Na cidade

Foram mesmo tornados que assustaram Lisboa e Silves

Apesar dos muitos registos, ainda não havia confirmação oficial, que chega agora por parte do IPMA.
Está confirmado.

Precisamente uma semana após Portugal ter assistido a dois fenómenos extremos de vento na bacia do rio Tejo e em Silves, em Faro, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) confirmou esta quinta-feira, 4 de abril, as suspeitas iniciais: foram efetivamente tornados. Na altura, apesar das fotografias e vídeos mostrarem uma coluna de ar a girar, não existia a certeza de serem realmente tornados.

O IPMA afirma que o fenómeno “ter-se-á iniciado sobre a água do estuário do rio Tejo, já a este da Ponte Vasco da Gama”, entre as 14h21 e as 14h24. Não são conhecidos os efeitos de destruição associados ao mesmo, “pelo que não é possível estimar a sua intensidade”.

“Com uma advecção de 23 metros por segundo (83 km/h) na direção es-nordeste, a supercélula (SC) cruzou todo o sul da cidade de Lisboa, entre a zona de Belém e a zona oriental da cidade, onde se situada pelas 14h17, já próximo da Ponte Vasco da Gama”, refere o instituto. Passado 10 minutos, já era perfeitamente visível sobre os terrenos sedimentares do estuário do Tejo.

Já no que diz respeito ao episódio de vento forte que atingiu Benaciate, freguesia de São Bartolomeu de Messines, no concelho de Silves, chegou a confirmação de que “a ocorrência esteve associada a um tornado”. “Pelas 17h07 situava-se ainda sobre o mar, localizando-se nas proximidades de Lagoa (concelho de Lagoa) 10 minutos após. Com uma advecção de 22,5 metros por segundo (81 km/h) na direção es-nordeste, pelas 17h27 situava-se próximo do local de onde foi reportada a ocorrência e 10 minutos mais tarde já se encontrava após a autoestrada A2”, explica o IPMA.

O tornado registo no Algarve destruiu duas casas pré-fabricadas, danificou outras habitações e causou a queda de árvores de grande porte que acabaram por danificar viaturas, queda de postes de telecomunicação e de energia. 

Devido às mudanças climáticas, Portugal deve preparar-se para mais e piores fenómenos extremos como o que causou inundações em Lisboa, segundo o vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). “Temos que preparar as cidades, territórios e infraestruturas para esta nova realidade, para viver com picos de precipitação, longos períodos de seca e ondas de calor”, disse Pimenta Machado, citado pela CNN Portugal. 

O dirigente defendeu ainda a implementação do plano geral de drenagem em Lisboa, que vai drenar as zonas de mais vulnerabilidade. O plano, no valor de 130 milhões de euros, prevê a construção de dois túneis de drenagem de excesso de água das chuvas para o rio Tejo, um com cinco quilómetros entre Campolide e Santa Apolónia e outro de um quilómetro, de Chelas ao Beato.

 

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