Na cidade

Foz do Cobrão: o paraíso escondido para dar os mergulhos mais incríveis deste verão

Numa zona de aldeias de xisto, ribeiras, história, banhos, pode passar umas férias diversificadas e imersas na natureza.

“Paraíso encontrado”, escreve-se nas redes sociais. Perto da aldeia de xisto de Foz do Cobrão, a 49 quilómetros do Marvão, pode passar umas férias de campo, história, descanso e banhos com muito por fazer: desde visitar as Portas do Almourão, um geosítio reconhecido pela UNESCO, a caminhar, explorar e dar uns bons mergulhos pelo caminho.

É aqui que fica a Zona Balnear da Foz do Cobrão, nas margens do ribeiro do Cobrão. É uma zona balnear que não se encontra classificada como praia fluvial, mas é frequentada por centenas de pessoas durante o período de verão. Dadas as atuais limitações em tempo de pandemia o número de pessoas aconselhado no local não deve ultrapassar as 80 em simultâneo, mas pode sempre apostar nas manhãs, mais calmas, para descobrir este espaço incrível.

É que a refrescante área foi, ainda por cima, requalificada recentemente. Segundo a “Beira Baixa TV”, para responder ao aumento da procura turística da aldeia e a melhorar as condições de conforto e segurança dos visitantes, o espaço foi alvo de uma intervenção que contemplou a criação de infraestruturas de apoio (balneários, bar, espaço para equipamentos de salvamento), parque de estacionamento, acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida, espaços verdes e a disponibilização de mesas, bancos e papeleiras.

De acordo com a Lusa, em fevereiro deste ano, a Câmara de Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, investiu cerca de 314 mil euros nesta valorização paisagística da zona balnear da Foz do Cobrão, que pode agora descobrir novinha em folha.

“Trata-se de uma obra de extrema importância para o concelho [Vila Velha de Ródão] e que vem no seguimento de uma primeira intervenção, que passou pela recuperação do antigo açude e de muros degradados e permitiu criar uma zona balnear que tem sido alvo de grande procura por parte da população local e da região”, explicava então o presidente do município local, Luís Pereira.

Tal como foi divulgado, os trabalhos iniciaram-se no final de 2019 e vieram beneficiar esta zona balnear do concelho de Vila Velha de Ródão, com a construção de um edifício destinado a serviço de bar, com esplanada e sanitários, assim como a criação de uma área de merendas e de um largo com estacionamento, de modo a proporcionar melhores condições de conforto a quem utiliza aquele espaço.

A intervenção incluiu o aproveitamento das estruturas construídas em 2017, que proporcionaram a formação de um plano de água com potencial para a constituição de uma praia fluvial, a instalação de mobiliário urbano no local e de sinalética adequada, assim como a plantação de espécies arbóreas e arbustivas.

Foi ainda contemplada a criação de uma ligação pedonal entre a zona balnear e o Núcleo Museológico do Linho e da Tecelagem, através de um passadiço.

Já sabe então onde pode ir para conhecer um recanto ainda secreto para muitos. E o melhor é que há muito mais na região, para ver e fazer. Segundo fonte do recém criado projeto “Terras de Oiro” à NiT, se o Tejo e as Portas de Ródão, com a deslumbrante paisagem que os envolvem, são já uma imagem de marca do concelho, a verdade é que “há um riquíssimo património ainda à espera de ser desvendado pelo grande público”.

A riqueza que podemos encontrar, diz este grupo, vai desde a gastronómica, com o azeite, o mel, a bolaria tradicional, não esquecendo o presunto, os queijos ou o vinho, até à riqueza natural, com uma paisagem deslumbrante, com caminhos e recantos únicos, passando ainda pela riqueza cultural, onde a história do azeite se cruza com a história do concelho.

Foi em 2020, em plena pandemia, que nasceu este projeto Terras de Oiro, uma plataforma online que agrega o que de melhor o concelho tem e que permite uma visita virtual, de modo que se prepare da melhor maneira maneira possível a sua experiência.

Através do site, já pode conhecer a oferta turística da região, agendar alojamento, restaurantes, visitas, experiências, e, claro, adquirir os melhores produtos gastronómicos.

Existe ainda o posto de turismo da região onde é possível ficar a conhecer melhor a oferta, planear e agendar as visitas e comprar os produtos regionais Terras de Oiro.

Quanto à visita em si, o grupo explica à NiT por onde pode começar: nomeadamente, escolhendo um dos sete percursos pedestres que rodeiam o concelho. “São muitos e variados e destacamos três, no entanto, aconselhamos a que tenham início cedo, por volta das 7h30 da manhã, para evitar as horas de maior calor”, explica o Terras de Oiro.

Posted by Beira Baixa TV on Sunday, June 6, 2021

Um dos melhores percursos é o Caminho das Virtudes. Com vista para as Portas de Ródão e com um contexto geomorfológico especial, as paisagens deste percurso mostram a beleza de toda a região. O percurso VVR2 Caminho das Virtudes deve o seu nome à Fonte Termal das Virtudes, com propriedades medicinais reconhecidas e valorizadas pelas populações da região.

Inicia-se na aldeia de Vilas Ruivas, vagueando pelo Vale do Lameirão e em contacto com um terraço fluvial. É possível observar e visitar a península da “Ilha das Virtudes” e mesmo antes de iniciar a subida até à aldeia, pode aproveitar um pequeno caminho para visitar a Fonte Termal, associada à Falha do Ponsul, que é uma das falhas responsáveis pelo soerguimento da Cordilheira Central Portuguesa. Voltando ao percurso por caminhos rurais com vestígios de agricultura, deve-se visitar o monumento funerário megalítico do Cabeço d’Ante, com cerca de 5.000 anos.

