Na cidade

“Desrespeito contra a natureza.” Exposição que pintou plantas foi mesmo cancelada

A instalação artística do BragaParque, assinada por Giacomo Cossio, pintou totalmente 230 plantas. Não durou mais de dois dias.
A exposição durou dois dias.

Mais de 200 plantas totalmente pintadas, umas de rosa, outras de azul. A exposição tomou conta dos corredores do centro comercial BragaParque na segunda-feira, 13 de maio. Dois dias depois, a gestora do espaço anuncia a remoção da instalação, depois de se ter gerado uma enorme polémica nas redes sociais.

A exibição ContraNatura tem a assinatura do artista italiano Giacomo Cossio, que se descreve como um apaixonado defensor do ambiente que procura “oferecer uma experiência visualmente deslumbrante”. A exposição, que foi criada em 2017 e que já percorreu inúmeras cidades italianas, não cai bem a alguns ativistas.

Nas redes sociais criticou-se a decisão de pintar as plantas, descrita como um “desrespeito para com a natureza”, sobretudo porque a tinta impede as plantas de fazer a fotossíntese. Entre os muitos críticos da decisão está Sofia Manuel, conhecida no Instsgram por Tripeirinha, onde tem mais de 194 mil seguidores,  que se descreve como uma “engenheira civil que virou jardineira. A jovem faz parte do grande grupo de contestatários e publicou mesmo um vídeo onde lamenta toda a situação. ” Farta de desrespeito gratuito e continuo à nossa causa. Farta da bandeira sustentabilidade hasteada quando não lhes pertence”, lê-se na descrição.

Sofia disponibilizou-se ainda a dar a sua ajuda para “minimizar o impacto criado, seja na ajuda para a imediata realocação das plantas e distribuição pelas diferentes associações, assim como ajuda na sua recuperação”. Manter o que está a acontecer é só uma completa loucura”, termina. Certo é que os protestos surtiram efeito e a gestora do centro comercial optou por dar por terminada a exibição.

“Após uma cuidadosa reflexão e considerando os apelos da comunidade — que tanto preza —, tomou a decisão de cancelar a exposição ContraNatura”, lê-se no comunicado. “Acreditando que esta mostra seria mais uma iniciativa para transmitir uma mensagem em prol do ambiente, o centro comercial reconsiderou, avaliou criteriosamente todos os detalhes do processo, pediu pareceres e optou pelo término da mesma.”

O grupo adiantou ainda que daria início a uma “ação de preservação das plantas”, com o apoio da Sofia Manuel e da empresa Arvorena, especializada na manutenção de jardins e espaços verdes. A doação mantém-se tal como prevista inicialmente.

Em resposta às inúmeras contestações, o BragaParque assegurou que as plantas tinham sido supervisionadas “por especialistas em ambientes controlados com todas as condições para crescerem saudáveis”. No final, seriam doadas a instituições locais em Braga. 

 

 

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