Na cidade

Hotéis, papelarias, escolas de condução: o que fica aberto e o que fecha no confinamento

Além das escolas a regra é que a partir desta sexta-feira se fique em casa. Mas há excepções, sob estritas regras.
Frutarias abertas.

Esta quinta-feira, 14 de janeiro, é o dia de preparação para um novo confinamento. A partir da meia-noite de sexta-feira, e por causa do aumento de casos de contágio pelo novo coronavírus, os portugueses devem recolher-se, ficar em casa, trabalhar a partir de casa, não contactar com ninguém, ou com o menor número de pessoas possível, fora do seu agregado familiar. Cortar cadeias de contágio e fazê-lo com contactos mínimos, é o plano.

Quer isto dizer que vão fechar cafés e restaurantes, ginásios e espaços de lazer, cinemas, museus e bibliotecas, entre outros. No geral as regras são muito semelhantes em relação ao primeiro confinamento, de março e abril de 2020.

Mas há exceções — com a nota de que, na quarta-feira, ao anunciar as medidas do novo confinamento, o primeiro-ministro, António Costa, reforçou que “as exceções que já existiam em março e abril mantém-se” mas pediu, “não percamos tempo a debater” estas exceções. “O dever de recolher obrigatório é mesmo para ser respeitado”, reforçou Costa. Lembrando a necessidade de continuar o combate coletivo, o governante realçou que “o atual momento não é aceitável” e que o preço de não responder à pandemia devidamente “é insuportável”.

Entre o que vai ficar aberto, o mais notório são as escolas, de todos os tipos e fases de ensino. Costa explicou que há uma necessidade de “não voltarmos a sacrifical a atual geração de estudantes”. Por isso, quando anunciou as regras em conferência de imprensa após o conselho de ministros, explicou que “iremos manter em funcionamento todos os estabelecimentos educativos como têm estado a funcionar até agora”.

O governante admitiu: “sei que é um tema que divide a comunidade cientifica mas que une a comunidade educativa e depois de ouvir os representantes das famílias, dos diretores de escolas e os profissionais e sobretudo depois de reavaliarmos bem as consequências irrecuperáveis para o setor e que a interrupção letiva teve o ano passado não devemos voltar a repetir estas regras. E por isso com as cautelas que tornaram a escola segura vamos mantê-la em funcionamento”, frisou.

Ainda sobre este tema, já esta quinta-feira calculou-se, segundo dados do “Público”, que as escolas abertas implicam que quase 2,5 milhões de portugueses continuem a circular, para chegar aos estabelecimentos de ensino — números que não preocupam no entanto o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, já que a circulação geral deverá diminuir drasticamente.

Quanto às restantes exceções, são 52 avança o jornal “Expresso”, que teve acesso à lista e a publica na sua edição online. Tudo o que ficar aberto terá de o fazer debaixo de “estritas regras de segurança”, como distanciamento, limitação de pessoas, higiene. O jornal enuncia então tudo o que fecha — desde museus a circos, passando por parques aquáticos, jardins zoológicos, bibliotecas, ginásios, piscinas, termas e spas, casinos, bares, esplanadas e restaurantes — que terão de funcionar em take-away, apenas.

Centros comerciais, cabeleireiros e barbeiros também vão ter de fechar: aliás, a generalidade do comércio estará encerrado salvo bens essenciais. 

Do que fica aberto, além do que já se sabia, como os supermercados com limitação de cinco pessoas por cem metros, as cerimónias religiosas respeitando todas as orientações das autoridades de saúde e as deslocações para votar nas presidenciais, há outros espaços, ainda que todos sob as tais estritas condições de segurança. Incluem farmácias, drogarias, hotéis e alojamento local. Também as mercearias, minimercados, hipermercados; frutarias, talhos, peixarias, padarias; feiras e mercados, em termos restritos a bens alimentares.

Vão também ficar a funcionar, entre outros, estabelecimentos de produtos cosméticos e de higiene, oculistas, lavandarias, papelarias e tabacarias, centros veterinários, bancos, clínicas dentárias, escolas de condução, centros de explicação e postos de abastecimento de combustíveis.

Na quarta-feira, ao anunciar as medidas, António Costa frisou repetidamente que País está numa fase extremamente perigosa em termos de contágios e de sobrecarga dos serviços de saúde. As medidas que entram em vigor na quinta-feira vão ter a duração de 15 dias, até porque a lei obriga a que sejam reavaliadas, mas o confinamento deverá durar pelo menos um mês.

A situação está de tal forma complicada que os especialistas de saúde estimam que Portugal chegue aos 14 mil casos diários ainda em janeiro, mesmo em confinamento. Esta quarta, 13 de janeiro, foi aliás o pior dia até ao momento no País, com mais 10.556 casos e 156 mortes. Este foi também o dia em que Portugal ultrapassou o meio milhão de casos confirmados desde o início da pandemia.

Foi por isso numa mensagem entre o grave, o esperançoso e um alerta que António Costa começou por anunciar o objetivo de “esmagar esta curva” e “salvar vidas”. É uma questão de “responsabilidade individual e coletiva”.

“Estamos a viver um momento que é simultaneamente o mais perigoso e o de maior esperança”, começou por dizer após o conselho de ministros de quarta-feira. “Quando hoje vimos uma senhora de 111 anos num lar em Gouveia a ser vacinada, temos a esperança de saber que será possível vencer esta pandemia. Mas ao mesmo tempo, quando tivemos mais 156 falecimentos, ontem 155, percebemos também que estamos no momento mais perigoso. Pior: o que torna este momento particularmente difícil é que a mesma esperança que a vacina nos dá é a esperança que alimenta o relaxamento, que torna mais perigosa esta pandemia”, afirmou.

Entre outras coisas resta a recordar “o facto do teletrabalho ser obrigatório” sempre que possível, tal como reforçou o primeiro-ministro, admitindo mão mais pesada para os casos em que tal não for cumprido. A duplicação do valor de coimas para quem não cumpre regras também está prevista. O Governo assegura ainda o reforço do apoio às empresas. “Todas as atividades que forem encerradas [com o confinamento] terão acesso ao lay-off simplificado”.

Apesar das garantias de apoio a empresas, Costa admitiu que do lado da União Europeia falta ainda a aprovação de todos os estados-membros para a tal “bazuca” de apoio financeiro. 

Recorde-se ainda que, na manhã desse mesmo dia, a Assembleia da República renovou o Estado de Emergência, antecipando as medidas conhecidas após a conclusão do Conselho de Ministros. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reforçou então a necessidade do Estado de Emergência e confinamento. “Essa contenção e inversão impõe-se e é muito urgente”, realçou em mensagem no site da Presidência.

As medidas em vigor.

 

 

 

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