A realização deste percurso pode ser feita por famílias com crianças.

Se preferir, opte pelo Caminho da Telhada. Assente numa plataforma aplanada, correspondente ao terraço mais antigo do rio Tejo, formado há cerca de um milhão de anos, este percurso pedestre Telhada atravessa um território de importância histórica. Situado na localidade de Perais e com belas vistas panorâmicas para o rio Tejo, este percurso é considerado por muitos como o mais bonito de Vila Velha de Ródão.

O percurso mostra a utilização de caminhos rurais, ladeados por paredes de xisto com a presença de achados arqueológicos (pequeno túmulo e um lagar) e em especial, um troço de uma importante e ancestral via que atravessava o rio Tejo e ligava a Barreira da Barca, Perais, à Lomba da Barca, no concelho de Nisa. A escolha deste local para a travessia do Tejo pode ter sido condicionada pelo escarpado das margens e pela existência, em ambas as margens, de pequenas praias com areia, facilitando assim a travessia.

Contornando a duna de areia fina, e imediatamente a jusante, pode observar-se um vasto conjunto de cabeços esculpidos em afloramento de rocha, onde se amarravam os barcos. Deverá ainda estar atento aos pormenores construtivos dos muros que ladeiam o caminho antigo e o piso da via usando a conhecida técnica do carril que consistia em justapor placas de xisto, dispostos em posição vertical, como era feito na construção de açudes.

Chegando ao topo da Barreira da Barca, pode retemperar energias e tirar partido da paisagem panorâmica, seguindo pelo caminho assinalado em direção ao Ribeiro das Ferraduras, assim conhecido pela existência de gravuras esculpidas na rocha em forma de ferradura. Bem perto de terminar o percurso, incentiva-se a ida à azinheira monumental, monumento natural que impressiona pela sua dimensão. A realização deste percurso também pode ser feita por famílias com crianças.

Finalmente, a Rota das Fontes passa por diversas estruturas antigas construídas em lajes de xisto destinadas a delimitar campos agrícolas, reter cereais (eiras) e para habitação. Para tapar os buracos entre as lajes de xisto, era usado o solo misturado com água e no caso das eiras, eram revistadas com bosta de vaca para facilitar a recolha do grão. Enquanto debulhavam, as populações entoavam diversas cantigas e versos como por exemplo: “Debulha debulha, pão pra tulha, palha pro palheiro, merda pro rendeiro”.

Aqui, pode aproveitar o silêncio, as paisagens e a envolvente natural, explorando este percurso com história ligada à água. Este percurso pode ser realizado por famílias com crianças pequenas e deve ser realizado de outubro a junho.

Como outros pontos de interesse, pode ainda explorar a Estação Arqueológica do Enxarrique, uma escavação-escola, ou o Lagar de Varas – considerado o mais antigo Oiro do Município. Trata-se de um edifício construído em alvenaria típica da região (xisto e quartzito), onde pode conhecer todas as etapas da produção de azeite, desde os métodos primitivo até aos sistemas mecânicos. 

Não deverá esquecer as Portas de Ródão —monumento natural desde 2009—, uma ocorrência geológica natural localizada nas duas margens do Tejo, nos concelhos de Vila Velha de Ródão e Nisa. Trata-se de uma imponente garganta escavada pelo rio Tejo na crista da serra do Perdição que serve de habitat para a maior colónia de grifos do país. Neste lugar podem ser observadas 116 espécies de aves, muitas consideradas em via de extinção e algumas raras, como por exemplo, a cegonha-preta, o milhafre real, o abutre preto ou a água perdigueira.

Finalmente, pode usufruir de passeios de barco, organizados pela Vila Portuguesa. Partem do cais fluvial de Vila Velha de Ródão e existe a opção de dois percursos diferentes: O Passeio Barco Portas De Ródão (todos os dias das 11 às 15 horas mediante marcação) com duração de aproximadamente 50 minutos e com passagem no Monumento Natural Nacional Portas De Ródão, com observação da vasta colónia de grifos ali existente, entre outras espécies, conhal do arneiro, ilha dos pescadores e fonte das virtudes; e o Passeio Barco Gravuras Rupestres (apenas mediante reserva) com duração de duas horas e meia a três horas, localizado junto à fronteira com Espanha onde podemos observar o núcleo mais significativo das aproximadas 30 mil figuras existentes ainda visíveis, datadas da época neolítica. Estes passeios têm o custo de 15€ e 30€, respetivamente.

Para comer, experimente o Restaurante A Ponte do Enxarrique e o Restaurante O Rato, gerido pela D. Odete que só faz pratos regionais locais: sopas de peixe, peixe frito, maranhos, borrego no Forno, o famoso cozido e a tigelada. O restaurante é simples e fica na Aldeia da Alfrivida. 

Dormir pode ser o completar perfeito de umas férias de natureza de sonho num destes locais: as Casas de Almourão, localizadas na Aldeia de Xisto de Foz do Cobrão, ou a Herdade da Urgueira, junto ao rio Tejo e com experiências de lazer na temática do olivoturismo, promovendo a cultura e tradições da região, e onde também pode aproveitar uma refeição maravilhosa no seu restaurante.

Para chegar, nada mais simples: Vila Velha de Ródão situa-se na junção de vias rodoviárias que estabelecem ligações rápidas aos centros urbanos nacionais: A autoestrada A23 coloca agora o concelho a menos de duas horas de Lisboa (190 quilómetros) e a sensivelmente duas horas e meia do Porto (240 km). A ligação a Coimbra (120 km), através do IC8 e da A13, possibilita chegar a esta cidade, em cerca de uma hora.

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