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Freebird: o clube de viagens onde só entram maiores de 50 anos

A plataforma reúne alojamentos de curta duração, mas também permite organizar encontros e eventos sociais e culturais.
É só para maiores de 50.

Quando Peter Mangan decidiu colocar a sua casa de campo no Airbnb, jamais imaginou que seria apenas o início de algo maior. Enquanto o irlandês de 53 anos se dedicava aos compromissos profissionais na área das finanças, o pai, Owen, já reformado, ficou responsável por receber os hóspedes no condado de Kerry. Era, para ele, um passatempo gratificante.

O que deveria ser apenas uma conversa de boas-vindas, tornou-se muito mais do que isso. À medida que recebiam cada vez visitantes da sua faixa etária, algo de especial aconteceu: Owen começou a organizar jantares em restaurantes locais, seguidos de noites no bar da zona, passeios turísticos e jogos de golfe.

Mais do que uma simples estadia, tornou-se num momento de convívio, onde se criavam também amizades para a vida. Ao ver a felicidade do pai, Peter, que tem no currículo um diploma de Inovação Social da Católica Lisbon School of Business & Economics, sentiu-se inspirado a tentar replicar estas experiências, mas agora em larga escala.

“Testemunhar as amizades genuínas e as experiências enriquecedoras que surgiram dessas interações fez nascer a vontade de criar o Freebird Club, uma plataforma dedicada a promover conexões significativas e capacitar adultos mais velhos através de viagens”, explica à NiT o irlandês. Afinal, a idade não é nada mais do que um número — e o espírito de aventura não existe só durante a adolescência.

Em 2014, o empreendedor começou então a pensar numa estrutura que pudesse facilitar as estadias de idosos independentes que gostam de viajar. Na prática, a plataforma fundada em 2016 reúne alojamentos de curta duração (um serviço semelhante ao Airbnb), mas também permite organizar encontros e eventos sociais e culturais — com a diferença de ser exclusivo para maiores de 50 anos.

Com a pandemia, a plataforma passou por uma transformação estratégica e chegou com uma versão totalmente renovada no verão do ano passado, para atender às necessidades crescentes dos mais velhos num mundo pós-pandemia. Agora, é possível fazer muito mais do que reservar alojamentos.

“Além de facilitar as viagens e o alojamento, o Freebird Club visa capacitar os mais velhos a levar uma vida plena, promovendo conexões sociais, combatendo a solidão, promovendo a inclusão digital e um rendimento extra através da hospedagem”, destaca o empreendedor.

Assim, nesta plataforma social, as pessoas com mais de 50 anos que continuam com um espírito jovem podem interagir uns com os outros, planear viagens em conjunto, organizar encontros, reservar e hospedar-se em casas de família e participar em eventos sociais e culturais, tanto online como presencialmente. “É um centro dinâmico onde podem partilhar experiências e criar memórias juntos”, garante.

Tudo começou na Irlanda, mas o conceito rapidamente expandiu-se para outros países. Atualmente marca presença em 35 destinos e chegou a Portugal neste mês de maio. “A expansão da plataforma em Portugal reflete o seu compromisso com a inclusão e acessibilidade, enquanto se esforça para fornecer aos idosos de todo o mundo oportunidade de viagens e envolvimento social”, sublinha.

Peter Mangan.

À NiT, Peter recordou alguns testemunhos que tem recebido de membros do clube, que tem ajudado a promover amizades genuínas por todo o mundo. Uma delas foi Gena, uma norte-americana que, em fevereiro deste ano, conheceu Ocala na plataforma, agora sua amiga. Em conversa, perceberam que moravam apenas a duas horas de distância uma da outra, na Flórida. “Como estava na minha região, encontrámo-nos para um café rápido e demo-nos bem instantaneamente. Podíamos ter ficado ali horas a falar, mas já tínhamos planos, mas acredito que nos vamos encontrar novamente”, contou.

Anos antes, em 2018, Gena também utilizou o Freebird Club para arranjar estadia numa viagem a Los Angeles. Encontrou uma família perto da rota, que comentaram que tinham um churrasco marcado para o dia 4 de julho. “Acabaram por cancelar a estadia devido a problemas inesperados, mas ainda queria conhecê-los, por isso perguntei se podia participar no churrasco na mesma. Eles aceitaram, levei comida e bebida e divertimo-nos muito”, recordou.

Para se diferenciar da experiência encontrada nos sites de alojamento habituais, o Freebird exige um requisito a todos os anfitriões que aderem à plataforma: não podem simplesmente entregar as chaves aos hóspedes. É importante dedicarem uma parte do tempo a conversar com os convidados e até a mostrar as redondezas.

O Freebird Club facilita a comunicação em vários idiomas, evitando possíveis barreiras linguísticas. E, como o objetivo é serem “o mais inclusivos possível”, também não querem que o preço seja uma barreira. Por isso, os interessados em aderir à plataforma podem pagar o valor que considerem justo durante um ano inteiro: tanto podem ser 5€como 100€. Após a adesão, tanto pode procurar alojamentos como tornar-se anfitrião de outros viajantes.  

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