Na cidade

As histórias mais incríveis, insólitas e bizarras dos 7 anos da Uber em Portugal

Partos, objetos estranhos, pessoas perdidas. Há de tudo na vida de quem conduz os carros da plataforma norte-americana no nosso País.

Lidar com pessoas nem sempre é fácil, mas na maior parte das vezes pode ser muito gratificante. Quem o confirma são dois trabalhadores da Uber —que acaba de celebrar 7 anos de atividade no nosso País. A NiT falou com Ricardo Santos, o motorista em Portugal com mais tempo de casa (ou de carro) da multinacional norte-americana. E esteve ainda à conversa com Helena Neres. Além de ser uma das motoristas pontuação máxima no serviço da Uber, esta mulher é agora uma cara conhecida para a maioria dos portugueses, depois de ter participado no programa da TVI, “O Amor Acontece”.

“O melhor é precisamente sairmos de casa para ir trabalhar e não saber como vai terminar. Uns dias são muito bons e encontra-se pessoas muito engraçadas, interessantes, que nos dão um estímulo para continuar e esquecer as partes más desta atividade”, começa por explicar à NiT o motorista de 63 anos, Ricardo Santos. Uma visão partilhada por Helena, que já trabalha para a Uber há cerca de quatro anos: “não só cumpro com a minha tarefa e aquilo a que me proponho — que é levar pessoas do ponto A ao ponto B — mas também porque fica sempre um carinho e uma coisa boa, de lembrança, quando a pessoa nos dá tanto num espaço muito curto de tempo.”

No entanto, não é apenas de viagens divertidas e pessoas interessantes que se faz a história da plataforma em Portugal. Aliás, ao leque de experiências “normais” que acontecem nas viagens ao serviço da Uber durante estes sete anos no País podem ser acrescentadas outras tantas peripécias que não acontecem todos os dias, mas que marcam, como garante Helena Neres, a vida de quem está ao volante e transporta dezenas de utilizadores de norte a sul de Portugal. 

“Já levei um Salvador a nascer. Foi muito engraçado, mas também stressante, porque levamos ali uma pessoa que está em trabalho de parto. A senhora ia com pequenas contrações quando entrou, mas depois no caminho, de repente, começou a sentir contrações mais fortes. Ainda por cima tivemos de parar para apanhar o marido e demoramos um bocadinho mais. O Salvador quase que ia nascer dentro do carro”, revelou a motorista de 55 anos.

Mas há mais. “Tive uma muito engraçada: parei no local da recolha e de repente, depois de esperar uns segundos, vejo um senhor saltar um muro e vem a correr em direção ao carro. Percebi que pela atitude física dele não vinha para me fazer mal, ele vinha mesmo era aflito. Abri a porta do carro e ele disse: arranque, arranque, arranque”. Conclusão: depois de ter aberto viagem e arrancado, a motorista apercebeu-se entre telefonemas que “o senhor vinha a fugir do marido de alguém que, de repente, chegou a casa. Ele depois acabou por mudar o destino e deixei-o no Guincho, na praia, foi apanhar ar”, apontou em tom de brincadeira.

A somar a este conjunto de experiências amorosas, o que é caricato tendo em conta a forma como recentemente procurou pelo amor, Helena Neres também já conduziu um senhor, “depois de uma noite de copos” à morada da ex-mulher, só se apercebendo depois que “se tinha esquecido que já não morava ali”, conta a motorista em declarações à NiT, entre sorrisos.

Depois, claro, nem tudo o que os motoristas da Uber têm vindo a viver enquanto vão buscar e levar pessoas aos seus destinos é, de facto, experienciado da melhor forma. Ambos relatam que entre bebedeiras e má educação, foram já várias as vezes (não muitas) que se viram obrigados a convidar pessoas a saírem do carro e até, em casos extremos, a chamar a polícia. “A senhora desata num prato a chamar-me nomes. Chamou-me tudo e mais alguma coisa. Tudo. E depois ainda me disse: “Está-me a por na rua sua ordinária?”, revelou Helena Neres, explicando depois que essa foi uma situação que “acabou por passar, mas deixou-me algumas marcas”.

E por falar em coisas que se deixam, Ricardo Santos não deixou de partilhar com a NiT que os objetos deixados para trás no seu carro “são absolutamente banais: os fones, as chaves, brincos, coisas assim do género”. Já Helena chegou a encontrar um drone perdido nos assentos do banco de trás, no entanto, “o mais caricato de todos foi um alguidar, que me deixaram debaixo do banco do carro. E só dei por isso porque o senhor que entrou a seguir enfiou um pé dentro do alguidar à entrada”.

Nesta profissão, que os dois motoristas confirmam ser de “muito trabalho”, com horários a começar muitas vezes às seis da manhã e a terminar há meia noite, há, de facto, tempo para encontrar em cada viagem, por mais curta que seja, uma (ou várias) curiosidades. Para conhecer a complicação das melhores que marcam os sete anos da Uber em Portugal, carregue na galeria.

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