Na cidade

Há 1,7 milhões de portugueses com deficiência. Estão ao seu lado, mas será que os vê?

A Fundação Eurofirms combate diariamente este estigma. E já ajudou a empregar mais de 3500 pessoas.
Existem muitos trabalho possíveis de realizar.

Stephen Hawking, Frida Kahlo, Beethoven ou Linda Hunt. Para muitos não será visível o elemento comum entre estes nomes, no entanto, ele está lá. E se não o notamos em relação a estas figuras histórias — que são considerados alguns dos génios da ciência e cultura internacionais —, também não devia fazer diferença nas pessoas que conhecemos no dia a dia. Tal como 1,7 milhões de portugueses, estas personalidades são portadoras de algum tipo de deficiência.

Hoje, todos colocam de lado esse pormenor em relação a estes nomes porque a sua importância se sobrepõe. Mas tal como acontece com tantos outros, eles também tiveram de ultrapassar obstáculos ao longo da sua vida devido a uma condição de saúde da qual não têm culpa.

Combater o estigma e integrar de forma igual e justa todas as pessoas é o grande foco da Fundação Eurofirms. Aliás, em dezembro, a empresa de inclusão laboral lançou uma campanha para promover precisamente esta igualdade. “Olá, estou aqui” pretende destacar aquilo que cada portador de deficiência é além de estar nessa categoria — as suas qualidades e capacidades que devem ser igualmente tidas em conta perante outros candidatos.

Apesar da integração bem sucedida de mais de 3500 pessoas no mercado de trabalho ao longo de 15 anos, a Fundação Eurofirms quer fazer muito mais e combater o estigma junto de todos os portugueses. Uma das histórias mais marcantes é da ex-atleta paralímpica espanhola Sónia Guirado. Aos 44 anos, é uma mãe orgulhosa de um menino de 10. O nascimento do filho foi o segundo momento mais importante da sua vida. De acordo com Sónia, o primeiro foi mesmo quando venceu uma medalha de ouro nos Paralímpicos de Barcelona.

A natação surgiu cedo, aos sete anos já competia ferozmente. Cresceu neste meio competitivo e ser professora da modalidade tornou-se no maior sonho de vida. Mas como poderia atingi-lo sendo portadora de uma malformação congénita que a fez nascer sem mãos e braços? Não sabia, mas tentou à mesma — e acabou por ser professora de natação. No entanto, mais tarde, quis ter um trabalho de escritório tradicional, mais estável e com melhor ordenado. E foi aqui que sentiu a apreensão que vinha do lado dos empregadores.

“É importante formar, informar e comunicar sobre o que pode ser considerado uma deficiência. Nem todas são visíveis, nem todas são motoras e nem todas são sinónimo de incapacitar alguém de trabalhar, de mostrar as suas capacidades no mundo laboral”, explica Lucília Queirós, um dos rostos da Fundação Eurofirms em Portugal.

As leis existem, mas são as empresas que têm o poder de mudar a vida dos portadores de deficiência

Em 2019, a Assembleia da República tentou contribuir para esta mudança de mentalidades. Na altura, estabeleceu um sistema de quotas de emprego para pessoas com deficiência, com um grau de incapacidade igual ou superior a 60 por cento. No entanto, a poucos dias de acabar o prazo definido, a fundação verificou que muitas empresas não cumprem ainda a quota de 2 por cento estipulada.

E é em mudar este paradigma que a Fundação se foca. Parte do Grupo Eurofirms, empresa de recursos humanos, a Fundação destina-se a encontrar especificamente a combinação perfeita entre empresas e candidatos. As empresas podem aderir aos serviços de recrutamento no site, e as pessoas que procuram trabalho só têm de se inscrever no mesmo sítio, podendo responder a alguma das vagas que já se encontra publicamente disponível ou ficando a aguardar por feedback da Fundação para um match.

Sónia Guirado tomou este passo e o seu rumo revelou-se um sucesso. No geral, os candidatos são inseridos noutras empresas, mas a ex-atleta acabou por ser contratada pelo Grupo Eurofirms. Hoje, é uma das consultoras que lutam por oportunidades justas para todos os portadores de deficiência.

Uma boa parte destas oportunidades são concretizadas e bem sucedidas graças à formação que a Fundação oferece para uma melhor integração dos candidatos com deficiência. Depois, os mesmos têm um acompanhamento ao longo de seis meses. Desta forma, tenta-se garantir que as necessidades de ambos os lados são respondidas e que a contratação se mantém a longo prazo.

Assim, perante as provas dadas de milhares de candidatos que foram bem integrados, mantém-se a luta para mostrar que a incapacidade é muito mais definida pela sociedade do que pelo impacto que a deficiência tem naqueles que a têm.

Este artigo foi escrito em parceria com a Fundação Eurofirms.

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