Na cidade

Este novo roteiro (com app) mostra a vila de Sintra que Hans Christian Andersen amou

"Lembro-me da beleza de Sintra”, segue as experiências do escritor dinamarquês durante a sua estadia em Sintra, em 1866.
Mais um motivo para sair de casa.

O que têm em comum os populares contos “O Patinho Feio”, “A Pequena Sereia” ou o “Polegarzinho”, entre tantos outros? Todos eles saíram da imaginação de Hans Christian Andersen, um dos autores de literatura infantil mais populares de sempre —  e que passou, muitos não o saberão, uma temporada em Sintra.

No passado dia 22 de outubro, nasceu no mágico concelho português uma nova rota (com uma aplicação dedicada) baseada inteiramente no autor dinamarquês. A embaixada da Dinamarca lançou a app “Lembro-me da beleza de Sintra”, baseada nas experiências do escritor durante a sua estadia em Sintra, em 1866. A iniciativa conta com o apoio da câmara municipal.

Trata-se, adianta a autarquia à NiT, de um roteiro “único” sobre a estadia do contador de histórias infantis e passa por locais emblemáticos, tal como a casa onde o dinamarquês viveu. O objetivo é o de promover o turismo literário no concelho.

O roteiro pode ser realizado a pé: começa na Fonte da Sabuga e depois sobe a Calçada dos Clérigos em direção à Igreja de Santa Maria. Termina perto da Igreja de São Pedro, passando pela casa da família O’Neill, onde Hans Christian Andersen ficou hospedado. Mas há muito mais para conhecer e saber — e muitas histórias para descobrir.

Sintra ficou na memória do ilustre dinamarquês

A autarquia recorda que, há 150 anos, Hans Christian Andersen visitou Portugal e apaixonou-se pelo país e pelo seu povo — segundo o relato que fez no livro “Uma visita a Portugal 1866”.

O mais impressionante neste texto de Andersen, sobretudo as suas descrições que faz da antiga cidade real de Sintra, hoje Património Mundial da Unesco, é que, lembra o município, na maioria dos aspetos a vila ainda se parece com o lugar sobre o qual escreveu.

Hans Christian esteve hospedado na casa da família de José O’Neill, que conhecera nas suas viagens, de 26 de julho a 8 de agosto de 1866. Reza a história que durante a sua estadia terá conhecido o poeta Edward Lytton e, juntamente com a mulher deste, terão explorado a fundo todas as maravilhas da serra, os seus palácios, quinta e natureza únicas.

A estadia não foi muito longa mas impressionou o autor. Mais tarde, diria até que “todo o estrangeiro poderá encontrar em Sintra um pedaço da sua pátria. Eu descobri aí a Dinamarca. Mas julguei reencontrar muitos pedaços queridos de outras belas terras…”. 

A casa onde Hans Christian passou algum tempo naquele verão. Fica na Calçada dos Clérigos, em Sintra.

Depois, descreveu vários locais com o requinte literário que se conhece: caracterizou como “diferente, belo e pitoresco” o palácio de Verão de D. Fernando. “Todo o caminho da serra é um jardim, onde a natureza e arte maravilhosamente se combinam, o mais belo passeio que se pode imaginar.” Monserrate, era para Andersen uma “verdadeira vinheta das Mil e Uma Noites, uma visão de conto de fadas”.

O diário de viagem de  Andersen em Sintra ganha assim, agora, uma nova vida, num outro formato, ao incluir também trechos selecionados no passeio sonoro do compositor dinamarquês Hans Sydow: Jeg kan huske Sintras dejlighed / Lembro-me da beleza de Sintra / I remember Sintra’s beauty.

Com a aplicação Lydlandkort, o visitante pode assim ouvir as histórias associadas ao local por onde passou Hans Christian Andersen. O GPS do telefone deteta onde está e reproduz os sons e histórias associadas ao lugar.

A aplicação, disponível em português, inglês e dinamarquês é produzida pela Resonance.Dk em cooperação com a Embaixada da Dinamarca em Portugal e com apoio financeiro da Danish Arts Foundation, Autorkontoen e DJBFA. E já está disponível para Android e IOS.

Durante a apresentação no passado dia 22, a Embaixadora da Dinamarca, Maria Nilaus Tarp, disse, citada pela Câmara de Sintra, que “Hans Christian Andersen era fascinado pelo futuro e pelas tecnologias e com certeza estaria feliz com esta aplicação”. A responsável também destacou as semelhanças entre a beleza de Sintra descrita pelo autor no passado e a que ainda se pode observar atualmente. 

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT