Na cidade

As famosas jacarandás já começaram a invadir as ruas de Lisboa

As árvores das cores lindas e do cheiro estranho já estão por toda a cidade. A NiT conta-lhe tudo sobre esta árvore que só aparece no final da primavera.
Aparecem no final da primavera. Foto: Ricardo Fernandez.

Odiadas por uns e adoradas por outras, as famosas jacarandás voltam a encher as ruas lisboetas cheias de cor neste final de primavera. Incrivelmente bonitas e fotogénicas, estas árvores que se destacam pelas flores roxas são um sucesso nas redes sociais todos os anos. 

Apesar de deixarem a cidade mais colorida, existem várias desvantagens. O piso fica pegajoso, deitam um cheiro e até são responsáveis por uma espécie de piolhos que se espalham pela cidade. É precisamente por causa do cheiro e dos vestígios que deixam que há quem não suporte estas árvores em flor. Por outro lado, é praticamente impossível resistir à beleza destas jacarandás e até a própria Câmara Municipal de Lisboa já as partilhou no Instagram.

As jacarandás são originárias do Brasil e entraram em Portugal por opção do Jardim Botânico por causa da sua beleza e características particulares. São elas que anunciam a primavera e o verão, e quando as folhas caem deixam um manto roxo que passou a ser conhecido por Purple Rain — como a música de Prince. 

Em Portugal, só sobrevivem em zonas abaixo de Lisboa, uma vez que o ADN tropical não tolera o frio de maneira nenhuma. As folhas destas árvores enchem Lisboa todos os anos a partir de finais de abril ou maio e pintam de roxo as suas ruas até ao final do verão.

No entanto, esta não é a única altura do ano em que as pode ver. No Parque das Nações, por exemplo, existe um Jardim de Jacarandás que está aberto durante todo o ano. E a cidade de Pretória, na África do Sul, é chamada a cidade dos jacarandás. Por ser tropical, esta é uma árvore que por cá anda em contra ritmo das outras: dá as primeiras flores quando as restantes já estão cobertas. Antigamente também se bebia o líquido que sai destas flores. 

As jacarandás vieram para Lisboa no início do século XIX, por ordem do Jardim Botânico da Ajuda, por serem bonitas e diferentes de tudo o que existia no País naquela altura. Quando chegaram, os botânicos tinham sérias dúvidas de que elas se adaptassem ao clima da cidade.

Segundo a Câmara de Lisboa explicou à NiT em 2019, a época de floração dos “Jacaranda mimosifolia” depende das condições meteorológicas, mas ela começa normalmente em maio ou meados de junho. Por vezes apresentam uma segunda floração em setembro, “embora seja mais raro e nunca tão exuberante como a de primavera/verão”.

As localizações mais emblemáticas desta espécie em Lisboa, sobretudo por terem muitos exemplares adultos, são a Avenida Dom Carlos I, início da Alameda Edgar Cardoso (do Marquês para cima), Campo Pequeno (no jardim, destacam-se dos plátanos fazendo um efeito muito bonito), Avenida da Torre de Belém, Avenida do Restelo, Avenida das Descobertas, Avenida 5 de Outubro e Avenida 24 de Julho.

A parte má da história é que os jacarandás podem ser atacados por piolhos na primavera. Se estes ataques acontecerem em árvores muito jovens podem conduzir ao enfraquecimento geral, pois dizimam as folhas rapidamente e os exemplares jovens demoram a recuperar. E sim, há várias queixas na CML por causa dos jacarandás.

“As reclamações chegam sobretudo na época de floração quando a flor começa a cair e torna os pavimentos muito sujos e com um cheiro eventualmente desagradável”, diz a autarquia.

Em boa verdade, os pavimentos não ficam apenas sujos. Eles ficam com uma espécie de cola que se agarra às solas dos sapatos. Nas zonas mais movimentadas, como as Avenidas Novas, o mau cheiro é também um enorme motivo de desconforto para os clientes que ficam nas esplanadas. E há ainda um terceiro factor que irrita alguns lisboetas: as folhas dos jacarandás são um verdadeiro pesadelo para as pessoas que sofrem de doenças respiratórias, como rinite alérgica.

Seja como for, e com mais ou menos queixas, os jacarandás vão mesmo manter-se em Lisboa. Por isso o melhor é controlar os nervos, respirar fundo e tirar o telemóvel ou a máquina para eternizar as árvores em flor numa fotografia.

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