Na cidade

Hotel lotado com equipa de “Guerra dos Tronos” não lamenta ter recusado outras vagas

O Alambique de Ouro, no Fundão, está totalmente ocupado pela produção da saga. A NiT conversou com o seu diretor.
O hotel no Fundão.

No incrível mundo das produções cinematográficas e de séries, há uma enorme lista de envolvidos que muitas vezes passam despercebidos. Para se ter uma ideia, basta observar os créditos que constam de uma qualquer ficha técnica, que aliás, de tão longos, muitos canais já começaram mesmo a cortar.

São dezenas a centenas, quando não milhares de pessoas a trabalhar, a fazer nascer mundos, cenários e histórias: e, por vezes, milhões de euros a circular. Para além dos custos que associamos imediatamente — no quais se incluem os salários dos atores ou realizadores por exemplo — há que somar as despesas associadas a toda a logística das filmagens, que inclui as viagens dos membros das equipas, as acomodações, as despesas e a alimentação.

Por isso, normalmente, é uma boa notícia, quando determinada zona de um país é escolhida para uma produção internacional: quem por lá habita pode ter de lidar com alguns constrangimentos temporários, é certo, mas é também quase garantido que haverá algum tipo de benefício financeiro para os hotéis, restaurantes, transportes e adereços locais. Além do potencial de marketing e publicidade futura que vem associado.

Este final de 2021 fica marcado, já se sabe, pela escolha da bonita região de Monsanto, no centro de Portugal, para as filmagens  da nova série de “A Guerra dos Tronos“, “House of the Dragon“. A muito noticiada escolha da mega produção internacional tem sido notícia desde o verão passado, porém agora que está a decorrer, as últimas atualizações não têm sido sempre pelos melhores motivos.

Tal como a NiT já noticiou, a pequena aldeia em Idanha-a-Nova, é por estes dias tudo menos o sítio calmo e pacato que costuma ser. Os preparativos das gravações da série estão a deixar a localidade numa espécie de estado de sítio: existem largos bloqueados, lojas fechadas e vários impedimentos ao trânsito.

“Os senhores não podem continuar porque o acesso ao castelo está interditado”, disse um segurança à tentativa de passagem por parte de uma equipa de reportagem da Lusa ao local, citado pela “SIC Notícias”.

Desde a passada segunda-feira, 18 de outubro, que são vários os entraves que se verificam na zona. Grande parte das casas de artesanato e comércio local estão fechadas. E as que estão abertas não têm clientes.

“Não se vende nada. Nem para um bocadinho de pão ganho”, explicou à Lusa Maria Alice Gabriel, responsável pela pequena loja Casa Mais Portuguesa. Diz que não foi informada sobre o que se iria passar por estes dias.

Segundo uma fonte contou à NiT, os camiões que transportam as toneladas de material técnico que vai ser usado nas gravações não conseguem percorrer as pequenas ruas da aldeia de Monsanto. Estão a estacionar num descampado e os técnicos têm feito chegar o material ao local através de um helicóptero.

Neste cenário negativo há, no entanto, também coisas positivas. Um hotel que nem é bem local — fica a quase uma hora de Monsanto — está, por estes dias, totalmente ocupado com a equipa de produção da épica saga.

A NiT falou com o diretor do Alambique de Ouro Hotel Resort & Spa, uma unidade hoteleira a 30 minutos de carro da Serra da Estrela e a 10 minutos da aldeia histórica da Serra da Gardunha, perto do Fundão.

Segundo José Almeida, há em toda esta situação um enorme potencial de retorno: não só imediato, mas também futuro no tempo — assim as entidades competentes o saibam aproveitar.

“Enquanto operador económico privado, ter uma produção desta natureza, que envolve 400 a 500 pessoas se não forem mais —  não tenho presente o número total —  tem, claro, um impacto económico na região. São o alojamento, as refeições, viaturas, etc.”, começa por explicar.

Segundo este responsável, a escolha da região tem para o respetivo setor empresarial “um impacto brutal”, que deveria ser capitalizado no futuro. “Agora tem de se potenciar o facto de Monsanto ter sido escolhido, entre tantos locais possíveis. Mas isso é um trabalho que terá de ser feito pelas instituições públicas de turismo, pela NaturTejo”, ressalva.

