recente: acabou de criar o projecto “Vaccine Towers”, que foi destacado em vários países e Hugo espera que continua por muitos mais. Trata-se de uma campanha mundial de consciencialização sobre a vacinação contra o coronavírus, com a esperança “de que possamos nos livrar deste vírus o mais rápido possível”.

“Estamos a atingir o pico da campanha de vacinação contra o vírus Covid-19. De Nova Iorque a Berlim, este projeto lembra as pessoas que só podemos erguer-nos de novo, se todos formos vacinados. Para já estou a gerir este projecto “Vaccine Towers” e a dedicar-me a 100% com o objetivo de impactar e de fazer chegar a mensagem ideal e visual a todo o mundo”, explica.

“O que me fez chegar a esta ideia das Vaccine Towers foi a necessidade de ajuda urgente que a população mundial está a precisar neste preciso momento devido à pandemia. Esta urgência fez-me levantar do sofá e agarrar-me a uma folha branca e um lápis. Eu sou capaz de ser a pessoa mais distraída do mundo, mas ao mesmo tempo muito atento aos pormenores, é por isso que descobri que o topo dos prédios parecem agulhas de seringas. E foi através dessa observação e associação que somei 1 + 1 e criei as “Vaccine Towers” para consciencializar as pessoas que só vamos poder erguer-nos de novo, se elas quiserem ser vacinadas”, concluiu.

Quanto à sua imagem favorita, das milhares que já tirou, Hugo diz à NiT que, na verdade, ela ainda está para vir. Será “a do sorriso na cara das pessoas quando todos podermos voltar à rua, a abraçar, a beijar, a conversar e a vaguear. Esta acho que vai ser a minha imagem favorita de todos os tempos”.

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