Para o Alambique, a escolha é motivo de orgulho e satisfação: “para nós é importante que, mesmo estando quase a uma hora do local, tenhamos sido selecionados para receber a nata da produção, todos os diretores executivos da equipa, por exemplo”.

O hoteleiro explica que porque é que não ficou lá ninguém do elenco, mas sim o staff, produção, diretores artísticos e afins: “a equipa está distribuída por várias unidades e, no nosso caso, recebemos cerca de centena e meia de pessoas — tem a ver com a dimensão do espaço, temos 153 quartos disponíveis e 150 pessoas alojadas porque ficam praticamente todos sozinhos num quarto”.

Através do diretor desta unidade, é possível perceber que esta fase de produção, ou pelo menos parte dela, poderá terminar em breve: “temos reservas até à próxima terça-feira, que é quando se irão embora”, adianta.

José Almeida explica que até já falou com um produtor sobre as condições atmosféricas previstas para os próximos dias —  tal como a NiT já noticiou, está prevista muita chuva para o fim de semana. “Perguntei, até por curiosidade em relação à logística, se haveria algum adiamento mas disseram que por questões de calendário de produção só devem ficar até terça e no limite, se for preciso, voltarão depois”, adianta.

O empresário acredita que um acontecimento destes “mexe imenso com todo o tecido empresarial” da região. “Já no ano passado tivemos uma coisa semelhante, não relacionado com o cinema. Foi a apresentação mundial de um veículo e recebemos a visita de jornalistas de todo o mundo. É motivo para dizer que o Fundão e a Beira têm condições excecionais para receber grandes eventos”, salienta.

Sobre os atuais hóspedes, o diretor do Alambique diz não haver quaisquer pedidos extravagantes ou incidentes a registar: “já andávamos a negociar há vários meses, estava tudo delineado”. Destaca apenas um detalhe engraçado:  a equipa é tão multidisciplinar e de tantas nacionalidades que a maioria não se conhecia antes de chegar ao Fundão.

Esta terça-feira, chega o grosso da equipa que no mesmo dia da próxima semana já estará de partida. Pelo caminho, ficam as dezenas de reservas que o hotel teve entretanto de recusar, continuando porém a acreditar valer a pena esta ocupação exclusiva, “pelo prestígio e valorização”, da unidade e região.

O hotel da zona centro é conhecido pela sua localização e por ter dois campos de ténis, 153 quartos e oferecer vários espaços verdes. No restaurante, pode experimentar alguns pratos regionais ou, se preferir, marisco fresco. Também não falta um bar onde pode tomar uma bebida e descontrair. 

O spa inclui banho turco e sauna, também há uma sala de jogos e um parque infantil. Na piscina exterior pode experimentar uma aula de hidroginástica ou desfrutar de uma espreguiçadeira no meio da água. Tal como a NiT já noticiou, o hotel Alambique de Ouro vai ter em breve um spa gigante com uma cabine de neve.

Recorde-se que a equipa de produção começou os preparativos para gravar a nova série de “A Guerra dos Tronos” em Portugal no passado dia 18 de outubro. As gravações vão decorrer no distrito de Castelo Branco. A autarquia já divulgou os locais que estarão interditos até ao início de novembro — e que serão usados na rodagem ou para a produção da prequela “House of the Dragon”. O cenário estará montado sobretudo na aldeia de Monsanto, onde fica o célebre castelo, mas também na freguesia de Penha Garcia.

“House of the Dragon” será um capítulo anterior da narrativa de “A Guerra dos Tronos” e incluirá também cenas filmadas em Espanha. A história baseia-se no livro “Fire & Blood”, do mesmo autor George R. R. Martin, e centra-se na família Targaryen, 300 anos antes dos acontecimentos da série original. Vai contar com dez episódios e estreia em 2022 na HBO — o primeiro teaser já foi apresentado.

Nesta fase anterior da saga, as personagens são outras mas a sede de poder da família Targaryen está bem presente no roteiro. No centro do argumento está, mais uma vez, a sucessão e o direito a tomar o controlo do Trono de Ferro.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Estrada Nacional 18, Sitio da Gramenesa
    6230-463 Fundão
ESTILO
hotel
PREÇO MÉDIO
entre 51€ e 100€
AMBIENTES
familiar, negócios

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